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Milícia da Imaculada
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CONHECENDO MARIA | Dimensão apostólica da Consagração

Por Padre Luigi Faccenda

Com a consagração, portanto, não se cria só um relacionamento externo com Maria, mas, tornando-nos seus filhos, coisa e propriedade ou instrumentos, se opera em nós uma gradual transformação de todo o nosso ser e agir nela. Da nossa parte devemos prestar atenção para não criar obstáculos a essa sua obra materna: “Ela sozinha deve instruir cada um de nós em cada instante, deve conduzir-nos, transformar-nos em si mesma, de modo que não sejamos mais nós a viver, mas Ela em nós, assim como Jesus vive nela e o Pai no Filho” (Escrito de São Maximiliano Kolbe 556).

Guiados por Ela, assegura Padre Kolbe, alcançaremos uma paz profunda e a perfeição da santidade: “Permitamos a Ela que faça de nós e por meio de nós qualquer coisa que desejar e Ela cumprirá seguramente milagres de graças: e nós mesmos nos tornaremos santos e grandes santos; muito grandes, porque conseguiremos tornar-nos semelhantes a Ela e Ela conquistará, por meio de nós, o mundo inteiro e cada alma” (EK 556).

É esta a razão fundamental pela qual cada consagrado à Imaculada pode exercitar um real influxo benéfico sobre o ambiente externo: “Uma alma que é efetivamente consagrada à Imaculada até este ponto, não pode deixar de exercer um influxo no ambiente que a rodeia, mesmo sem que seja conscientemente. Essa, todavia, não se contentará com isso, mas cumpre consciente cada esforço e faz todo o possível para ganhar também outros para a Imaculada, para que também outros se tornem como Ela. Exatamente por isto, no ato de consagração, reza à Imaculada: ‘Disponha de mim, se quiseres, de todo o meu ser, sem qualquer reserva, para cumprir aquilo que foi dito de Ti: Ela te esmagará a cabeça’” (EK 1329).

O objetivo de cada esforço e empenho apostólico, como de cada sofrimento acolhido e ofertado no espírito da Milícia, é suscitar um amor perfeito pela Imaculada “acendendo-o no próprio coração, e comunicar tal fogo àqueles que vivem ao nosso redor; inflamar com ele todas e cada alma que vive agora e que viverá no futuro e fazer incendiar de modo sempre mais intenso e sem restrição tal chama de amor em si mesmo e sobre toda a terra: eis o nosso ideal. Todo o resto é somente meio” (EK 1326; Cf EK 991).

Por isto Padre Kolbe exorta: “Empenhar-nos todos a acelerar este momento: antes de tudo, e sobretudo, permitindo à Imaculada apoderar-se de modo indissolúvel do nosso coração; além disso, quais instrumentos em suas mãos imaculadas, conquistando, segundo as nossas possibilidades, o maior número de almas a Ela com a oração, com a oferta dos próprios sofrimentos e com o trabalho. De que paz e de que felicidade seremos inundados sobre o leito de morte sabendo que muito, muitíssimo nos teremos cansado e teremos sofrido pela Imaculada...” (EK 1159).

Nesta linguagem, sem dúvida paradoxal e ousada, muito além dos rígidos esquemas da teologia tradicional, emerge o incontido amor de Padre Kolbe à Imaculada e às almas.