A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de pessoas. Está presente na saúde, na educação, no trabalho e também nas redes sociais, onde algoritmos selecionam conteúdos, sugerem vídeos e influenciam a maneira como consumimos informação. No Brasil, cerca de 185 milhões de pessoas usam a internet e 150 milhões estão nas redes sociais. Diante de uma sociedade cada vez mais conectada, surge uma questão fundamental: como utilizar essas tecnologias sem permitir que elas ocupem o lugar das relações humanas?
Essa foi a reflexão apresentada no Jornal Imaculada Notícias, desta segunda-feira, pela Rede Imaculada de Comunicação, em uma reportagem que reuniu diferentes perspectivas sobre os impactos da inteligência artificial e do excesso de conectividade na vida cotidiana.
A discussão parte também da reflexão proposta pelo Papa Leão XIV na encíclica Magnifica Humanitas. O documento chama atenção para a necessidade de colocar a inteligência artificial a serviço da pessoa, preservando sua dignidade, liberdade e capacidade de discernimento. Para a Igreja, o avanço tecnológico não deve ser visto apenas como ameaça ou como solução para todos os problemas, mas precisa ser acompanhado de responsabilidade ética.
Na reportagem, padre Renan Dantas, da Diocese de Juína, na Amazônia Legal, jornalista e em formação na área de inteligência artificial, destaca que a preocupação da Igreja passa justamente pelo resgate da dignidade humana. Segundo ele, as máquinas podem auxiliar em inúmeras tarefas, mas jamais substituirão o discernimento do coração. O sacerdote também chama atenção para o papel dos próprios usuários: somos nós que, por meio das buscas, escolhas e conteúdos compartilhados, alimentamos os algoritmos e ajudamos a definir o que a inteligência artificial aprende e nos apresenta.
Outro ponto de atenção é a fronteira cada vez mais tênue entre o mundo virtual e a realidade. Quando levamos o virtual para a experiência humana, corremos o risco de perder referências e limites éticos. A tecnologia pode aproximar quem está longe, mas também pode nos afastar de quem está perto.
O psicólogo e escritor Lucas Freire, autor do livro Exautos, chama atenção para esse paradoxo. Segundo ele, corremos o risco de viver mais a “metaeexperiência” do que a própria experiência: registramos, compartilhamos e acompanhamos tudo pelas telas, mas nem sempre estamos verdadeiramente presentes naquilo que acontece diante de nós.
A discussão, portanto, não é sobre ser contra ou a favor da tecnologia. A inteligência artificial já oferece contribuições importantes e pode trazer avanços significativos, especialmente em áreas como a saúde. O desafio é aprender a utilizá-la de maneira consciente, ética e responsável, sem terceirizar para as máquinas aquilo que exige consciência, escolhas e discernimento.
Em um mundo cada vez mais digital, talvez a pergunta mais importante não seja até onde a tecnologia pode chegar, mas até onde queremos permitir que ela entre em nossa vida. Afinal, nenhuma inteligência artificial é capaz de substituir um encontro, um abraço, uma conversa olho no olho ou a experiência de estar verdadeiramente presente.
E essa reflexão continua. No próximo episódio, novos profissionais e outras histórias ajudam a ampliar o debate sobre os impactos da tecnologia, da inteligência artificial e das redes sociais sobre a vida e as relações humanas.
Ouça esse episódio na íntegra aqui:
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