Por O Mílite Em Vida Espiritual Atualizada em 08 SET 2020 - 12H41

Maria participa das Bodas de Caná

Neste trecho do Evangelho contemplamos a presença de Maria no mistério de Jesus


Pixabay
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Por Padre Luís González-Quevedo, jesuíta

"No terceiro dia, celebrava-se um casamento em Caná da Galileia..." O casamento é festa, alegria, fonte de vida. No Antigo Testamento é símbolo do amor de Deus por Israel: "Como um jovem se casa com uma moça, assim teu Construtor se desposará contigo. Como a esposa é a alegria do seu marido, assim o teu Deus se alegrará contigo!" (Is 62,5). No Novo Testamento, o matrimônio é símbolo da união de Jesus com a Igreja (Ef 5,32).

"A Mãe de Jesus, estava lá". Jesus e os discípulos, também. Eles estão contentes e bebem vinho, porque os companheiros do noivo não podem jejuar enquanto o noivo está com eles (Mc 2,19). Maria seria amiga da mãe do noivo, que devia cingir com Deus, "alegra o coração" (Sl 104,15). Até nos velórios, deve oferecer-se um "cálice de consolação" (Jr 16,7): "Dá bebida ao andarilho e vinho ao aflito" (Pr. 31,6). Os bons vinhos envelhecem sem azedar. Sejamos também nós assim: que não nos tornemos nunca pessoas azedas, amarguradas, sempre insatisfeitas. Nas Bodas de Caná, Jesus está contente e entra na dança, com a alegria simples dos pobres, para quem um casamento na roça é uma festa inesquecível.

"Acabou-se o vinho..." e teria acabado mesmo a festa, não fosse a presença atenta e discreta de Maria. Ela não espalha a notícia, apenas informa Jesus de um fato constrangedor: "Eles não têm mais vinho". Estejamos tb. nós atentos à realidade que nos rodeia, vazios de nós mesmos, abertos aos outros, como Maria. A "hora de Jesus" ainda não tinha chegado. Por isso diz: "Que queres de mim, mulher? Ainda não chegou a minha hora". Outra teria se sentido ofendida, insistindo em meter-se em um assunto que não lhe dizia respeito. Maria, não. Ela conhece o coração de seu Filho e aceita o tempo e as demoras de Deus. Apenas diz aos serventes: "Fazei o que ele vos disser".

O milagre ("primeiro sinal") acontece bonito, abundante... É a alegria do Reino, que inunda o coração de Maria, humilde e cheia de gratidão a Deus, como no Magnificat (Lc 1,46-55). Ela se alegra em Deus, em Jesus e por Jesus, que mais uma vez a surpreende, sem decepcioná-la. Como João Batista, sabe que não é o Noivo, nem a noiva (Jo 3,29), mas apenas a serva. E, mais uma vez, repete no seu coração: "Aqui tens, Senhor, a tua escrava" (Lc 1,38). Maria cumpre sempre a Palavra do seu Deus, porque a escuta, como a sua xará de Betânia (Lc 10,39). Ela se alegra por ouvir a voz do Noivo e sua alegria é completa (Jo 3,29, cf. Jo 16,24). Naquele dia, "Jesus manifestou a sua glória e os discípulos creram nele" (v. 11). E continuaram a festa...

Oração: Maria, minha Senhora e minha mãe, tira do meu coração tudo o que há nele de vaidade, autossuficiência e soberba. Acolhe meu desejo de servir, com fidelidade, o teu Filho e a sua Igreja. Ensina-me a discernir o que se deve apenas "usar", sem apegar-me a nada (porque nada é meu) e o que se pode e se deve "gozar", para resgatar em mim e nos meus irmãos e irmãs a festa da vida.

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