Por Eduardo Galindo Em Psicologia

Como nasceu a empatia de Jesus? '

Maria também teve um papel precioso na vida de Jesus ao ensiná-lo a sentir e ser sensível ao sofrimento do outro

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A empatia é uma das palavras mais usadas nos últimos anos, principalmente neste tempo empenhativo em que as pessoas precisam ser mais solidárias. Empatia vem do grego “empatheia” com o significado de “sentir com”, ou “ação e movimento de paixão”. Muitas pesquisas a partir da psicologia e das neurociências classificam a empatia como uma “inteligência emocional” que pode ser dividida em dois tipos: a cognitiva, relacionada com a capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e a afetiva, relacionada com a habilidade de experimentar reações emocionais da outra pessoa.

É na relação social, principalmente na família, que se aprende a empatia. Por isso, uma das tarefas principais da mãe é frustrar o filho em pequenas doses para que deixe de ocupar o centro das atenções e passe a perceber que ela possui outras ocupações e outros familiares que também precisam de atenção. Durante a infância, a criança busca conquistar e controlar a sua mãe pelo seu choro e birra. A mãe, quando consciente de seu papel, sabe que a criança precisa de limites e ser motivada a dividir os brinquedos e o amor da mãe. Este aprendizado é essencial para que a criança desenvolva uma autoestima e um sentimento de responsabilidade e pertença à família.

Na psicoterapia infantil a escuta e a orientação dos pais fazem parte do tratamento. Muitos relatam a dificuldade para fazer o filho ser mais prestativo e zeloso nas pequenas tarefas de casa. Alguns pais atribuem essa dificuldade à sociedade e dizem que no tempo deles a educação era outra.

Será que era mais fácil educar os filhos antigamente? Quando olhamos para o momento histórico de Jesus, os relatos bíblicos nos mostram uma sociedade colapsada sob domínio do Império Romano. Israel era um caldeirão de revoluções com grupos ideológicos como os zelotes, fariseus, saduceus e essênios que exerciam tensões sobre o povo. Era um tempo no qual a população sentia a quebra dos valores religiosos e políticos, além de uma intensa crise econômica e sanitária. Foi nesse contexto que Jesus aprendeu a compreender e a sentir com profundidade o sofrimento e a angústia humana.

Nas bodas de Caná (Jo 2,1-11) muitos interpretam que Jesus não estava se importando com a situação dos noivos, ou que Ele deu uma resposta meio “dura” para a mãe. Para mim, Jesus quis mostrar de onde vem a sua empatia e com quem desenvolveu esta atitude, e com isso, nos motivar a aprender a sensibilidade de olhar e se colocar no lugar do outro.

As bodas de Caná mostram o milagre de ser transformado por Maria, permitir que Ela toque o nosso coração e nos mobilize para ter a mesma atitude de Jesus de escutar a Sua mãe. Assim como Maria, as mães de hoje encontram as mesmas dificuldades para apresentar os valores e a importância da sensibilidade aos filhos. A empatia não é sentimento, é um ensinamento. Jesus nos deu a Sua mãe que tem a capacidade de nos ensinar a empatia e a solidariedade.

Escrito por
Eduardo Galindo (Divulgação)
Eduardo Galindo

Psicólogo Clínico, especialista em Psicoterapia Breve. Suas áreas de atuação são psicoterapia de adultos, grupos e casal, workshop, e assessorias de grupos e palestras.

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