Uma história de “comunhão, participação e missão, que se faz expressão de corresponsabilidade, que confirmou e alargou o horizonte eclesial da colegialidade episcopal”, segundo um trecho do roteiro lido pela jornalista Camila Morais e pelo irmão Alan Patrick Zuccherato, mestres de cerimônia da celebração de 70 anos da CNBB.
A celebração realizou-se no Santuário Nacional e contou com homenagens e agradecimentos a todos os que fizeram parte da história da CNBB, com a exibição de vídeos e depoimentos de bispos e outros personagens. Uma orquestra, um grupo de bailarinos e cantores como a Ziza Fernandes, Eliana Ribeiro, padre Antônio Maria e grupo Ir ao povo, foram convidados para animar o momento.
Em vista de uma comunhão eclesial desejada, inclusive, antes do Concílio Vaticano II, nasce uma das maiores Conferências do mundo, que vai inspirar, posteriormente, outras Conferências. No início da década de 50 foi criada a CNBB. Num clima de convivência, nasce esta história que hoje conta com 465 bispos, dentre os quais 308 são titulares e auxiliares, 157 eméritos servindo às 278 Igrejas Particulares do nosso país.
E sobre este tema, o arcebispo emérito de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB de 2007 a 2011, e o arcebispo de Porto Alegre (RS) e primeiro vice-presidente da CNBB, dom Jaime Spengler falaram sobre o desafio inicial de se criar uma Conferência Nacional para promover a comunhão entre os pastores da Igreja num país de dimensões continentais como o Brasil.
“A palavra chave já foi pronunciada: comunhão. A CNBB nasceu para que se expressasse a comunhão num momento em que o país começava a passar por problemas”, afirmou dom Geraldo Lyrio.
Dom Geraldo salientou que se deve a dom Hélder Câmara a criação da CNBB, em 1952, que teve importante papel de enfrentamento à ditadura militar brasileira. Graças a esse trabalho, foi elevado ao título de bispo da igreja católica, em 1952, tornando-se o secretário geral da organização. Em 1964, ele se tornaria arcebispo de Recife e Olinda.
Dom Geraldo recordou que a sede da Conferência se situava, a princípio, no Palácio São Joaquim, no Rio de Janeiro. “A CNBB já nasce trazendo as marcas e as conservas ao longo desses 70 anos”. Já dom Jaime Spengler enfatizou as motivações que levaram a mudar a sede da Conferência para a capital federal. Segundo ele, a transferência para Brasília (DF) “favorecia a comunhão geográfica das diversas dioceses com a Conferência”.
Sônia Milhomen, responsável pelos arquivos da presidência da entidade, foi reconhecida e agraciada pelos valiosos serviços prestados à CNBB e à Igreja no Brasil. Crédito Thiago Lenon
O momento também trouxe a oportunidade de lembrança e agradecimento a todos os homens e mulheres que dedicaram suas vidas à serviço da CNBB. E representando todos esses homens e mulheres, a Sônia Milhomen, responsável pelos arquivos da presidência da entidade, foi reconhecida e agraciada pelos 36 anos de valiosos serviços prestados à CNBB e à Igreja no Brasil.
Ela recebeu flores, uma plaquinha comemorativa e a imagem de Nossa Senhora Aparecida das mãos do presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo e do cardeal Leonardo Setiner, arcebispo de Manaus e ex-secretário-geral da CNBB.
“Assessores e colaboradores são um coração que bate na Conferência”, disse dom Walmor se referindo à Sônia.
E para falar um pouco mais sobre a história da Conferência, o bispo auxiliar do Rio de Janeiro e atual secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, salientou que o primeiro ponto principal da CNBB é estimular a vivência da fé a partir das comunidades eclesiais missionárias.
O bispo recordou que a instituição passou por momentos importantes de animação, desde a década de 70, tocando em importantes pontos como justiça e paz. Ele recordou os pronunciamentos da CNBB em diversos momentos e, em especial, sobre a fome, temática de duas Campanhas da Fraternidade. “A CNBB é Igreja, luz, sal, fermento e compromisso”, disse dom Joel.
A Conferência é uma instância de comunhão, congregando os Bispos da Igreja Católica no Brasil, para que, a exemplo dos Apóstolos, possam exercer funções pastorais em favor do povo de Deus. Juntos, eles procuram dinamizar a própria missão evangelizadora, para melhor promover a vida eclesial, respondendo aos desafios contemporâneos e realizando evangelicamente seu serviço de amor, na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária, a caminho do Reino definitivo.
Para se ter um vislumbre sobre o presente e o futuro da missão da Conferência, o arcebispo de Cuiabá (MT) e vice-presidente da CNBB, dom Antônio Mário da Silva, afirmou que clamores não são poucos.
“Olhar para a nossa realidade é olhar para as pessoas. E nós podemos dizer que a CNBB tem escutado as pessoas para identificar os clamores. Clamores por justiça, por paz, por evangelização, por saúde, por educação, por pão”.
Dom Mário evidenciou que a CNBB não ignora a situação do desemprego, do luto, da violência contra a pessoa, contra os indígenas, o povo negro, idosos, com a criação.
“A fome dói, machuca, mata. E diante de tantos clamores reais a presença missionária da nossa Conferência indica um caminho de esperança. A resposta dos clamores está nos 4 pilares: palavra, pão, caridade e ação missionária”, disse.
E o presidente da CNBB, dom Walmor de Oliveira Azevedo, disse que um dos sentimentos ao revisitar a história da CNBB é o de gratidão:
“O ouro da CNBB é a comunhão. Na força da comunhão o nosso compromisso é o de abrir o coração de homens e mulheres ao amor de Deus. Que Deus nos ajude e que a Mãe Aparecida nos inspire nesse caminho”.
Fonte: Vatican News
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