Por Rosangela Snege Em Sem tabus

Somos feitos de história

Todos nós temos em comum que nossa história não começa com o nosso nascimento. Começa lá atrás, com a história dos nossos pais, avós, bisavós. Com nossos antepassados.




Costumo pensar que somos fios de um grande tecido, finamente trabalhado ao longo dos anos. Nascemos na trama de uma grande família.

Algumas pessoas ainda estão tecendo esse tecido com seus avós e bisavós. Outros nem tiveram a oportunidade de conhecê-los. Há também aqueles que desconhecem suas origens biológicas e se agregam a uma nova família.

Sempre gostei de ouvir histórias, sem perceber o porquê. Era a forma de construir uma identidade familiar. Suas origens, seus costumes, seus valores, sua cultura.

De onde vieram?

Como se conheceram?

O que faziam em sua terra de origem?

Tiveram dificuldades? Quais foram? Como superaram?

Ficava atenta e curiosa ao ouvir tantos relatos.

Como era meu pai quando criança? Como era a minha mãe jovem?

Na casa dos avós, além dos detalhes sobre a nossa história, se descobre muitas coisas. As primeiras delas são as regras diferentes da nossa casa. Existe uma permissão inexplicável. Lá se pode quase tudo.

O convívio com nossos avós constrói memórias de ternura, carinho e compreensão. Na casa deles vivemos a experiência do coletivo. Saímos do egoísmo para viver o nós. Lá encontramos os tios, primos e amigos e construímos os vínculos de grandes e eternas amizades.

A memória se tece no hoje. Todo gesto de atenção e carinho é sentido como sinal de respeito e amor, e como eles desejam esse encontro!

Nossos avós trazem dentro de si suas próprias crianças. Muitas vezes sofridas, esperando para serem confortadas, ouvidas e cuidadas. Outras vezes curiosas e interessadas em saber e conhecer as novidades.

Sejamos generosos com aqueles que são a nossa base. Nunca iremos saber o último dia da nossa existência. Portanto, vamos sempre celebrar a vida, a cada encontro. Afinal, na casa dos avós sempre vai ter um bolo.

Na casa da vovó tem:

Orientação

-Tem paciência, filha! Ele é seu irmão. Irmão não pode brigar com o irmão. Perdoa ele e faz as pazes.

- Tem paciência, filha! Ela é sua mãe. Ajuda ela. Não responde.

- Cuidado! Juízo! Não dá atenção a desconhecido.

Ensinamentos

- Vó como se faz feijão?

- Venha aqui! Eu te ensino. Faz assim.

Segredos e cumplicidade

- Come tudo e não precisa contar para sua mãe que comeu aqui. 

Lá tem oração

- Olha lá! É meio dia! É a hora da Ave-Maria! Vamos rezar. 

- São seis da tarde! Hora da Ave-Maria!

- De novo, vô?

- Sim, de novo. Vamos pedir para Nossa Senhora nos ajudar.

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