A campanha Outubro Rosa visa conscientizar as mulheres sobre a importância do exame preventivo para detecção do câncer de mama. Existem também outras doenças com prevalência em mulheres e outras comuns aos homens, que merecem atenção. As mulheres vivem, em geral, cinco anos a mais que os homens.
Por Paulo Teixeira Em O Mílite Atualizada em 23 OUT 2019 - 09H09

Desafios da saúde feminina

Mais do que tratar as doenças, é necessário um cuidado com a saúde desde a infância

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“Hoje, o grande desafio da mulher é a administração do seu tempo"


A campanha Outubro Rosa visa conscientizar as mulheres sobre a importância do exame preventivo para detecção do câncer de mama. Existem também outras doenças com prevalência em mulheres e outras comuns aos homens, que merecem atenção. As mulheres vivem, em geral, cinco anos a mais que os homens.

Elas têm mais atenção com a própria saúde do que eles. Mas é um desafio para aquela que tem o dom de dar a vida, cuidar da sua saúde e não só do tratamento das doenças, mas, sobretudo, detectá-las precocemente.

As mulheres “de antigamente”, como podemos dizer, não trabalhavam fora, desempenhando com dedicação as tarefas de casa e o cuidado com os filhos. As mulheres de hoje, ainda ligadas a esta dimensão de cuidado, a ampliaram para outros campos da sociedade. Esta é uma oportunidade e um risco, como afirma a ginecologista Lilian Formigoni Zequi, de São Bernardo do Campo - SP: “Hoje, o grande desafio da mulher é a administração do seu tempo. A falta de tempo se deve às múltiplas funções exercidas por ela como mãe, profissional, esposa e administradora da casa. Isso acaba acarretando estresse, sedentarismo, má alimentação e consequente obesidade e esta, por sua vez, levando a diversas outras doenças”.

Para o psicólogo clínico Eduardo Galindo, de São Paulo - SP, “embora a sociedade tenha se desenvolvido no campo tecnológico, ainda existe um abismo nas relações de funções entre homens e mulheres”. A mulher assume funções que antes eram dos homens, como as de dirigir ônibus e atuar na construção civil. Maior que esse abismo é o esforço delas por uma sociedade com oportunidades iguais.

Segundo a fisioterapeuta Ana Paula Cochar, de São Paulo - SP, “esta é uma luta complexa porque elas também querem ser mães. Hoje vemos mulheres como arrimo de família, com responsabilidade financeira no lar e, somadas a isso, as questões da maternidade. Isso aumenta em muito o estresse a que são submetidas”. Mas longe da maternidade ser um problema à inserção no mercado de trabalho e em diversos campos da sociedade, ela confere às mulheres a capacidade de desenvolver maior afeto e habilidades de comunicação. As mães desenvolvem meios de superação, como afirma Galindo: “Devido ao seu lugar social, a mulher desenvolveu recursos para enfrentar as situações emocionais como as de perda, traição, humilhação e superá-las, devido à maior capacidade afetiva”. CONFIRA A SÉRIE ESPECIAL DA RÁDIO IMACULADAEspecial saúde da mulher

Cuidados

As políticas públicas para as gestantes, ao longo dos anos, proporcionaram que as mulheres tivessem uma atenção básica de saúde e desenvolvessem o hábito de frequentar o médico. As campanhas que visam a conscientização para a realização dos exames preventivos ao câncer de mama e de colo do útero reduziram significativamente o número de mortes e, por isso, devem ser reforçadas nas famílias e comunidades.

Um campo que, às vezes, passa despercebido é o da saúde psíquica. Galindo conta que as mulheres estão mais predispostas à depressão e a outros transtornos mentais. “Para cada homem com o problema, há duas mulheres na mesma situação”, indica. 

Segundo o psicólogo, diante das especificidades do organismo da mulher, é necessário um olhar atento para cada fase da vida. “Diferentemente dos homens, as mulheres atravessam grandes transformações ao longo da vida, o que requer um compromisso mais especial com a saúde”, diz. 

Desta forma, para prevenir diversos problemas, é necessária uma atenção especial na infância e na adolescência. Para Ana Paula, “na adolescência ocorrem diversas transformações no corpo e a saída da infância. Por exemplo, muitas meninas, diante do crescimento das mamas, se intimidam e acabam mudando a postura, se encolhendo”.

É nesta fase, em geral, que ocorrem os primeiros contatos com álcool e drogas, o início do tabagismo e situações de pressão e estresse que, se não acompanhadas adequadamente, podem levar à depressão. Ana Paula lembra ainda que “o sedentarismo começa na adolescência e repercute na fase adulta com crise de hipertensão, alteração de glicemia e triglicérides. É uma coisa que poderia ser evitada com o estímulo ao movimento. Ele deve ser cobrado como modo de saúde e não somente como exigência de beleza”.

Além de ir ao médico e se tratar, os parceiros e filhos precisam colaborar. “Muitas mulheres não encontram na família o suporte necessário para o enfrentamento da doença; em alguns casos, são discriminadas e incentivadas a suspender o tratamento”, recorda Galindo.

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Atenção

“É importante que as mulheres se mostrem vigilantes sobre a própria saúde, identificando precocemente hábitos nocivos, sintomas físicos e psíquicos e aderindo a hábitos saudáveis”, segundo Lilian. Câncer de colo de útero, mama e ovários são doenças específicas da mulher. Outras, como lúpus e fibromialgia, afetam mais mulheres do que homens. Segundo a Organização Mundial de Saúde, elas estão mais suscetíveis a outras doenças comuns a homens. “Hoje, a gente vê em primeiríssimo lugar as patologias cardíacas. A mulherada está enfartando! Algumas doenças de prevalência masculina passaram a acometer mulheres”, destaca Ana Paula. 

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"É importante que as mulheres se mostrem vigilantes sobre a própria saúde"

Para ela, é interessante notar que o instinto feminino leva ao cuidado com os outros e acaba fazendo com que ela se negligencie. “A mulher sabe quando tem algum problema. Por exemplo, sabe que uma tosse mais carregada é preocupante. Se o filho tosse diferente, ela corre para o hospital. Quando a tosse é dela, ela não vai, diz que não é nada e isso piora a situação”, conta a fisioterapeuta que ainda lembra que “ela sabe quando o filho está com febre mesmo sem olhar no termômetro, mas não busca ajuda em tempo para si e acaba se arriscando com a automedicação”. De fato, é comum uma mulher dizer que tinha marcado uma consulta mas “o filho ficou gripado” ou que tinha “uma reunião inadiável no trabalho”.

O corpo dá sinais que não devem ser ignorados e mesmo quando parecer tudo tranquilo, é importante a visita preventiva ao médico. “A mulher, conhecendo seu corpo, facilita a identificação de sintomas que apareçam, ao procurar ajuda médica. Importante ressaltar que deve-se realizar uma consulta anual de rotina com ginecologista que poderá avaliar o histórico, sintomas, real izar exame físico e indicar os exames necessários”, lembra Lilian.

“Em relação ao câncer de mama é muito importante o autoexame das mamas e a realização de outros, como ultrassonografia e mamografia, solicitados pelo ginecologista conforme a idade e o histórico familiar da paciente”, reforça.

O câncer de colo de útero é rastreado por meio de exame específico, mais conhecido como papanicolau. Segundo a médica, “a maioria das mulheres deve realizá-lo uma vez por ano, porém, em alguns casos específicos, como no período da menopausa, o médico pode solicitar outro espaçamento entre os exames”. Ela recorda também que o câncer de ovários é um tipo grave e que pode se alastrar para outras partes. Ele não mostra sintomas, mas o histórico familiar é relevante para indicar a necessidade de exames preventivos.

Por Gratidão

Ana Paula lembra que nem todo tratamento ou cuidado com a saúde exige cirurgias ou remédios. “Muitas vezes as mulheres desenvolvem debilidades musculares que resultam na incontinência urinária, por exemplo, ou em curvatura de coluna, dores ciáticas e lombares. Nesse contexto, é importante, por meio da fisioterapia, alongar a musculatura e fortalecer os músculos fracos”. A fisioterapeuta lembra ainda que um problema relativamente comum em mulheres idosas é a incontinência urinária, que pode ser tratada por meio de fisioterapia em alguns casos.

No campo emocional, Galindo lembra que atualmente os tratamentos para a saúde mental “permitem que as pessoas com depressão e outras doenças tenham o mínimo de prejuízo em suas vidas”. A saúde da mulher não deve ser um tema que traz vergonha ou acanhamento, mas deve ser abordado como gratidão àquelas que geram a vida e a sustentam. 




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