Por Espiritualidade Em Formação

O que dizer sobre o namoro ?

Estar em um relacionamento com alguém é muito mais que sair junto aos finais de semana, mas sim contemplar um futuro de uma união a dois


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Padre Alexandre Mosqueli 
Missionário da Imaculada-Padre Kolbe 

O namoro surge de uma necessidade comum a todos nós seres humanos. Está em nossa estrutura de ser homem ou mulher: “somos seres de necessidades”. Isto significa que nenhum ser humano basta por si mesmo e, na sua estrutura sexual, aspira um complemento que acontece no nível da relação interpessoal no encontro com o outro sexo – heterossexual. Na aspiração desta relação, uma força coloca-nos em movimento para ir à busca do encontro com o outro sexo. É deste encontro que surge a relação. 

Quando falamos de namoro, falamos de uma relação que leva ambos os sexos a uma maturidade. Maturidade no sentido de suficiente consciência dos confrontos da própria vida, da vida do outro, e os confrontos que surgem da própria relação entre os dois. Confrontos estes dos quais podemos citar alguns exemplos: o pedir em namoro o(a) outro(a) com a possibilidade de ser recusado(a); apresentar-se aos pais do(a) parceiro(a), passando a frequentar o seu espaço familiar; fidelidade ao(à) parceiro(a); responsabilidade nos compromissos assumidos por ambos; sacrifício do próprio tempo e dos próprios gostos pessoais; partilha da própria vida pessoal, para que as ‘agendas’ se encaixem... Estes exemplos indicam que o namoro projeta a vida de ambos para um projeto comum de vida.  

Brincando com a palavra namoro, dizemos que namorar é abrir a própria vida pessoal para o ‘outro’ nela morar. Isto implícita que não é qualquer um ou uma que levamos para ‘morar’ em nossa vida. 

Os confrontos provocados pelo namoro constroem uma identidade própria em cada um dos parceiros na relação, isto porque ambos vão amadurecendo a si mesmo mediante um paciente esforço de aceitação e reconhecimento do ‘tu’ um do outro.

Quando o ‘eu’ é excessivamente preocupado consigo mesmo para a própria realização e concentra todo o seu interesse em si mesmo, este ‘eu’ não constrói identidade e nem a amadurece, porque o ‘tu’ do outro só é procurado e acolhido como um instrumento que serve para realizar os seus planos pessoais. Este ‘eu’ será sempre infantil na relação com o outro, ainda mais no nível sexual-afetivo. O outro é posse pessoal, como um brinquedo nas mãos de uma criança que diz: “é meu; é meu”; em pouco tempo aquele brinquedo já não serve mais, porque está quebrado. Então, exigirá outro, com o qual fará o mesmo. 

Na relação de namoro há duas identidades, ou seja, dois indivíduos que se encontram na vida, se confrontam com a própria vida e partilham uma mesma vida. No namoro está a afirmação do ‘eu’ e o reconhecimento do ‘tu’ do outro; agora, reconhecer este ‘tu’ é renunciar o fazer dele um objeto da própria pretensão; é “tirar dele as mãos” para dar-lhe a possibilidade de ser e exprimir o seu ‘tu’ pessoal.  

Jovem para o desafio 

Nós jovens somos feitos para os desafios!  O nosso namoro é a passagem da aventura de “ficar”, do “tô pegando, tô beijando ou tô num rolinho”. É o desafio de uma relação escolhida livremente, na mudança de atitude diante do outro: passar da posse ao dom de si no amor; passar da satisfação da libido desordenada à sinceridade da ternura. A coragem de entregar-se ao outro, mantendo-se entregue a ele na fidelidade e responsabilidade.  

Castidade: educar para o amor 

À virtude do amor podemos chamar de castidade. Educar-nos para esta virtude é ser casto, porque nos permite viver a nossa vida em nossa sexualidade de modo íntegro e transparente, na plenitude do amor. Isto não significa abstinência da atividade sexual ou nulidade das características psicológicas e afetivas de nossa masculinidade ou feminilidade. Não existe uma pessoa neutra do ponto de vista sexual. 

A castidade potencia e aperfeiçoa a nossa personalidade que se apresenta com os traços irrenunciáveis e irredutíveis do próprio sexo: ser homem ou ser mulher. Assim, a castidade age de tal modo que a própria sexualidade seja colocada a serviço do amor, traduzida em atitudes de amor gratuito para com o outro. 

O ser casto – viver a castidade – é ser educado no amor, direcionando nossas faculdades humanas para um ideal de vida e para um projeto de felicidade desejado e usufruído segundo a justa ordem e finalidade do amor: gastar a vida por algo ou alguém que vale a pena!  

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