Por Angelica Lima Em Notícias Atualizada em 27 JAN 2020 - 14H43

Hanseníase: quais as consequências do diagnóstico tardio?

Janeiro roxo marca a campanha mundial de combate a hanseníase


O Brasil é o segundo país com mais casos de hanseníase no mundo, atrás apenas da Índia. Segundo dados do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2018 foram detectados 28.660 novos casos no território brasileiro, dentre estes, 1.705 casos em menores de 15 anos de idade. Isso representa mais de 93% das ocorrências registradas em países das Américas. A doença tem registro de casos novos em todos os estados, com maior concentração nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Contágio

Esse aumento do número de casos ocorre muitas vezes com o contágio pelo convívio com doentes ainda sem tratamento. Entretanto, vale lembrar que 90% dos indivíduos são naturalmente imunes a bactéria, ou seja, não adoecem após contato com ela.

“Estima-se que um paciente não tratado num raio de 100 metros vai infectar no ano seguinte pelo menos mais uma pessoa”, explica a dermatologista Laila de Laguiche, fundadora do Instituto Aliança Contra Hanseníase no Brasil.

Consequências do diagnóstico tardio

O paciente brasileiro começa a se tratar, em média, um ano e meio a dois anos depois de surgirem os primeiros sintomas, que por sua vez podem demorar até 10 anos para aparecerem. “Sintomas como câimbras, formigamento, mesmo sem manchas, já podem ser uma forma inicial de hanseníase”, explica Laguiche.

Um diagnóstico tardio e a falta de tratamento adequado podem trazer consequências, como:

- Avanço da história natural da doença.

- Lesões incapacitantes.

- Desfiguração e amputação de membros, com a necessidade de cirurgias e próteses.

- Contágio às pessoas com as quais tem convivência, inclusive crianças e idosos.

- Estigma social com grande sofrimento psicológico.

Isso já é uma realidade cada vez mais comum. Por exemplo, dos novos casos diagnosticados, mais de 7 mil já estão no grau 2 da doença, onde já apresentam algum tipo de incapacidade. Por isso, é importante fazer um diagnóstico completo e assertivo para que o paciente tenha disponível quanto antes o tratamento da doença.

Estratégia global

A Organização Mundial da Saúde desenvolveu uma estratégia global para erradicar a hanseníase. Como uma das consequências da doença é o surgimento de lesões incapacitantes, uma das metas da OMS é obter a ausência do desenvolvimento de incapacidade entre novos pacientes pediátricos (com até 15 anos) até 2020.

Para alcançar esta meta, o Ministério da Saúde tem investido na capacitação dos profissionais da saúde para realizar o diagnóstico clínico precoce da doença, iniciando mais rapidamente seu tratamento e impedindo que ela progrida para estágios mais avançados. “Além disso, também é realizada uma busca ativa no monitoramento de familiares do paciente”, explica Dra. Laila. Este acompanhamento dos familiares é realizado anualmente.

Tratamento da hanseníase

A boa notícia é que a hanseníase tem cura. Em suma, o tratamento dura 12 meses, é realizado com 3 tipos de antibióticos e fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.

Apesar de apresentar melhoras no quadro de hanseníase, alguns pacientes podem sentir alguns desconfortos durante o tratamento. “É necessário fazer um acompanhamento mensal, pois algumas pessoas podem apresentar efeitos colaterais, incluindo anemia”, explica Dra Laila.

Por estes e outros motivos, muitas pessoas abandonam o tratamento – o que traz riscos a longo prazo, como o aumento da resistência bacteriana, dificultando a eliminação da bactéria e fazendo com que em muitos casos seja necessário o uso de medicamentos de segunda linha, não são oferecidos pela rede pública de saúde.

Janeiro Branco


A Sociedade Brasileira de Hanseníase (SBH) está enviando para todo o Brasil uma carta alertando e convidando empresas, organizações, associações, sindicatos, educadores, escolas em geral, autoridades, veículos de comunicação e outros públicos a aderirem à campanha Janeiro Roxo – mês de conscientização sobre a hanseníase. Em 2016, o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro e consolidou a cor roxa para campanhas educativas sobre a doença.

A SBH pede esforço nacional dos formadores de opinião para que divulguem a campanha e informações sobre a hanseníase, além de adotarem o laço roxo como sinal de alerta contra a doença.

Como participar da campanha?

A SBH disponibiliza seu Departamento de Marketing para auxiliar na viabilização de ações educativas para a campanha Janeiro Roxo 2018. Quem quiser participar só contatar a Texto & Cia Comunicação: (16) 3234.1110 ou 3916.2840.

Exemplos de ações:

-adotar o laço roxo em seus canais de comunicação (site, rede social, jornal mural, boletim)

-compartilhar o post da campanha (é possível personalizar com a logomarca da empresa)

-compartilhar o banner de Facebook (é possível personalizar com a logomarca da empresa)

-enviar um boletim virtual para os seus colabores e contatos de e-mail alertando sobre a hanseníase (é possível personalizar com a logomarca da empresa)

-iluminar a fachada da empresa

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