Por Frei Aloísio de Oliveira Em O Mílite

Entregar a vida e não apegar-se a ela

Entrar pela porta, que é Cristo, quer dizer conhecê-lo e amá-lo cada vez mais, para que a nossa vontade se una à Sua e o nosso agir se torne um só com o Seu.




A figura do pastor é amplamente radicada na tradição bíblica. Bebendo dessa tradição, o profeta Ezequiel traçou a imagem do próprio Deus como Pastor do Seu povo. (cf. Ez 34,12). No Evangelho de hoje, Jo 10,1-10, é o próprio Jesus que se proclama o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas, isto é, aquele que realiza o pleno cuidado de Deus pelas pessoas.

O mistério da Cruz encontra-se no centro da missão de Jesus como pastor: este é o grande serviço que Ele presta a todos nós. Ele entrega-se a si mesmo, e não apenas num passado longínquo. Na Sagrada Eucaristia, Ele realiza isto todos os dias, doando-se a si mesmo, entregando-se a nós.

O trecho da liturgia deste domingo é apenas uma parte do longo discurso de Jesus sobre os pastores. Nesta parte inicial do discurso, Jesus afirma que Ele é “a porta das ovelhas” (Jo 10,7). Entrar pela porta, que é Cristo, quer dizer conhecê-lo e amá-lo cada vez mais, para que a nossa vontade se una à Sua e o nosso agir se torne um só com o Seu. Neste sentido, somos chamados a nos empenhar para que Cristo cresça em nós, que a nossa união com Ele se torne cada vez mais profunda.

Nas afirmações centrais de Seu discurso sobre o bom pastor, Jesus diz que o pastor dá a vida pelas suas ovelhas. Isto significa que o mistério da Cruz encontra-se no centro da missão de Jesus como pastor: este é o grande serviço que Ele presta a todos nós. Ele entrega-se a si mesmo, e não apenas num passado longínquo. Na Sagrada Eucaristia, Ele realiza isto todos os dias, doando-se a si mesmo, entregando-se a nós. Por isso, justamente, no centro da vida eclesial encontra-se a Sagrada Eucaristia, em que o sacrifício de Jesus na Cruz permanece contínua e realmente presente no meio de nós. E a partir disto aprendemos também o que significa participar realmente da Eucaristia: trata-se de um encontro com o Senhor, que por nós se despoja da Sua glória divina, se deixa humilhar até à morte de Cruz e assim se entrega a si mesmo a todos, a cada um de nós.

Por isso, a Eucaristia é tão fundamental e cabe ao cristão alimentar-se sempre de novo deste mistério, aprendendo a colocar-se sempre de novo nas mãos de Deus e, ao mesmo tempo, experimentar a alegria de saber que Ele está presente, nos acolhe, nos anima, nos sustenta. A Eucaristia deve tornar-se para nós uma escola de vida, onde aprendemos a doar a nossa própria vida. A vida não se entrega somente no momento da morte, e nem apenas na forma do martírio. Nós devemos doá-la no dia a dia. É necessário que o cristão aprenda diariamente que não possui a sua vida para si mesmo. Deve aprender dia após dia a doar-se a si mesmo; a colocar-se à disposição do Senhor para aquilo que Ele precisar no momento, mesmo que outras coisas lhe pareçam mais atrativas e mais interessantes. Entregar a vida, não apegar-se a ela. É precisamente assim que vivemos a experiência da liberdade. A liberdade de nós próprios, a vastidão do ser. É exatamente assim, no fato de sermos úteis, de sermos pessoas das quais o mundo tem necessidade, que a nossa vida se torna importante e bela. Somente aquele que entregar a própria vida há de ganhá-la para sempre, diz o Evangelho (Mt 16,25).

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