Por Núria Coelho Em Brasil Atualizada em 28 ABR 2020 - 13H46

André Mendonça assume Justiça e Alexandre Ramagem fica na direção-geral da PF

Nomeação do novo ministro, que ocupa lugar do ex-ministro Sergio Moro, saiu nesta terça (28) no 'Diário Oficial'

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André Mendonça, novo Ministro da Justiça e Segurança Pública


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escolheu o advogado André Luiz de Almeida Mendonça como novo ministro do Ministério da Justiça e Segurança Pública e Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. As duas nomeações foram publicadas no Diário Oficial da União desta terça-feira (28).

Mendonça comandava a AGU (Advocacia Geral da União) antes da nomeação para a Justiça e ganhou destaque no noticiário em meados do ano passado, depois que Bolsonaro cogitou a indicação de seu nome ao STF (Supremo Tribunal Federal). O presidente disse que ele se encaixava na definição "terrivelmente evangélico".

O novo ministro da Justiça, André Mendonça, escreveu em sua conta no Twitter nesta terça-feira (28) que fará um "trabalho técnico" à frente da pasta. Ele também agradeceu o presidente Jair Bolsonaro pela nomeação.

"Agradeço ao pr @jairbolsonaro por confiar a mim a missão de conduzir as políticas públicas de Justiça e Segurança do nosso país. Meu compromisso é continuar desenvolvendo o trabalho técnico que tem pautado minha vida", disse o novo ministro.

A vaga no Ministério da Justiça ficou aberta com a saída do ex-ministro Sergio Moro. Moro decidiu deixar o governo depois de Bolsonaro exonerar o então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. O ex-ministro alegou que o presidente tenta interferir politicamente na PF – o que Bolsonaro nega.

Perfil

Mendonça tem pós-graduação em direito pela Universidade de Brasília (UnB) e é pastor na Igreja Presbiteriana Esperança, em Brasília.

Ele é doutor em estado de direito e governança global e mestre em estratégias anticorrupção e políticas de integridade pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Mendonça também já ganhou o Prêmio Innovare, que premia boas práticas do poder Judiciário.

O novo ministro, que como titular da AGU participou das sessões do STF e manifestou as posições da União em processos na Corte, tem interlocução com ministros do tribunal. Ele tinha sido escolhido para o cargo na AGU ainda na transição para o governo de Bolsonaro, logo após a eleição, em novembro de 2018.

Novo comandante da PF é amigo de Carlos Bolsonaro

Novo diretor-geral da Polícia Federal, Alexandre Ramagem, era diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Ele é amigo de Carlos Bolsonaro, filho do presidente investigado pela PF por esquemas criminosos de espalhar fake news. Irritado com os questionamentos sobre a proximidade de Ramagem com seu filho, Bolsonaro chegou a responder uma seguidora nas redes sociais que o questionou sobre o tema: "E daí? Antes de conhecer meus filhos eu conheci o Ramagem. Por isso, deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?". Leia MaisPapa pede respeito por medidas para a saída do confinamento Governo autoriza contratação temporária de aposentados e militaresDuas orações a se rezar com o Terço diário

Os senadores Randolfe Rodrigues e Fabiano Contarato, da Rede Sustentabilidade, tentaram suspender a exoneração de Valeixo do comando na PF, mas o juiz federal Ed Lyra Leal, da 22ª Vara Federal do Distrito Federal, negou o pedido de liminar.

Os parlamentares também pediam à Justiça que barrasse novas nomeações na PF que pudessem vir a ser feitas por Bolsonaro após a saída de Valeixo. A justificativa seria a revelação de Moro sobre a tentativa do presidente em intervir na autonomia da corporação, que investiga casos que preocupam o Planalto.

STF abre inquérito contra Bolsonaro para apurar denúncias de Moro

O ministro Celso de Mello, do STF autorizou nesta segunda-feira (27) a abertura de um inquérito contra o presidente Bolsonaro. O pedido foi feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República) após declarações dadas por Moro. Além de dizer que Bolsonaro queria intervir politicamente na PF, Moro afirmou não autorizou o uso de sua assinatura eletrônica que apareceu no decreto de exoneração de Valeixo. O presidente negou as acusações.

Fonte: G1/Globo

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