Imaculada Notícias

O custo invisível das apostas online

Novo episódio da série especial do Imaculada Notícias revela as armadilhas neurobiológicas, o impacto nas famílias e os caminhos para encarar a ludopatia de frente

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Escrito por Ana Cristina Ribeiro

16 SET 2026 - 08H11

Freepik

O avanço das plataformas de apostas virtuais no Brasil gerou um cenário de alerta para autoridades de saúde pública e economia. No segundo episódio da série especial sobre Os diferentes caminhos da dependência, o foco se volta para o vício em bets e a ludopatia. A transformação dos celulares em cassinos acessíveis a qualquer hora tem provocado um impacto avassalador na vida de milhares de famílias, que enfrentam o endividamento e o isolamento emocional. A dimensão financeira do fenômeno é ilustrada por dados do Banco Central, que apontam a movimentação de cerca de R$ 20 bilhões via PIX para empresas de apostas apenas em agosto de 2024, dos quais R$ 3 bilhões foram transferidos por 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família no mesmo período.

Para além do prejuízo orçamentário, a ludopatia, transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, atua diretamente nos mecanismos neurobiológicos do cérebro. O circuito de recompensa é ativado e libera dopamina não apenas com a vitória, mas na expectativa do ganho e na sensação do "quase ganhei", o que mantém o indivíduo em um ciclo contínuo de compulsão para tentar recuperar valores perdidos. Esse comportamento é frequentemente intensificado pela ação de algoritmos que exploram os momentos de maior vulnerabilidade do usuário.

Apesar da gravidade do problema e dos impactos que transbordam para as relações familiares e a produtividade no ambiente de trabalho, a doença tem tratamento. A conscientização, promovida por campanhas como o Setembro Amarelo, é fundamental para quebrar o estigma e permitir que o apostador reconheça a necessidade de ajuda. O Sistema Único de Saúde oferece atendimento gratuito por meio dos Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS, além da rede de apoio dos Jogadores Anônimos e do acolhimento prestado pelo Centro de Valorização da Vida pelo telefone 188, mostrando que há caminhos possíveis para a reconstrução da vida. Acompanhe!!


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