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Milícia da Imaculada

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ConsagraçãoIntenção MI

Testemunho e comunhão

Na escola de Kolbe, somos interpelados a formar uma mentalidade para a missão. Quatro são as pistas na compreensão, significado e adesão à missão para o dia a dia:
a) A palavra de Deus que nos envia é Cristo Jesus, e a sua linguagem e conteúdo são aqueles vitalizados pela ação do Pai no Espírito, e, por isso, são palavras do corpo morto e glorioso de Cristo Jesus, o ressuscitado. Palavra-espada afiada que perscruta nossos afetos e pensamentos (cf. Ap 2,23), que é a ponta da nossa união amorosa e fidelidade com Cristo (cf. Jo 14, 23) e veículo da sua habitação em nossa comunidade; palavra que desestabiliza a pessoa de sua concupiscência, dos próprios limites e pecado (cf. 1Jo 3,9), e, ligando a sua ação à nossa história, o seu Espírito ao nosso espírito e corpo, exercita unidade entre o amor do Pai e o nosso amor humano; palavras que são espírito e vida (cf. Jo 6,63) e, enfim, são sinal da nossa vida bem-aventurada (cf. Ap 1,3). Kolbe, homem de profunda vida interior, é missionário-exemplo da palavra interiorizada e vivida, da força unitiva da mesma, do cuidado perseverante quando forças desagregadoras incitam violentamente para tirar a melhor parte escolhida (cf. Lc 10,42), e de encontros motivados pela vitalidade desta palavra.
b) Colhemos o sagrado na intensidade daquele movimento do Pai Celeste que, por meio da ação real e invisível do Espírito Santo (cf. Rm 5,5), atrai cada pessoa a Jesus de Nazaré. Nesta contínua atração a Jesus começa a formação da identidade e plenitude do homem novo, o processo da sua libertação das amarras do pecado, integração dos limites e abertura à esperança do reino. Kolbe enxergava esta “pressão do Pai” em atrair a Cristo Jesus cada pessoa para a sua libertação e felicidade completa. Respeitava os germes do divino que encontrava, e continuava apontando a direção rumo à meta, mas sabia que ainda havia muito a se fazer. Concebeu então a MI como um órgão destinado a conduzir a educação no homem até ele atingir a sua realização e libertação.
c) A justiça, a verdade, a caridade, a benevolência, a misericórdia, a solidariedade habitam nosso interior e são provocadas pela atividade do Espírito que ora em nós (cf. Rm 8,26-27). De invisível passa ao registro do visível quando, em nosso corpo, símbolo da nossa pessoa, tais valores são feitos palavras, gestos e atitudes, como o nosso sentir, pensar, falar, agir. A comunicação simbólica é comunicação corporal. Sob um nível coletivo, nossas obras e organismos revelam nossa mentalidade e escolhas. Como Kolbe realizou tal comunicação simbólica do reino? Quando fermentou a sua obra com o talento da estratégia, quando somou criatividade à evangelização, quando arriscou sua segurança denunciando a lógica de ódio e segregação do sistema de sua época com as palavras de amor e serviço do evangelho; quando transformou as suas estruturas magníficas de trabalho em hospital para perseguidos e feridos da guerra apenas iniciada, quando renunciava ao descanso para acolher seus irmãos necessitados de uma palavra, quando partilhava seu pão no campo de Auschwitz, quando abraçava quem ali queria suicidar-se, quando, nada mais tendo a doar, com a vontade e o próprio corpo doou sua vida inteira no lugar de outro prisioneiro. Comunicando o reino com a sua vida, ensina: que a primeira forma de missão é o testemunho, que aplicar os talentos é fermentar o reino e que o gesto é fundamental para a comunicação dos valores do evangelho.
d) Kolbe se revelou homem de fecundo diálogo. Em nossos dias, e sobretudo em nosso contexto brasileiro, faz-se necessário incitar tal atitude para reunir-se em torno a Cristo, visto ainda a pluralidade de expressões religiosas. Apesar do desafio da unidade, se a espiritualidade pressupõe uma vida finalizada à paz e à justiça, podemos, como Kolbe, aproveitar das ocasiões (e ele dialogava, desde o trem às paginas do seu jornal quotidiano) para partilhar os nossos sentimentos assimilados de Cristo com nossos irmãos que também nele creem. Esta é uma expressão atual da Igreja missionária e que Kolbe já praticava com maçons, budistas, muçulmanos, judeus, protestantes, etc. Ou seja, além dos crentes em Cristo Jesus e na sua palavra viva na Igreja, com aqueles que pensam a vida e a história em modo diferente. A comunhão é o sentido último da nossa ação missionária.


Roberto Mário Barbosa
Missionário da Imaculada-Padre Kolbe
Centro Internacional da MI
Roma – Itália


Perguntas:
1)      Considerando a pluralidade religiosa em que vivemos, como nós católicos podemos pregar o evangelho para nossos irmãos, principalmente os mais necessitados?
 2)      A Milícia da Imaculada, através do seu fundador São Maximiliano, colabora com a nossa missão de evangelizar? Como?