Por Túlia Savela Em Maria, minha mãe!

A justiça de Deus é a sua misericórdia

mês dedicado a São Francisco de Assis, homem da paz




Frei José Hugo dos Santos, franciscano menor conventual

O trecho do Evangelho de Mt 5,38-42 é muito duro: sentimos a força das palavras de Jesus. Elas nos deixam incomodados. Oferecer a outra face, quando nos batem, dar tudo e não esperar nada em troca, é algo muito difícil de aceitar e compreender.

Meditando esse Evangelho,precisamos lembrar, antes de tudo, que estamos falando sobre as bem-aventuranças que Jesus pregava. O problema é que, para sermos bem-aventurados, é preciso agir como tal. Então as coisas começam a não ficar tão fáceis e nem poéticas. Às vezes achamos até que Jesus foi duro demais ao fazer essas afirmações. Mas, pelo fato de não conseguirmos fazer o que está sendo proposto, não quer dizer que o proposto não seja verdadeiro ou que seja impossível. Nós reduzimos um desafio de amor às nossas medidas. Não façamos isso.

O cristianismo nos mostra uma medida de amor imensa que extrapola e ultrapassa aquilo que a nossa razão consegue conceber. Temos que fazer uma reflexão com os pés no chão. Toda a sociedade ou grupo humano precisa de regras de convivência e de lei. Entretanto, uma lei deve ser sempre analisada do ponto de vista da vida, se ela gera vida ou morte.

Jesus está enfrentando a lei de Talião em que as pessoas tinham direito de agir de maneira a pagar o mal com mal, aceitando a vingança. Jesus dizia que não vinha abolir a Lei, mas pregava o seu cumprimento; porém as Suas palavras davam uma dinâmica diferente às leis ao enchê-las de uma perspectiva de vida.

Poderia ser até natural agir assim na base da vingança. Mas, não resolveria os problemas. A justiça executada com violência estaria na contramão do amor. Quando o julgamento é feito com base no amor, tudo muda. São Maximiliano Kolbe, com o seu projeto de vida (“Só o amor constrói”), nos mostrou, com a sua vida o verdadeiro amor de Deus. Foi um exemplo para nós de como viver uma grande dimensão de amor em meio a tanto ódio no Campo de Concentração. Contra todo tipo de lógica humana, a lógica de Deus é a única capaz de dar respostas às contradições da nossa vida humana.

O coração de Deus enxerga o que nós não enxergamos. Acolhe situações que nós jamais seríamos capazes de acolher. O desafio está em nos fazer um pouquinho mais semelhantes a esse modo de amar. O Evangelho, a partir da nossa real conversão, se torna o verdadeiro critério tanto do nosso pensar com do nosso agir.

Que o Senhor nos ajude a ter a Sua capacidade de amar. E Maria, Rainha da Paz, aquela que intercedeu em Caná, seja nosso exemplo para a construção da paz.


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