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UMA HISTÓRIA DE AMOR

Consagração: um programa de vida


Arquivo MI
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Consagração: um programa de vida


Maria, por vontade do próprio Jesus, é intimamente ligada ao nosso caminho de fé. “Não se pode ser cristãos se não formos marianos” dizia Paulo VI.

Então devemos acolher Maria na nossa vida, como fez o apóstolo João em nome de todos. 

A Milícia da Imaculada torna-se portanto a proposta, feita por São Maximiliano, para responder a esta vontade de Jesus. A qualidade desta proposta é garantida pela vida e pela santidade de Kolbe.

O fato de que São Maximiliano desejou a Milícia da Imaculada, nos incita a qualificar a nossa espiritualidade, contemplando o rosto da Imaculada. 

A consagração é uma manifestação do amor à Virgem Maria e uma resposta ao desejo de Jesus, que a entregou a nós da cruz.

Em fevereiro de 1933 se recordam os 75 anos das aparições da Virgem Imaculada em Lourdes e são Maximiliano, missionário no Japão, escreve uma carta a todos os jovens frades da Ordem dos Menores Conventuais, convidando-os a fazer da consagração à Imaculada um programa de vida.

“Doemos com generosidade a Ela o coração, a alma, o corpo e tudo sem qualquer restrição ou limitação, consagrando-nos a Ela completamente, para ser seus servos, filhos, sua coisa e sua propriedade incondicional, assim até tornar-se, de certa maneira, Ela mesma que vive, fala, age neste mundo”.

Depois acrescenta: “A Imaculada quer mostrar em nós e por nosso intermédio a plenitude da sua misericórdia: não queremos interpor obstáculos, deixemo-la fazer” (SK 486).

Com a consagração o objetivo de padre Kolbe é muito claro: com a Imaculada o caminho de fé não pode limitar-se a não fazer o mal, mas torna-se exigência de santidade, uma santidade que faz do crente um apaixonado pela beleza espiritual de Maria, o impulsiona a tornar-se um colaborador corajoso, empreendedor, criativo da missão de Maria na história, lutar contra o mal e levar a salvação em todo lugar e a todos os homens: a fé passa da mente ao coração, torna-se vida e ação. Com a Imaculada o milite torna-se como ela, “que vive, fala e age neste mundo”.

Obviamente colocar-se a seu serviço de modo incondicional, tornarem-se seus filhos, sua propriedade, aliás, tornar-se Ela mesma que fala que age é muito, muito mais do que declarar-se simplesmente devotos.

Escreve a esse respeito o padre José Simbula, ofmc: “Se em qualquer associação mariana a consagração a Nossa Senhora poderia representar uma simples prática devocional, não é assim na M.I. e em padre Kolbe... Tal consagração não constitui no nosso santo uma devoção independente, mas uma ajuda, mesmo que não seja necessária, é mais do que oportuna e utilíssima para viver em plenitude a vocação cristã: a via régia para empreender o caminho de imitação da Virgem até assemelhar-se com Ela para poder cooperar com a sua missão.”

Em 1940, rumo à conclusão do seu caminho humano e espiritual, recolhendo o seu pensamento nas Notas para um livro, padre Kolbe assim sintetizava o pensamento sobre a consagração, confiando à pobreza de linguagem a exuberância da sua íntima experiência:

“Se chama da Imaculada, porque os seus membros se doam à Imaculada sem qualquer reserva e sob todo aspecto, sem qualquer exceção”.

Dela desejam ser servos e filhos e escravos de amor e coisa e propriedade e instrumentos dóceis e tudo aquilo que em qualquer tempo o amor por Ela sugerir ao coração de qualquer pessoa que a ama. Em suma, desejamos pertencer a Ela sob todo aspecto, ser seus de acordo com toda a extensão do significado desta expressão...

Se chama Milícia, porque aqueles que se consagram à Imaculada de modo tão completo desejam acentuar a intenção de cancelar qualquer restrição não só quanto à extensão, mas também quanto à intensidade de tal doação; desejam assim acentuar a sua vontade de arder sempre mais de amor por Ela, para irradiar sempre mais também no ambiente ao redor, iluminar com seu esplendor e aquecer com seu entusiasmo o maior número possível de almas... conquistar para a Imaculada o mais rápido possível o mundo inteiro” (SK 1327).

Só na pessoa e no serviço de amor à Imaculada os homens podem romper a barreira do seu limite e alcançar o “vértice da perfeição” (SK 1325), por esta razão propõe a consagração à Imaculada. 

E ele em primeiro lugar que a vive, manifestando uma harmonia entre vida e pensamento, de estratégia apostólica rica de inteligência e novidade, de realidade mística e dinâmica que envolve integralmente a sua pessoa e a sua vida.

A Imaculada... O ápice da perfeição da criação, Mãe de Deus, a mais divinizada entre as criaturas.

O objetivo da criação, o objetivo do homem é tornar-se sempre mais semelhante ao Criador, a divinização sempre mais perfeita. “Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus”, afirma Santo Agostinho.

Nós imitamos as pessoas boas, virtuosas, santas, mas nenhuma delas é sem imperfeições; somente Ela, sem mancha de pecado desde o primeiro instante da sua existência, não conhece nenhuma queda, nem menos a mais leve. Imitá-la, portanto, aproximar-se dEla, oferecer-se como propriedade a Ela, tornar-se Ela, eis o vértice da perfeição do homem. Todos aqueles que amaram a Imaculada desejaram pertencer a Ele e expressaram isso de diversas formas. Ser servo dEla, ser filho dEla, ser escravo e assim por diante, são ideais que têm iluminado a vida deles. Todos, portanto, desejavam pertencer a Ela da maneira mais perfeita possível e sem dúvida quiseram valer-se de todos os títulos que qualquer pessoa havia cogitado ou que o amor de qualquer pessoa teria sido capaz de cogitar no futuro.

Em suma, ser dEla, ilimitadamente dEla: eis o sol que ilumina a vida de muitos, muitíssimos corações.

Quando o fogo do amor se ascende, não pode encontrar obstáculos nem limites do coração, mas faz arder tudo em volta, e incendeia, devora, absorve outro corações. Conquista ao próprio ideal, á Imaculada, almas cada vez mais numerosas. A Milícia da Imaculada destaca este amor que se lança até conquistar os corações de todos aqueles que vivem no presente e que viverão no futuro, e isso o mais rápido possível, o mais rápido possível, o mais rápido possível.

O milite da Imaculada, sabe que, na Imaculada e através da Imaculada, se tornará o quanto antes e da maneira mais fácil, propriedade de Jesus, propriedade de Deus. Sabe que Ela, nele e através dele, amará Jesus de modo incomparavelmente mais perfeito do que ele próprio poderia tentar fazer com qualquer outro meio. Sabe que como toda graça de Deus Pai através de Jesus e da Imaculada desce na sua alma, assim também, não por outro caminho, mas somente através dEla e de Jesus pode e deve elevar ao Pai toda resposta e toda graça, todo intercâmbio de amor por amor.

Sabe que este é o único caminho para alcançar a mais fácil e mais sublime santidade, para conseguir a maior glória possível de Deus. O amor de Deus, portanto, não lhe permite deixar escapar a situação, mas o solicita para conquistar a cada dia mais o próprio coração à Imaculada, para que Ela, nele e através dele, penetre também nos outros corações e prepare neles um trono de amor para o Seu Divino Filho.

O milite da Imaculada é, resumindo, uma pessoa que combate para conquistar todos os corações para Ela.

Dificuldade de linguagem, mas clareza de vida

Muitas objeções se acumulam hoje contra a impostação de Kolbe, especialmente encontra-se dificuldade em aceitar a sua linguagem militar que quer conquistar ao invés de evangelizar, a sua excessiva concentração sobre Maria e as expressões que apresentam o cristão como “coisa, propriedade, instrumento”, distantes da nossa sensibilidade toda centrada sobre a pessoa...

Talvez nós sejamos mais rígidos e bloqueados em exigir que uma pessoa pule por cima do seu tempo e da sua cultura. Certamente São Maximiliano não tinha uma ideia bloqueada da Milícia, aliás, em 1935 adverte sobre a “falta de elasticidade em adaptar-se às condições e às circunstâncias que mudam continuamente” (SK 637), porque podem provocar um enfraquecimento da atividade. E quando afronta os problemas linguísticos, voa alto aceitando qualquer fórmula contanto que expresse o desejo de “doar-se à Mãe de Deus de maneira total” (SK 1329). É certo que a consagração à Imaculada proposta por Padre Kolbe tem tudo a ganhar se for repensada e expressa de acordo com a atual cultura, teologia, vida eclesial, antropologia.

É isso que estamos tentando fazer.

De qualquer maneira a santidade e o testemunho de amor supremo reconhecido pela Igreja como martírio são a verificação mais convincente da qualidade da consagração à Imaculada também para nós que nos perdemos de bom grado nas dissertações teológicas e culturais como álibi para esconder a nossa preguiça e a nossa resistência em dar tudo, sem calculo e sem medida.

A consagração mariana de Kolbe nunca se distanciou da vida e das situações concretas, aliás, só aceitando esta verdade conseguiremos entender as nossas falhas, dúvidas, atrasos.

Maximiliano costumava repetir: só o amor constrói. Portanto a consagração não somente como devoção íntima mística expressão do amor ou ascética pessoal, mas como atenção e solicitude com os irmãos.

Se no tempo da atividade apostólica a consagração era trabalho, fadiga, privações, cansaço, organização, preocupações, no final tornar-se amor evangélico, no estado puro.

Amar e servir o homem como fez São Maximiliano, inspirando-se em Maria, quer dizer colocar um selo de garantia sobre sua proposta de consagração.

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