Por Paulo Teixeira Em Cultura cristã

Nossa Senhora das Dores

Nossa Senhora das Dores

Por Claudia Varotti, Professora, Historiadora da Arte, Mestre em Ciências da Religião, pesquisadora sobre Arte Sacra

Quando falamos de Maria, algumas palavras naturalmente nos auxilia a compor a imagem de uma mulher especial. Maria Imaculada, Maria Santíssima, Maria do Bom Conselho, todos esses adjetivos são verdadeiros e auxiliares em nossa forma de entendermos a Mãe de Jesus, entretanto, algumas palavras ou expressões são constantes nos textos sobre Maria, são essas: a mulher do Sim e a mulher do Silêncio.




Pensemos por uns instantes na mudança ocorrida no mundo após o sim de Maria. Essa jovem mulher aceita a missão enviada por Deus, sem saber como isso pode acontecer e como ela deve proceder nesse processo, entretanto, graças ao seu sim, recebemos o direito de dizer: “Somos Filhos do Deus Pai”, “Somos herdeiros de um Reino de Amor” e podemos chamar a Deus de Papai (cf. 2Jo 1,3).

Maria, a mulher do silêncio, é também uma afirmação constante. Quando lemos os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos, não percebemos Maria com grandes discursos, buscando ter todos os olhares voltados para si, o que percebemos e eu realmente acredito é que Maria era uma mulher de ação, em todos os momentos colocou-se a disposição de servir.

Aqui quero tratar de uma devoção especial, Nossa Senhora das Dores. Essa representação é muito especial para mim, serve como lembrete, uma pessoa tão especial, única, tão única que, foi escolhida como Mãe de Deus não foi poupada do sofrimento. Tal fato me faz pensar como é descabido o hábito de nos revoltarmos com nossas dificuldades cotidianas, mas isso é tema para outra conversa.

Existe no Brasil uma escultura composta pelo famoso artista mineiro Aleijadinho. Essa imagem nos mostra uma mulher com as mãos postas em oração e o peito perfurado por sete espadas, o tema é referente ao momento da apresentação de Jesus no templo e a profeciado velho Simeão (Lc2,34-35). O tema é fácil de ser identificado o difícil é deixar de se compadecer, com o olhar de sofrimento dessa Mãe que vai estar aos pés das Cruz, vendo seu único Filho ser morto.

Quanto sofrimento, desespero e horror essa situação deve ter causado a Maria, Seu Filho que muito amou o mundo foi condenado por Seu amor por nós.

A imagem composta por Aleijadinho é grande, está exposta no Museu de Arte Sacra de São Paulo. Toda a peça é entalhada em madeira e as vestes de Maria recebem especial atenção com seus ângulos retos e pontiagudos, como as laminas que lhe perfuram o corpo, o olhar penitente, o rosto em sofrimento, as espadas cravadas em seu peito e, as mãos postas como a nos pedir não condenem Meu Filho, é uma forte imagem do sofrimento vivido por Maria.

O sofrimento intenso de Maria também nos é apresentado na famosa obra Pietà, famosa escultura em mármore datada de 1499, executada por Michelangelo, e atualmente exposta no Vaticano. Tal representação está entre as mais belas obras de arte já realizada, o perfeito domínio da técnica por parte do artista. Michelangelo é indiscutível, mas esse escultor, como católico devoto que era, fez uma escultura para nos apresentar os horrores que o ser humano é capaz de fazer com outro ser humano, Maria segura em seus braços seu Filho morto e morte de cruz (Fl 2, 8)

Essa composição em mármore branco, uma pedra imaculada, deixa-nos ver as marcas do sofrimento imposto a Jesus, vemos os sinais da crucifixão nas mãos e pés de Nosso Senhor Jesus Cristo, o rosto da Mãe nos mostra Maria com os olhos baixos em direção ao corpo sem vida, a mão direita de Maria toca o corpo imóvel e segura com firmeza o Filho, já sem vida e, com a esquerda suspensa no ar, voltada para o espectador, como a nos questionar, o que fizeram com meu Menino?

A obra executada por Michelangelo tornou-se um estilo, assim temos várias Pietàs, executadas por diferentes artistas em diferentes países, entre eles está a Eslováquia, onde vivo atualmente. Nossa Senhora das Dores é a patrona do país e existe um motivo para isso, aqui está uma representação de Nossa Senhora que é milagrosa.

As diferenças entre a Pietá de Michelangelo e a eslovaca está principalmente na adição das coroas, a imagem de Maria coroada nos faz memória ao fato de que Ela é a Rainha do Céu e da Terra, como nos lembra a Tradição da Igreja e Nosso Senhor Jesus Cristo é Rei, mas não desse mundo (2Tm 1,1), o esplendor do ouro e manto dourado servem para nos lembrar da origem divina de Nosso Senhor Jesus Cristo e que, veio ao nosso mundo pelo sim de Maria.

O local onde a escultura está instalada tornou-se um espaço de peregrinação mariana, onde devotos de todo o mundo vem pedir para Nossa Mãe Maria que, assim como ela esteve com o Filho até os últimos momentos e continuou a viver por esse amor imenso que é a relação entre mãe e filho, Ela continue a olhar por nós, nos dê força em nossos sofrimentos, força para continuarmos em pé quando catástrofes acontecem a nossa volta, assim como Ela esteve aos pés da cruz onde seu Filho sofria por nossos pecados (Jo 19, 25).


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