A dedicação ao próximo faz parte da essência da vida sacerdotal. Mas quem se dedica diariamente a acolher, ouvir e cuidar das pessoas também precisa voltar o olhar para si. Foi com essa proposta que o Jornal Imaculada Notícias deu continuidade à série especial sobre saúde mental, abordando desta vez os desafios e os avanços no cuidado psicológico de padres e religiosos.
Para aprofundar o tema, o programa recebeu Wellington Heleno da Silva, psicólogo clínico e presidente do Instituto Acolher (ITA), instituição que há 25 anos reúne psicólogos, psicanalistas e religiosos no acompanhamento psicológico e na integração espiritual de sacerdotes, religiosos e leigos.
Segundo Wellington, as principais demandas que chegam ao Instituto estão relacionadas ao estresse, à ansiedade, ao esgotamento emocional e às dificuldades nos relacionamentos. Para ele, não é necessário esperar que a situação se torne insustentável para procurar ajuda profissional.
Wellington observa ainda que, no profundo desejo de servir, muitos sacerdotes acabam deixando a própria saúde em segundo plano. “Não adianta a pessoa se lançar para o outro quando, na verdade, precisa resolver suas relações intrapsíquicas”, afirma. Para ele, cuidar dos padres e religiosos é também fortalecer a missão da Igreja, garantindo que possam exercer seu ministério com equilíbrio e esperança.
A reportagem também trouxe o testemunho do padre Leomar Nascimento, vigário paroquial da Paróquia Santa Catarina de Alexandria, na Diocese de Santo Amaro, doutor em Ciência da Religião, escritor e pesquisador. Após a perda da mãe, ele percebeu a necessidade de intensificar os cuidados com a própria saúde mental e encontrou na terapia um importante suporte para enfrentar o luto.
Em seu relato, padre Leomar destaca que a primeira relação que precisa ser humanizada é aquela que temos conosco mesmos. Segundo ele, cuidar da saúde emocional é um passo fundamental para construir relações mais saudáveis com Deus e com as pessoas.
O sacerdote também reconhece que um dos maiores desafios é aprender a olhar para as próprias fragilidades. “O que falta, muitas vezes, é coragem para lidar com nossas sombras”, reflete. Para ele, esse processo de autoconhecimento e amadurecimento não diminui a fé, mas ajuda a vivê-la de forma mais humana e autêntica.
Ao final do programa, ficou uma mensagem que vale para todos: cuidar da saúde mental não é sinal de fraqueza, mas um gesto de responsabilidade e amor consigo mesmo. Afinal, ninguém consegue oferecer paz, acolhimento e esperança aos outros se estiver travando uma batalha silenciosa por dentro.
A série especial do Imaculada Notícias sobre saúde mental continua na próxima semana, com o último episódio, trazendo novas reflexões sobre o cuidado com a mente, o coração e a vida espiritual.
Não conseguiu acompanhar? Ouça este episódio completo aqui.
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