
Maria é uma figura que representa o combate espiritual. Não é uma alusão à violência, mas o chamamento a um combate eficaz contra o mal. Maria era chamada de capitã de Bizâncio, na capital tardia do Império Romano. Na época do Sacro Romano Império era intitulada rainha do mundo. E os cavaleiros medievais a chamavam de grande senhora. É evidente que muitos combates eram bélicos e violentos, mas nós, olhando para eles a partir de nossos dias, percebemos o pensamento religioso que estava por trás dos atos de guerra. Embora ligados a um pensamento genuíno sobre o sagrado, eram expressões imperfeitas e até deturpadas do sentido religioso. Mas hoje combatemos na fé de modo mais autêntico e não violento, lutando pelo bem.
Padre José de Anchieta, exímio poeta, registrou em alguns versos a visão de Maria como combatente.
És quadriga de Deus: furor justo te arrasta
E as multidões hostis impetuosa afastas.
Reveste-te de força, arde em cólera digna
E o exército destrói que contra mim se indigna.
Há soldados lutando bravamente nos hospitais contra o vírus e em serviços básicos para a população, mas também existe o exército da Milícia da Imaculada que trabalha de casa.
Frei Maximiliano Kolbe fundou, em 1917, a Milícia da Imaculada. Ele viveu num contexto muito diferente daquele de José de Anchieta, mas entre duas guerras, e se inspirou também na força de Maria. Kolbe repetia sempre um verso da Liturgia das Horas que diz: “Ela te esmagará a cabeça”. Referindo-se a Maria que pisa a cabeça da serpente que representa o mal. Para Kolbe, ela esmaga; para Anchieta ela destrói.
Mas hoje quais os inimigos e adversários que temos? Anchieta viu conflitos no Brasil entre grupos de indígenas e grupos de colonizadores. Quais os grupos que vemos em conflito hoje? São Maximiliano Kolbe viu grupos maçons se manifestarem contra o Papa no Vaticano. Quais grupos atacam o Papa em nossos dias?
O nosso combate não é o de aniquilar inimigos e muito menos destruir exércitos, mas, como Kolbe bem recorda na oração que os mílites rezam todos os dias, combatemos para “construir o Reino de Deus no mundo”. Para tal propósito, o consagrado à Imaculada não oferece violência nem ataques, mas suas orações, sacrifícios e ações.
Quem poderia imaginar que o maior combate destes tempos não está sendo travado em campos de batalha, mas em hospitais? A pandemia é o adversário que causa dor e sofrimento de diversas formas no mundo. No Brasil, existem diversas igrejas dedicadas a Nossa Senhora das Vitórias, lembrando o os conflitos da época da colonização. Hoje, invocamos Nossa Senhora para a vitória contra o coronavírus.
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A Milícia da Imaculada combate usando os meios indicados pelas autoridades para conter a propagação do vírus, mas os mílites também combatem o desespero na família e, pela oração, levam alento e esperança a quem encontram, mesmo que seja pela internet. E, além, disso, oferecem com amor seus sacrifícios diários, suas ações por mais simples que sejam e suas orações incessantes e solidárias.
Há soldados lutando bravamente nos hospitais contra o vírus e em serviços básicos para a população, mas também existe o exército da Milícia da Imaculada que trabalha de casa. Têm destaque os operadores de áudio que não deixam a Rádio Imaculada sozinha. Os locutores são heróis que preenchem a solidão e o vazio de muitos lares com informação, alegria e oração. Entre os gestos heroicos dessa hora histórica de desafios, se destaca Frei Sebastião, que diariamente celebra a Missa para os ouvintes da Rádio Imaculada e visita diariamente as casas com o Programa Você no Coração da Mãe. A Milícia da Imaculada está ativa, atuante e combatente com Maria para levar esperança aos corações.
Referência: BOFF, Clodovis. Mariologia Social. Paulus. 2006.
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