Conflitos no campo
Por Paulo Teixeira Em Atualidade

Conflitos no Campo Brasil

Relatório retrata a violência rural no Brasil

Por Padre Jaime Patias, Missionário da Consolata

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Regional Roraima, com a participação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), lançou em agosto, o Relatório anual Conflitos no Campo Brasil 2018. Em sua 33ª edição, o Documento reúne dados sobre os conflitos e violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras do campo, incluindo indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais. O Caderno que já foi lançado em nível nacional, agora vem sendo apresentado nos diversos regionais. Em Boa Vista, o evento ocorreu no Auditório Alexandre Borges da Universidade Federal de Roraima (UFRR), com participação de 150 pessoas e representantes da CPT, do Cimi, lideranças indígenas, agricultores, Diocese de Roraima e diversas entidades. 


Dom Mário Antônio da Silva, Bispo de Roraima e 2º vice-presidente da CNBB


“A CPT não quer divulgar estatísticas, mas denunciar a violência institucionalizada e naturalizada”, destacou Darlene Braga, coordenadora da entidade no Estado do Acre e articuladora do trabalho na Amazônia, ao apresentar os números registrados no Caderno.

O Relatório Conflitos no Campo Brasil 2018 registrou 1.489 conflitos em 2018 ante os 1.431 de 2017, o que representa um aumento de 3,9%. A maioria destes conflitos estão concentrados na Região Amazônica. Eles somam um total de cerca de 1 milhão de pessoas envolvidas, um aumento de 36% em relação a 2017 que registrou o envolvimento de 708.520 pessoas. Em relação a conflitos no campo, 86% dos assassinatos registrados em 2018, aconteceram na Amazônia. Com uma extensão de 8.516.000 km², o Brasil tem 4,6% do seu território em disputa. É muita terra em conflito.

O Bispo de Roraima e 2º vice-presidente da CNBB, Dom Mário Antônio da Silva, participou do evento e reafirmou o compromisso da Igreja na defesa da vida. “O que me traz aqui não é a violência, mas o trabalho da CPT. Em meio a tantas mortes e ameaças à vida, este é um ato de coragem. Não podemos ficar em silêncio”, afirmou o bispo. “Este ato é um questionamento para nós, mas, sobretudo para o Estado, pela morosidade, omissão e impunidade diante de tantos fatos e denúncias. É um ato de coragem que questiona o Estado em sua vontade política no cumprimento da justiça e na resolução dos problemas no campo”, disse Dom Mário. “Este ato deve revelar também um compromisso da Igreja com as populações, sobretudo com as comunidades tradicionais, o compromisso de defender os mais ameaçados. Sirva para nos motivar, o Sínodo Especial para a Amazônia que nos desafia a encontrar novos caminhos para a Igreja e uma ecologia integral. Cuidar da vida como um todo, para evitar todo e qualquer homicídio, genocídio e ecocídio. O Papa Francisco tem razão, Laudato Sì para cuidar de toda a criação”.

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O Relatório mostra que 2018, com 276 casos registrados, é o ano com o maior número de conflitos por água desde que a CPT começou o registro em separado dos conflitos por terra no ano de 2002. 73.693 pessoas estão envolvidas nesses 276 conflitos por água; 85% delas são comunidades tradicionais. O número de conflitos é 40% maior do que em 2017 e o de famílias envolvidas, 108% maior.

Chamam a atenção também, outros dados: 2.307 famílias foram expulsas de suas propriedades. Esse número é 59% maior que o de 2017. Para a CPT, expulsão é o ato de retirar da terra seus ocupantes, sem ordem judicial. Nesses casos, os responsáveis pela expulsão (despejo) são, geralmente, fazendeiros, empresários, o suposto dono que, por conta própria, obriga as famílias a sair, através da pressão de jagunços e, muitas vezes, com a participação ilegal da própria polícia. Em grande parte, a expulsão se dá em terras griladas e com torturas físicas e psicológicas.

Os dados podem ser acessados no site da CPT Nacional: www.cptnacional.org.br


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