Por Jorge Lorente Em Evangelho Dominical Atualizada em 01 FEV 2020 - 21H23

Apresentação do Senhor

“Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma” (Lc 2, 22-40)



Terminados os dias da purificação, conforme a Lei de Moisés, levaram o menino para Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor, conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito de sexo masculino será consagrado ao Senhor”.(...) Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Era justo e piedoso. Esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava com ele. O Espírito Santo tinha revelado a Simeão que ele não morreria sem primeiro ver o Messias prometido pelo Senhor. Movido pelo Espírito, Simeão foi ao Templo (...) Simeão tomou o menino nos braços, e louvou a Deus, dizendo: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar o teu servo partir em paz. Porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos, luz para iluminar as nações e glória do teu povo, Israel (...)

COMENTÁRIO

O Evangelho de hoje, nos apresenta uma família cumprindo à risca o que a lei mandava. Conforme determinava a lei, durante os sete dias que se seguiam ao nascimento do filho, a mãe era considerada impura. Devia ainda ficar mais trinta e três dias em casa e só após o quadragésimo dia faria a sua oferta que consistia em um cordeiro e uma pomba. Se fosse pobre, oferecia duas rolas ou dois pombinhos.

Maria e José ofereceram dois pombinhos, o sacrifício dos pobres. Era só o que podiam dar. Isso mostra bem a condição humilde da família de Nazaré. Jesus quis vir ao mundo numa família simples e pobre. Poderia ter nascido num castelo todo iluminado, cercado pelo conforto e embalado num berço de ouro, mas não o fez.

O Rei do Universo nasceu na periferia, num curral sem iluminação e uma manjedoura foi seu berço. Desprendeu-se de tudo, só não abriu mão da família. Este é o recado da liturgia de hoje: a família deve estar acima de qualquer bem material, sem a família, de nada vale o ouro e não existe tesouro.

No templo, Maria ouviu de Simeão estas palavras: “Quanto a ti, uma espada transpassará a tua alma”. Em silêncio, guardou no coração essas palavras e meditava sobre elas. Mulher forte e corajosa sabia das dificuldades que encontraria para cumprir sua tarefa no Plano de Salvação de Deus Pai, no entanto, desistir é algo que nunca lhe passou pela ideia.

Renunciar, desistir, duvidar, são verbos que a Corredentora nunca conjugou. Sempre acreditou. Nunca se sentiu desamparada. Sabia do imenso amor do Pai e encontrou apoio na família. O diálogo e a presença constante do esposo e de seu Filho multiplicavam suas forças. Caminhavam juntos alimentados pela oração.

Vamos voltar ao Evangelho e contemplar de novo a cena. O encontro com o menino Deus. O que suscitou o cântico de Simeão e de Ana foi a esperança, aquela esperança que os sustentava na velhice. Aquela esperança viu-se recompensada no encontro com Jesus. Quando Maria coloca nos braços de Simeão o Filho prometido por Deus, o ancião começa a cantar os seus sonhos.

Ao colocar Jesus no meio do seu povo, Simeão encontra a alegria. A verdade é que, só isso poderá restituir-nos a alegria e a esperança, só isso nos levará a viver a vida plena, só isso tornará fecunda a nossa vida, e manterá vivo o nosso coração: colocar Jesus exatamente onde Ele quer estar, ou seja, no meio do seu povo.

Colocar Jesus no meio do seu povo significa ter um coração contemplativo, capaz de discernir como é que Deus caminha pelas ruas das nossas cidades, dos nossos bairros, pelas vielas da periferia. Colocar Jesus no meio do seu povo significa ocupar-se e querer ajudar a levar a cruz dos nossos irmãos. É querer tocar as chagas de Jesus nas chagas do mundo, que está ferido, semimorto, e pede para ressuscitar.

Vamos, portanto nos colocarmos com Jesus no meio do seu povo! Não como ativistas da fé, mas como homens e mulheres que são continuamente perdoados por Deus e que sabem perdoar; homens e mulheres ungidos no Batismo para partilhar a unção e a consolação de Deus para com o próximo.

Acompanhemos Jesus que vem encontrar-se com o seu povo. O seguidor de Jesus precisa estar no meio do povo, não no lamento ou na ansiedade de quem se esqueceu de profetizar, mas no louvor e na serenidade; não na agitação, mas na paciência de quem confia no Espírito, Senhor dos sonhos e da profecia. E assim, compartilhamos o que nos pertence: o cântico que nasce da esperança.

Dois mil anos se passaram e as palavras de Simeão continuam presentes. Seu recado agora é para a família moderna mutilada e desvalorizada. Sua mensagem quer aliviar a dor de milhares de corações transpassados; são mães, pais e filhos atingidos pela espada da desunião, pela falta de diálogo e pela ausência da oração.

Esta é a boa notícia de hoje: Vamos levar o amor às famílias. Quando o respeito, o diálogo e a oração, estiverem presentes nos lares, poderemos dizer: “Agora Senhor podes deixar teu servo, tua serva, partir em paz, pois meus olhos já viram também, a salvação das famílias”.

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Por Jorge Lorente, em Evangelho Dominical

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