Por Núria Coelho Em Brasil

IBGE mostra aumento de jovens nem-nem no país

Falta trabalho e evasão escolar é alta

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As pessoas conhecidas como nem-nem são 23% de todos os jovens com idades entre 15 e 29 anos no país


A quantidade de jovens que não estudam e nem trabalham aumentou no Brasil, no ano passado. E não é por falta de interesse, mas porque não há oportunidade de trabalho e porque a alta evasão no ensino médio impede muitos deles de continuarem os estudos.

As conclusões são do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que divulga, nesta quarta-feira (6), a síntese de indicadores sociais. As pessoas conhecidas como nem-nem são 23% de todos os jovens com idades entre 15 e 29 anos no país e chegam a 27,9%, no recorte entre 18 e 24.

Mais de 1 milhão desses jovens se declararam desalentados, quando a pessoa desiste de encontrar um trabalho diante da dificuldade. Mas a pesquisadora do IBGE Luanda Botelho explica que nem tudo se explica pela conjuntura econômica.

A interrupção dos estudos está bastante relacionada com esse cenário. Entre os jovens nem-nem, 46% não tinham concluído o ensino fundamental e 27% terminaram esta etapa mas não conseguiram concluir o ensino médio.

E essa realidade tende a se repetir no futuro, já que 11,8% dos adolescentes com idades entre 15 e 17 anos estavam fora da escola no ano passado. Além disso, a taxa que mede se o aluno está frequentando determinado nível, na idade adequada, cai de 97,4% nos anos iniciais do ensino fundamental, para menos de 70%, no ensino médio.

Para os adolescentes pertencentes aos 20% da população mais pobre, a taxa de atraso escolar é quatro vezes maior do que entre os 20% mais ricos. A adequação também é mais de 10 pontos percentuais menor entre negros, na comparação com os brancos.

A analista do IBGE Betina Fresneda afirma que tudo isso é resultado de problemas estruturais, mas que o gargalo do ensino médio precisa ser visto com prioridade.

Em 2018, quase 64% dos jovens, entre 18 e 24 anos, não frequentavam o ensino superior. O IBGE também aponta que outra questão estrutural está relacionada com a alta prevalência de nem-nem no Brasil: a divisão igualitária do trabalho doméstico. 28,4% das mulheres jovens não trabalham, nem estudam, contra 17,6% dos homens na mesma faixa etária.

Mais de 67% delas estavam foram da força de trabalho, ou seja, não tomaram nenhuma providência para obter uma ocupação e a razão alegada para quase 36% dessas pessoas era a necessidade de cuidar da casa e da família.

Da Rádioagência Nacional

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