Por Frei Aloísio de Oliveira Em Lendo o Evangelho

Jugo suave

O mais importante não é o que fazemos por Deus, mas o que Deus, em Seu grande amor, faz por nós!




Ainda no oitavo dia de Seu nascimento, quando Jesus foi apresentado no Templo, o velho Simeão profetizou que Sua vida seria marcada pela contradição (Lc 2,34). Jesus experimenta a força dessa profecia ao longo de Seu ministério. Com efeito, as pessoas que ostentavam o selo da dignidade, isto é, os sacerdotes, os mestres da Lei, os fariseus devotos, em geral, rejeitaram Jesus e Seu ensinamento. Quem mais acolheu a Boa-nova de Jesus foram os párias da sociedade: os pobres, os publicanos e pecadores, enfim, os excluídos da comunidade religiosa. Face a essa contradição, Jesus reza deste modo: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”.

Os sábios e doutores, ancorados em uma ideia equivocada de Deus, criavam e impunham pesadas normas às pessoas. Mas o Evangelho de Jesus diz o contrário. O mais importante não é o que fazemos por Deus, mas o que Deus, em Seu grande amor, faz por nós! Os pobres, os pequenos, os pecadores entendiam essa mensagem e ficavam maravilhados. Os sábios pensavam que Jesus estava errado. Eles não podiam entender Seus ensinamentos. Daí, a conclusão da oração de Jesus: “Sim, Pai, assim foi do Teu agrado”. Agrada ao Pai que o acesso a Ele seja pelo caminho da humildade e da simplicidade, conhecido dos pequeninos. Se os sábios e entendidos quiserem ter acesso a Deus, deverão aprender dos pobres e excluídos: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular” (Sl 118[117],22).

Como o Filho, Jesus conhece o Pai e sabe qual é a Vontade do Pai quando entregou a Lei a Moisés no monte Sinai. E o que o Pai tem a nos dizer, Jesus revela aos pequenos, porque eles se abrem à Sua mensagem.

Observando as pessoas cansadas e abatidas sob o peso da lei, das observâncias de tantos preceitos e ritualismos religiosos que não preenchem o coração, Jesus se compadece delas: “Vinde a mim vós que estais cansados...”. Jesus manda que as pessoas se desfaçam dos fardos pesados que carregam e tomem o Seu jugo que é suave.

O jugo suave de Jesus, é Ele mesmo, o Seu Evangelho, o bom anúncio da misericórdia. Em Jesus, a misericórdia de Deus Pai ficou ao alcance de todos, pois Ele veio buscar e salvar o que estava perdido (cf. Lc 19,10). Portanto, aprender a mansidão e a humildade do coração de Jesus é praticar a misericórdia: “misericórdia é o que quero, não sacrifícios” (Mt 9,13).

As comunidades da época de Mateus estavam passando por um momento difícil e perigoso, tendo de enfrentar o desafio de deixar uma prática religiosa judaica baseada em observâncias e sacrifícios e passar a outro modo de viver a religião centrado no amor e na misericórdia, como Jesus ensinou.

Também nós nos encontramos numa difícil travessia para um novo tempo e uma nova maneira de ser cristãos. O Evangelho de hoje é um espelho do que está acontecendo em nossas comunidades. Também nós queremos que nossas comunidades sejam um abrigo que o Pai oferece às pessoas cansadas e abatidas pelos fardos que carregam. Para isso, é importante que deixemos o Pai ser o centro de nossas vidas para podermos dizer com Jesus: “Nós, filhos e filhas, conhecemos o Pai, e o Pai nos conhece!” Dessa maneira, poderemos ser, como diz o Papa Francisco, uma “Igreja em saída”, capaz de exercer a misericórdia e o cuidado entre os mais excluídos que, nas tantas periferias geográficas e existenciais, desfalecem sob pesados fardos.

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Por Frei Aloísio de Oliveira, em Lendo o Evangelho

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