Por Paulo Teixeira Em São Max

Maria, Mãe e Medianeira




Por Paulo Teixeira, jornalista

A doutrina sobre a mediação de Maria pode parecer um tema moderno, devido às questões atuais sobre meios e mediações, mas sua raízes são profundas. Uma das primeiras orações cristãs do século III, exprime a confianç na proteção de Maria pelo fato de ser Mãe de Deus. Assim diz a oração: “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita”.

Outras pérolas nos foram oferecidas pelos Padres da Igreja, pais da fé cristã. Na Síria (ano 300), Santo Efrém transmitia a fé com poesia. Percebemos nos versos como Maria não está diante de Deus como um instrumento estático, mas numa relação que media a salvação. “Aquele que criou todas as coisas entrou em sua posse, mas pobre. O Altíssimo veio a ela (Maria), mas entrou humilde. O esplendor veio a ela, mas revestido de humildes vestes. Aquele que prodigaliza todas as coisas conheceu a fome. Aquele que dessedenta todos conheceu a sede. Nu e despojado saiu dela, ele que reveste (de beleza) todas as coisas”.

O Concílio de Éfeso, convocado em 431, reuniu os líderes cristãos para definir alguns pontos da fé, dentre eles o fato de Maria ser Mãe de Deus. Ou seja, Jesus é homem e Deus a tal ponto que Maria gerou uma pessoa só ao mesmo tempo divina e humana, sem separação ou mistura.

São Cirilo de Alexandria, lá do Egito, explicou como Maria é um meio, mas o que Ela transmite é maior do que Ela mesma. “Alegra-te, Maria, Mãe de Deus. Tesouro digno de ser venerado pelo mundo inteiro. Luz sem ocaso (...) Templo que não desmorona e que contém Aquele que nada pode conter”.

Santo André de Creta, mais tarde, no século VIII, insere Maria como “meio de campo” de uma questão bem atual aos nossos dias, as coisas do espírito e da carne. “Desde que nos deixastes para ir a Deus, nós ganhamos uma medianeira. De todos os pecadores verdadeiramente boa mediação! Ela exerce mediação entre a sublimidade de Deus e a objeção da carne e se torna Mãe do Criador”. A opção de Maria por Deus não foi uma rejeição à carne, ao mundo ou ao corpo como se fossem coisa ruim. Mas de reconhecer o primado do espírito e a sublimidade de Deus, como se expressa Santo André, e permitir que toda a realidade humana seja redimida pelo Criador.

Para quem pensa ser complicado ser feliz, talvez a felicidade esteja apenas em dar a prioridade a Deus para que Ele redima, reorganize, dê nova luz para nossas relações com o mundo, com o corpo e o ser humano.

Consagramo-nos a Maria na certeza de que Ela não é uma concorrente de Deus, nem uma semideusa e muito menos um acessório opcional de fé. Nossa entrega a Ela tem por objetivo, com sua mediação, vivermos como Ela: cheios e transbordantes da graça de Deus.


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