Por Silvia Cunha Em Igreja

"Mercado de armas é uma ameaça para a humanidade", afirma Papa Francisco

Ele se encontra com Diplomatas acreditados junto à Santa Sé e coloca, no centro do seu discurso, o comércio de armas e a proliferação nuclear


Vatican News
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Ele se encontra com Diplomatas acreditados junto à Santa Sé e coloca, no centro do seu discurso, o comércio de armas e a proliferação nuclear


Tendo em vista a ameaça dos perigos ligados ao uso das armas, o Papa Francisco dirigiu seu discurso ao Corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé para a apresentação das felicitações para o Ano Novo.

Maurizio Simoncelli, vice-presidente do Instituto de Pesquisas Internacionais ‘Arquivo Desarmamento’, destaca que, em escala mundial, percebeu-se um “crescimento das despesas militares”.

Mercado de armas em crescimento - Nos anos da 'Guerra Fria', a despesa militar global era de cerca de 1.400 bilhões. Hoje já passa de 1.730 bilhões.

Por isso o Papa Francisco ressaltou:

“Infelizmente, pesa constatar que o mercado das armas não só não parece sofrer interrupção, mas ao contrário existe uma tendência cada vez mais difusa para se armar por parte tanto dos indivíduos como dos Estados”, disse.

Continuando o Santo Padre ainda observou: “Aqui quero reiterar que não podemos deixar de ter um grande sentimento de inquietação, se considerarmos as catastróficas consequências humanitárias e ambientais que derivam de qualquer uso dos dispositivos nucleares. Por conseguinte, mesmo considerando o risco de uma explosão acidental dessas armas devido a um erro de qualquer tipo, deve ser condenada com firmeza a ameaça do seu uso - diria a imoralidade do seu uso - assim como a sua posse, precisamente porque a sua existência é funcional à lógica de medo que não diz respeito apenas às partes em conflito, mas a todo o gênero humano”.

De acordo com Maurizio Simoncelli, uma das grandes preocupações é também o comércio de armas de pequeno porte, “usadas em todas as guerras esquecidas” e nos últimos anos destinadas, em particular, ao Oriente Médio e o Norte da África.

As novas armas - Papa Francisco destacou também o perigo das novas armas. “De modo especial preocupa o fato de que o desarmamento nuclear, amplamente almejado e em parte perseguido nas últimas décadas, esteja agora dando lugar à pesquisa de novas armas cada vez mais sofisticadas e destrutivas”, alertou.

Além da ameaça permanente da guerra nuclear, vê-se o desenvolvimento de novos cenários ligados à tecnologia militar. Maurizio Simoncelli ressalta que “causa grande preocupação as armas autônomas em condições, de agir por meio da inteligência artificial, de escolher o objetivo e atingir o alvo”.

Algumas dessas armas já são operativas ao longo da fronteira entre a Coreia do Norte e Coreia do Sul. Simoncelli lembra que a arma autônoma poderia ser um instrumento para consolidar regimes e ditadores “que não teriam mais necessidade da presença humana nas fronteiras”.

Sentido enganador de segurança - Um outro ponto foi a ostentação de arsenais bélicos.

“As armas de destruição de massa, em particular as atômicas, geram unicamente um sentido enganador de segurança e não podem constituir a base da convivência pacífica entre os membros da família humana, que ao contrário deve inspirar-se numa ética de solidariedade”, explicou.

Maurizio Simoncelli também recordou que um passo fundamental é o de renunciar às armas nucleares.

"Um sinal político importantíssimo foi dado no ano passado com o Tratado pela Eliminação Total das Armas Nucleares, assinado por mais de 120 países na Assembleia Geral das Nações Unidas. Mas, infelizmente, os países do chamado clube nuclear não assinaram este Tratado. À essa atitude se contrapõe a lógica das áreas desnuclearizadas, entre as quais a América Latina, a África e a Ásia Central, onde se confirma a recusa das armas nucleares, que levariam somente à destruição do planeta. Mas ainda há países que se definem mais avançados e democráticos e que, ao invés, dispõem dessas armas", concluiu.


Com informações do Vatican News.

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