Maria: Ícone da alegria e da esperança
Quando desejamos a alegria, não nos referimos à falsa necessidade de fortalecer a própria estima pessoal em base à banalidade ou à comédia, mas àquele encontrar na fé a chave da vez para prolongar a estimada alegria que é fruto de uma outra presença em nós, aquela própria do Espírito Santo. Maria, maravilhosa companhia educativa para assimilar o amor de Deus, antes de mais nada edifica em nós a exigência de superar qualquer que seja a superficialidade e a compensação em outras alegrias, no lugar daquela sã e duradoura alegria que Cristo gera em nós. Esta outra presença, nós a notamos e agradecemos? Nos sintonizamos e a garantimos constantemente com o desejo de encontro em nossa vida interior?
Este Espírito que já nos é dado abundantemente (cf. Rm 5,5) e gratuitamente, com a ressurreição de Cristo encontra com a presença de Maria uma disponibilidade extraordinária em compensar os espaços que já foram abertos com a nossa busca pelo Senhor. Maria, no itinerário interior da alegria, é ponto de convergência entre a comprovação da vontade do Senhor que participemos da alegria da ressurreição do Filho de Deus e o nosso anseio de sentirmo-nos interpelados a encontrar mais sentido na vida com a alegria profunda oferecida no evangelho de Cristo.
Alegria é compromisso do coração
Alimentados e sustentados pela companhia da Virgem que não fechou os olhos para o suplício da cruz (cf. Jo 19,25-27) e ali enxergou a glória de Deus (cf. Jo 8,28), procuremos superar as instâncias da morte, que verificamos com o tocar quotidiano de nossos medos e inseguranças. Não podemos negar que aprendemos a sentir medo diante das situações da vida, mas podemos conferir um caminho de leveza e serenidade interior afrontando as pequenas mortes do nosso quotidiano na certeza de que Cristo venceu aquela definitiva.
Um famoso autor de literatura cristã dizia: "... a tarefa dos modernos educadores é irrigar os desertos. A justa defesa contra os falsos sentimentos é inculcar justos sentimentos". A alegria é, pois, um empenho do coração, se torna visível e educativa se é o nosso comportamento. Caminho que segue um itinerário profundamente ligado à atenção que se dá à palavra. Palavra e coração estão ligados, como escuta, intimidade e até mesmo inquietação; as atitudes mais justas e profundas nascem do que é elaborado no segredo do silêncio. Crescer na alegria e esperança da fé em união íntima com Maria requer a sua mesma docilidade em escutar atentamente e receber novos estímulos da misteriosa ação do Senhor (cf. Lc 2,51). A oração, qual relação dialogal com o Senhor, permite que cada aspecto da nossa vida (sentimento, afeto, emoção, memória, vontade) receba um novo significado. A alegria, então, se torna um justo sentimento.
A alegria é fruto de pobreza evangélica: abandono e confiança, sobriedade e essencialidade, apego aos valores da justiça e paz ante ao apego a si mesmo, às tendências egoísticas e ao ter em modo exagerado. Maria é companhia na pobreza geradora de alegria, que vemos em sua vida discreta, sem necessidade de construir uma aparência para ser aceita pela sociedade. Tal estilo mariano é válido em contraposição com os modelos oferecidos pelos instrumentos de comunicação social como a TV, que diz que a pessoa é somente tal se aparece e se engrandece à custa de outros. A alegria é discreta como Maria. Isto pede o evangelho (cf. Mt 6,3). Maria é companhia na fidelidade ao percurso da fé que gera alegria.
A alegria se constrói no quotidiano
O quotidiano atesta a firmeza e o valor daquilo que construímos no interior de nós mesmos. A pessoa de fé na ressurreição sabe que lhe é pedida uma oferta integral e que lhe é possível oferecer a completitude das suas energias ao Senhor. A nossa esperança está justamente na certeza de que, redimidos por Cristo com a sua ressurreição, todo o nosso ser recebe uma nova luz; a morte recebe um sentido. Por isso, a esperança evoca oferecer tudo a Deus; esta é a oferta que dá alegria ao coração! Maria é uma presença no quotidiano para fermentar o nosso testemunho. É no quotidiano que nasce a esperança e que tem consistência a razão de sermos alegres na vida, motivados a comportarmo-nos segundo o evangelho que nos rende testemunhos da esperança.
Roberto Mário Barbosa
Missionário da Imaculada-Padre Kolbe
Centro Internacional da MI
Roma - Itália
Destaque:
Maria é companhia na fidelidade ao percurso da fé que gera alegria
Perguntas:
Como podemos buscar a esperança e uma alegria verdadeira e duradoura?
Como a presença de Maria está nos auxiliando na escuta da palavra?
Área de formação