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Marajó expõe desafios sociais e reforça compromisso da Igreja no combate aos abusos

Dom Ionilton Lisboa destaca a realidade da Prelazia do Marajó e a urgência de enfrentar os abusos durante a Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida

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Escrito por Núria Coelho

23 ABR 2026 - 14H00

Arquivo MI

Durante a Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, realizada em Aparecida (SP), o bispo da Prelazia do Marajó (PA), Dom Ionilton Lisboa de Oliveira, chamou a atenção para os desafios enfrentados pelas comunidades da região amazônica, marcada por vulnerabilidades sociais e pela presença de diversas formas de violência.

Em entrevista, Dom Ionilton destacou que o Marajó convive com situações de pobreza extrema, dificuldades de acesso a serviços básicos e, de modo especial, com a realidade preocupante dos abusos, sobretudo contra crianças e adolescentes. Segundo ele, esse é um tema que tem mobilizado a Igreja no Brasil e que também está entre as pautas discutidas na assembleia.

O bispo ressaltou que a Igreja tem buscado fortalecer ações concretas de proteção, prevenção e acolhimento às vítimas, além de promover uma mudança de mentalidade nas comunidades. “É preciso romper o silêncio, dar visibilidade a essa realidade e assumir, como Igreja e sociedade, a responsabilidade de proteger os mais vulneráveis”, afirmou.

Dom Ionilton também destacou a importância da atuação pastoral próxima das comunidades, especialmente nas regiões mais isoladas do arquipélago do Marajó, onde a presença da Igreja muitas vezes se torna um dos poucos abrigos para a população.

A Assembleia Geral dos Bispos do Brasil segue debatendo temas centrais para a vida da Igreja e da sociedade, reforçando o compromisso com a dignidade humana, a justiça social e a proteção integral dos mais frágeis.

Acompanhe a entrevista conduzida pela jornalista Angelica Lima!!



A Ilha do Marajó é a maior ilha fluviomarinha do mundo, localizada na foz do rio Amazonas, no estado do Pará. Com uma área de cerca de 40 mil km², o território é banhado tanto pelas águas do oceano Atlântico quanto pelos rios amazônicos, formando uma paisagem única, marcada por campos naturais, manguezais, igarapés e áreas de floresta.

A ocupação da ilha remonta a milhares de anos antes da chegada dos europeus, com destaque para a chamada cultura marajoara, uma das mais sofisticadas civilizações pré-colombianas da Amazônia. Esse povo desenvolveu técnicas avançadas de cerâmica, conhecidas até hoje pela riqueza de detalhes e simbologia, além de sistemas de organização social e manejo do território.

A partir do século XVII, com a colonização portuguesa, Marajó passou a integrar o processo de ocupação da Amazônia. Foram implantadas fazendas, especialmente de criação de gado, atividade que ainda hoje é uma das principais bases econômicas da região. A introdução do búfalo, no século XIX, tornou-se uma marca característica da ilha, que atualmente possui um dos maiores rebanhos bubalinos do país.

Ao longo de sua história, a ilha também enfrentou desafios sociais significativos, como o isolamento geográfico, a dificuldade de acesso a serviços básicos e desigualdades econômicas. Apesar disso, mantém uma cultura rica e diversa, com tradições que misturam influências indígenas, africanas e europeias.

Entre as manifestações culturais mais conhecidas estão o carimbó, a culinária típica — com destaque para o peixe, o açaí e o queijo do Marajó — e o modo de vida ribeirinho, profundamente ligado aos ciclos das águas.

Hoje, a Ilha do Marajó é formada por 16 municípios e segue sendo uma região de grande importância ambiental, cultural e social para o Brasil, além de um símbolo da diversidade e dos desafios da Amazônia.

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Por Núria Coelho, em Rede Imaculada

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