No segundo capítulo da exortação apostólica Querida Amazônia, o Papa Francisco apresenta o sonho cultural — uma das quatro dimensões do seu olhar sobre a realidade amazônica. Neste trecho, Francisco nos convida a reconhecer e valorizar a riqueza cultural dos povos indígenas e tradicionais da Amazônia, sem imposições externas que apaguem sua identidade.
O Papa expressa sua profunda preocupação com o risco de colonialismo cultural, que muitas vezes tenta impor modelos ocidentais de desenvolvimento, religião ou organização social, desrespeitando o modo de vida, as crenças e os saberes ancestrais das populações locais. Para Francisco, respeitar a cultura amazônica significa dar voz aos povos indígenas, preservando sua sabedoria, suas línguas, mitos, rituais e o modo como se relacionam com a natureza e entre si.
Ele destaca que essas culturas não são "atrasadas" ou "inferiores", mas diferentes, com uma sabedoria própria que tem muito a ensinar ao mundo moderno, especialmente em relação ao cuidado com a criação e à vida comunitária. O Papa convida a Igreja e a sociedade a não tratar esses povos como "selvagens a serem civilizados", mas como protagonistas de sua história.
Além disso, o texto sublinha a importância de um diálogo intercultural verdadeiro, que não se baseia na dominação, mas no encontro respeitoso entre culturas. Francisco reconhece que esse processo exige escuta, humildade e abertura, tanto por parte da Igreja quanto das instituições sociais e políticas.
Portanto, o sonho cultural do Papa Francisco é o de uma Amazônia que conserve sua identidade plural, onde os povos possam viver e crescer em suas culturas próprias, sem serem assimilados ou marginalizados. É um chamado à justiça cultural e à promoção de um mundo onde a diversidade não é ameaça, mas riqueza.
Vamos acompanhar mais uma reflexão com Frei Carlos Alberto de Queiroz (OFM. Conv), pároco e reitor do Santuário Senhor do Bonfim em Santo André, SP.
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