2026 teve início com uma grande notícia para a Igreja: o Papa Leão XIV proclamou o Ano Jubilar Franciscano: 10/01/2026 – 10/01/2027, celebrando os 800 anos da morte de São Francisco de Assis. É um tempo de graça, conversão, paz e fraternidade, com indulgência plenária mediante peregrinações e ritos, convidando fiéis a seguir a simplicidade evangélica do santo. Em entrevista à Rede Imaculada de Comunicação, Frei José Hugo Santos OFM Conv. fala sobre este tempo de graça para a Igreja e especialmente para a Família Franciscana. Ele conversou com o jornalista Paulo Teixeira.
Frei Hugo, nos últimos anos, aqui no Igreja em pauta, nós falamos de diversos centenários franciscanos. Falamos sobre o presépio, sobre os estigmas, a Regra, o testamento. Qual o significado dessas comemorações?
Essas datas foram pensadas pela Conferência da Família Franciscana como datas marcantes, uma vez que São Francisco de Assis foi um homem profundamente marcante na história do mundo e da igreja. Desta forma, já antes do ano de 2023, a conferência dos superiores gerais da família franciscana, que é composta por representantes das diversas ordens que compõem a família franciscana, propôs anos comemorativos que lembrariam temáticas muito importantes, relacionadas sempre ao Marco dos 800 anos do trânsito de São Francisco. Dessa forma, por exemplo, no ano de 2023, a Família Franciscana e, ao mesmo tempo também celebrou os 800 anos do Natal em Greccio, Itália. Francisco de Assis é este artista, este poeta, que inventa o presépio, e ele inventou na noite de Natal do dia 24 de dezembro do ano de 1223. Depois, pensou-se, uma celebração muito bonita para os 800 anos dos estigmas de São Francisco. Todos os anos nós celebramos na liturgia da igreja e, de modo especial, no próprio da família franciscana, o dia 17 de setembro como o dia da impressão das Chagas ou dos estigmas de São Francisco. E esta impressão aconteceu no ano de 1224. Em 2025, celebramos os 800 anos da composição do Cântico do Irmão Sol ou Cântico das Criaturas, esse cântico belíssimo em que São Francisco chama todas as criaturas de irmãos e irmãs, cuja composição ele iniciou no outono de 1225. Praticamente no ano seguinte, o ano de 1226, o ano da sua morte, e esse ano, portanto, nós temos a alegria de celebrar 800 anos da Páscoa, da morte, do trânsito de São Francisco, morte esta ocorrida no dia 13 de outubro do ano de 1226. Por isso que estes centenários aconteceram um seguido do outro.
O que quer dizer a palavra trânsito e por que ela está associada à morte de São Francisco?
Não é do trânsito das grandes cidades que estamos falando. A palavra “transitus” em latim significa “passagem”, que na nossa linguagem teológica litúrgica também pode ser traduzido como “Páscoa”. A palavra Páscoa também significa passagem. O trânsito de São Francisco, ou seja, a sua morte, foi um episódio, um momento tão marcante na vida da Família Franciscana, que desde então, todos os anos é celebrada essa passagem de um modo solene. Na maioria das igrejas dedicadas a São Francisco, nós temos sempre às vésperas da sua festa um tríduo ou uma novena. Seja um tríduo, seja uma novena, sempre no dia 3 de outubro é celebrado o trânsito. Depois da missa é realizada uma celebração que recorda os momentos finais de São Francisco junto aos seus companheiros.
Frei Hugo, como os freis, as comunidades franciscanas e os serviços de evangelização estão celebrando este ano?
Nós tivemos a abertura deste que está sendo chamado ano Santo de São Francisco no dia 10 de janeiro de 2026, com conclusão no dia 10 de janeiro de 2027. Na cerimônia de abertura, nós tivemos um encontro muito bonito com esses representantes da conferência da família franciscana no mundo e foi muito significativo que o local escolhido para abertura destes 800 anos tenha sido a Porciúncula, a Igrejinha, a igreja que São Francisco escolheu para ser cabeça e mãe da Ordem. Onde ele falece. Não é onde o seu corpo está sepultado, mas é onde São Francisco faz o seu trânsito, a sua Páscoa, a sua morte, no dia 3/10/1226. Paralelo a isso, nós teremos uma série de eventos, dentre eles, uma exposição dos restos mortais de São Francisco de Assis na Basílica de São Francisco, para onde seus os restos mortais foram transportados no ano de 1230. Como família franciscana no Brasil, algumas iniciativas também estão sendo pensadas. Congressos, seminários, encontros temáticos que logo nós vamos divulgar com mais propriedade. Nós procuraremos abrir as portas das nossas igrejas conventuais e das igrejas dedicadas a São Francisco para que elas se tornem locais de peregrinação, de visita, de atendimento da confissão, de oração pelo Santo padre e de obtenção da indulgência plenária. Sem dúvida, nós teremos neste ano muitas iniciativas, muitas propostas interessantes que certamente valerão a pena serem conhecidas e apreciadas.
Quais pontos o senhor destaca na espiritualidade franciscana?
Qual que é o centro da vida de São Francisco? Normalmente, as pessoas respondem com muita rapidez: é a pobreza, porque ele foi um Santo que viveu uma vida de pobreza, extrema. Entretanto, a pobreza abraçada por Francisco é fruto de uma condição anterior, que é a fraternidade. No cerne da espiritualidade franciscana está a experiência de fraternidade. A partir do momento que Francisco sente que esse chamado que Deus faz a ele não deveria ser vivido exclusivamente por ele, de modo individual, solitário, que Deus manda livremente, gratuitamente amigos, companheiros, que começam com ele a fazer essa grande aventura que são as origens do franciscanismo. A gente vai percebendo que Francisco dá uma importância muito grande à fraternidade. É ali que a Ordem se constitui durante a história. Muitas dessas divergências que fizeram surgir tantas denominações franciscanas, surgiram por conta de discussões sobre a pobreza, quando na verdade a pobreza é vivida a partir da fraternidade. A experiência da fraternidade da qual o mundo hoje tanto carece, da qual as famílias hoje tanto carecem, da qual as instituições hoje tanto carecem...
Acompanhe a entrevista na íntegra:
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