Por Paulo Teixeira Em Catequese Bíblica

Conversão




Conversão

Foi num dia do ano de 36 d.c. que se dirigia Saulo para Damasco “respirando ameaças de extermínio contra os discípulos do Senhor” (At 9,1) para devastar aquela jovem e florescente comunidade cristã.  Bastaram poucos segundos, ou talvez houve um grande e longo processo de reflexão, para que nascesse nele o “homem novo” e fosse sepultado para sempre o “velho homem” (Ef 4,22; Gl 6,15).

Paulo, mais tarde, comparará o efeito transfigurante da graça como uma nova criação (2 Cor 5,17), somente a graça de Deus é capaz de criar uma pessoa totalmente nova, transformando em apóstolo um perseguidor. Esta visão marca toda a teologia paulina salientando a gratuidade e a iniciativa de Deus.

O fato da conversão de Paulo é também o seu chamado ao apostolado, um como consequência do outro.  Aquele que viu a luz quer que os outros cheguem à luz. Como os homens do Antigo Testamento que experimentaram Deus e desenvolveram uma missão, também para Paulo a visão de Damasco só tem sentido completo através da missão de anunciar.  Da conversão de Paulo vem todos os seus direitos e deveres, como ele mesmo recorda em 1 Cor 9,1 “não sou apóstolo? Não vi Jesus, o Nosso Senhor?” .

O caminho

A conversão de Paulo é narrada no capítulo nono do livro dos Atos dos Apóstolos. No início do capítulo percebemos que os seguidores de Jesus estavam se multiplicando e já tinham chegado a Damasco, e estando já fora da jurisdição dos sumos sacerdotes do templo de Jerusalém. Saulo, que muda também de nome depois de seu encontro no Caminho de damasco, leva consigo cartas de recomendação às sinagogas para que denunciem os seguidores da “seita do nazareno” para serem levados a Jerusalém e ali serem punidos.

O objetivo de Saulo era pegar os “seguidores do Caminho” (At 9, 3) e ao invés de se encontrar com homens e mulheres ele se encontra com “O Caminho” (Jo 14,6). Não encontrou nenhuma figura, mas uma luz que o ofuscou ao invés de clarear. A voz que ele ouve traz uma pergunta, e ele responde com outra pergunta, ao passo que a resposta é clara “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At 9, 5). A resposta é precedida pela solene declaração “eu sou” repetida poucas vezes na Bíblia, referindo-se só a Deus. Esta simples declaração esclarece tudo.

A revelação é completa e incompleta ao mesmo tempo. É completa por parte de Saulo que conhece na voz a pessoa de Jesus e sabe a quem persegue, neste momento seus projetos caem por terra e outros devem ser os rumos de sua vida. E a revelação permanece ainda por completar quando indica que na cidade ainda lhe será dito o que fazer. Existe uma missão que decorre do encontro e perdurará por muitas ocasiões.

Mudança contínua e missão

A conversão de Paulo mostra um encontro que muda completamente e continuará mudando a vida e a existência daquele que de perseguidor se torna apóstolo.  E na vida das pessoas Deus também se revela, não com luzes, vozes ou fenômenos estranhos, mas com instantes que tem a capacidade de mexer com o coração da vida das pessoas, uma mudança que se perpetua, que coloca a pessoa em situação de contínua mudança e de missão. “Nos diferentes momentos da luta cotidiana, muitos recorrem a algum pequeno sinal do amor de Deus: um crucifixo, um rosário, uma vela que se acende para acompanhar um filho em sua enfermidade, um Pai Nosso recitado entre lágrimas, um olhar entranhável a uma imagem querida de Maria, um sorriso dirigido ao Céu em meio a uma alegria singela” (DA 261), estes são espaços para a manifestação de Deus e para a mudança em nossas vidas. Mesmo quem se acha estar no caminho, através da sua ligação com as comunidades cristãs, não pode deixar de buscar o encontro com “o Caminho” que é Jesus, deixar que Ele nos transfigure e seja o nosso ponto de encontro e de partida para a missão.

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