Ao longo das celebrações pelos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, um dos aspectos mais marcantes da vida do santo continua despertando reflexões: sua escolha radical pela pobreza. Mais do que abrir mão dos bens materiais, Francisco encontrou na pobreza um caminho de liberdade, confiança em Deus e proximidade com os mais necessitados.
Segundo Frei Carlos Alberto de Queiroz, franciscano menor conventual, pároco e reitor do Santuário Senhor do Bonfim, a pobreza vivida por São Francisco não pode ser compreendida apenas como privação ou falta de recursos. Trata-se de uma atitude espiritual que coloca Deus no centro da existência e liberta a pessoa do apego às riquezas, ao poder e ao desejo de possuir.
Ao renunciar à vida confortável que poderia ter levado como filho de um rico comerciante, Francisco escolheu identificar-se com Cristo pobre e humilde. Essa decisão transformou profundamente sua maneira de enxergar o mundo, as pessoas e a própria criação. Para ele, tudo era dom de Deus e deveria ser acolhido com gratidão e simplicidade.
Frei Carlos destaca que a pobreza franciscana está intimamente ligada à fraternidade. Ao desapegar-se dos bens materiais, São Francisco aproximou-se dos pobres, dos doentes e dos excluídos de sua época, reconhecendo em cada pessoa a presença de Deus. Dessa forma, a pobreza tornou-se uma expressão concreta do amor ao próximo e da vivência do Evangelho.
O testemunho do santo de Assis continua atual em uma sociedade frequentemente marcada pelo consumismo e pela busca incessante por bens materiais. Sua experiência convida os cristãos a refletirem sobre o verdadeiro sentido da riqueza e sobre a importância de cultivar valores como a solidariedade, a partilha e a confiança na providência divina.
A reflexão integra a série especial dedicada aos 800 anos da páscoa de São Francisco de Assis, celebrada em 2026, e busca aprofundar a compreensão de temas centrais da espiritualidade franciscana que continuam inspirando pessoas em todo o mundo. Acompanhe!!
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