
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi ao Congresso para falar sobre o contingenciamento de recursos na área da educação.
Durante 30 minutos o ministro explicou aos parlamentares o bloqueio de verbas de universidades públicas e institutos federais.
Weintraub apresentou dados sobre a educação para mostrar que o ensino no Brasil está longe de atingir metas e reforçou mais uma vez que não tem corte na educação e sim contingenciamento.
Ele insistiu que, quando o cenário econômico brasileiro melhorar, os recursos serão liberados. E disse que o governo atual não é responsável pelo contingenciamento e sim os governos anteriores.
Weintraub insistiu que o bloqueio atinge 3,4% do orçamento das universidades federais.
Um dos momentos de tensão foi quando o ministro lembrou o tempo em que era bancário e pagava imposto sindical. Ele chegou a citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que, na época em que trabalhava no Banco Santander, o ex-presidente chegou a ligar no banco para pedir a demissão de uma colega.
Deputados como Otto Alencar Filho, do PSD, e Professora Dorinha, do Democratas, pediram para que o ministro reveja medidas do contingenciamento.
Já o líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon, do PSB, disse que a medida é uma tentativa de perseguir as universidades.
Os deputados da base defenderam o ministro. O líder do governo, deputado Major Vitor Hugo, do PSL, citou uma pesquisa da CNI na qual os brasileiros aprovam as políticas de educação.
A vinda do ministro do Congresso coincide com as manifestações que estão correndo nesta quarta-feira, em várias cidades, em protesto contra o contingenciamento no orçamento da educação.
Weintraub afirmou que estuda uma proposta para pagamento de um salário-mínimo a universitários que estudam para ser professores do ensino básico. Seria necessário, segundo ele, ter obtido nota elevada no Exame Nacional do Ensino Médio, Enem.
O ministro não deu detalhes da proposta, mas sugeriu que teria de passar pelo crivo do Legislativo, ao afirmar que "os parlamentares vão definir" qual seria a nota do Enem exigida. Segundo o ministro, seria uma forma de atrair jovens habilidosos para serem professores de "criança pequena".
O ministro também sugeriu que o dinheiro recuperado de corrupção na Petrobras poderá ser usado, no futuro, para as universidades.
Segundo ele, as autoridades brasileiras "estão concordando" em destinar os recursos para a educação e saúde.
Weintraub voltou a dizer que as universidades precisam prestar contas sobre os recursos recebidos. Ele assegurou que pesquisas prioritárias serão preservadas dos bloqueios, mas ressaltou que outros estudos dariam "vergonha" se fossem mostrados aos deputados, sem citar exemplos.
O ministro ainda eximiu o atual governo de responsabilidade pelos contingenciamentos, afirmando que eles ocorrem devido ao orçamento de 2019, feito pela gestão de Michel Temer, que o enviou ao Congresso no ano anterior para aprovação. (RádioAgênciaNacional/OGlobo)
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