Por Paulo Teixeira Em Cultura Cristã

Saudade é sinônimo de momentos maravilhosos já vividos

Claudia Varotti dá um depoimento emocionante motivada pela saudade





Por Claudia Varotti, professora, historiadora da arte, mestre em ciências da religião e pesquisa sobre arte sacra

No dia 30 de janeiro, foi comemorado o Dia da Saudade. Sendo muito honesta com vocês, meus amigos leitores, eu não sou uma pessoa saudosista. Não tenho esse olhar romântico sobre a vida, mundo e pessoas, que “antigamente” o mundo era melhor, a vida era melhor ou as pessoas eram melhores. Algo que aprendi com o decorrer da minha vida profissional e pessoal é que o ser humano é fruto do seu tempo e espaço, assim, na grande maioria das vezes, somos o melhor que podemos ser em um período histórico.


Talvez, pensando bem, provavelmente, o fato de eu não ser uma pessoa saudosista está no fato que minha infância e juventude foram marcadas por sofrimento e maus-tratos constantes, em decorrência disso não sou como a grande maioria das pessoas que sente uma saudade imensa da infância, quando viviam despreocupadas, amparadas e protegidas. Até hoje é minha referência, como pessoa, esposa, mãe e católica, minha catequista, Dona Helena. Ela me ensinou a rezar, a confiar no amor de Deus e agradecer sempre, mesmo na dificuldade, pois inclusive nesses momentos devemos no direcionar para o Senhor.

Posso afirmar com certeza que Dona Helena me tornou a pessoa que sou hoje. Eu me lembro da tristeza que senti no final da catequese, em que eu não poderia mais estar com ela. Provavelmente, agora, vocês devem estar questionando a minha saudade. Sim, sinto saudades da minha catequista, uma mulher simples e que amava a Deus e espalhava seu amor por todos. Entretanto, na verdade, o que eu realmente sinto é a vontade de encontrar essa pessoa que foi fundamental na vida de uma criança que não tinha esperança, acolhimento e amor, e dizer: “Muito obrigada por ter sido luz e me mostrado o caminho da Luz em minha vida”.

A saudade é um sentimento complexo, a ausência de uma pessoa em sua vida, um espaço geográfico que lhe remete memórias intensas, o alimento provido por alguém especial, tudo se encaixa nesse sentimento, mas por traz de todas essas referências, a saudade é sempre um sentimento de ausência de um ser humano, sentida por outro ser humano.

Os ausentes eram pessoas que fizeram da sua vida uma experiência melhor, trouxeram para sua vida um novo significado, um novo rumo. Dessa forma, essas pessoas que nos deixam com esse sentimento de saudades são pessoas muito especiais, mensageiros de Deus para tocar nossa existência.

Se você ainda estiver ao lado das pessoas que para você são especiais, agradeça por sua existência e pela oportunidade de partilhar a vida. Diga a essas pessoas que são amadas e são fundamentais em sua vida, não espere que elas partam para você pensar como esse ser humano era tão importante em seu caminho e você perdeu a oportunidade de dizer-lhes em voz alta esses sentimentos, pois, após a partida, só lhe sobrará o arrependimento, e esse não é um bom sentimento.

Saudade é um sentimento nobre que traz de volta a vida às pessoas que partiram, a memória que proporcionaram, o caminho que partilharam e o amor que espalharam. Acredito que como participantes da Igreja de Cristo, devemos nos esforçar para nos tornarmos pessoas que deixam o aroma da saudade por onde passarmos, espalhando em pequenos gestos, gentileza, amor, atenção e carinho.

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Para espalharmos esses gestos, devemos nos focar mais no outro do que em nós. E aí está o problema. Na maior parte do tempo estamos falando, agindo, olhando, fazendo, sobre nós, sobre o que queremos, o que necessitamos, o que desejamos, e não olhamos para os outros a nosso redor.

Quando observamos a vida dos santos, homens, mulheres, jovens e crianças que servem de exemplo para nossa vida cristã, o ponto focal da vida deles foi o amor de Deus para com todos, assim eles entendiam que o próximo é digno de amor fraternal, pois é filho de Deus.  Assim, os santos trabalhavam, oravam, executavam o que fosse necessário para auxiliar o próximo que estivesse ao alcance de sua mão.

Nem sempre atravessaram oceanos, desertos ou terras estrangeiras para auxiliar aqueles que necessitavam. Começavam em sua própria terra, e assim auxiliando em pequenos gestos, traziam para a vida dos necessitados uma luz, um caminho e, quando esses santos partiam, por transferência geográfica ou porque foram encontrar nosso Pai nos céus, eram lembrados com amor e reconhecidos como pessoas que tornaram o mundo, a vida ou uma situação, melhor. Esse sentimento que surge da ausência dessas pessoas especiais é a saudade: a vontade de agradecer e o reconhecimento pelo bem que fizeram a nós, como Dona Helena que mostrou para uma criança muito infeliz que a felicidade estava no amor de Deus.

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