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Milícia da Imaculada
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11/10/2018 - 14h21: Pediatras pedem cuidado com exames de imagens em crianças




Uma campanha da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) chama a atenção para os riscos da exposição excessiva de crianças e adolescentes a exames de imagem: tomografias e raios x por exemplo.

O objetivo é incentivar o uso racional deles com o apoio de pais e profissionais de saúde. Os pediatras ainda se preocupam em fazer com que técnicos responsáveis pelos exames façam as adaptações necessárias aos equipamentos, segundo características físicas desses pacientes.

“Para os médicos, os exames de imagem (raios x, tomografias, ultrassonografias e ressonância) são muito úteis à medicina e, por vezes, essenciais ao diagnóstico em adultos e crianças. Entretanto, alguns desses exames emitem radiação nociva à saúde e, por isso, a SBP, em parceria com outras entidades nacionais e internacionais, lança uma campanha que alerta sobre o uso racional dessas ferramentas. Além dos pediatras, os radiologistas e outros técnicos envolvidos no processo também devem ser bem orientados”, explicou a entidade em comunicado.

Para a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva, é preciso cautela a fim de não expor crianças e adolescentes a riscos desnecessários. De acordo com ela, essa população tem tecidos e órgãos em desenvolvimento com sensibilidade mais aguçada aos efeitos da radiação ionizante. Quanto mais jovem for o paciente, maiores são as chances de desdobramentos adversos.

A orientação é que, na consulta, os especialistas avaliem atentamente e solicitem o exame somente quando sinais e sintomas exigirem. Pediatras e demais médicos precisam alertar os pais sobre os riscos.

“Não são raros os casos em que os procedimentos decorrem de um pedido da própria família”, recordou Luciana, ao destacar ser fundamental individualizar a situação de cada paciente, com bom senso crítico e uma boa hipótese diagnóstica, antes de solicitar exames complementares e, em muitas oportunidades, até discutir a possibilidade com o radiologista.

Números - Informações do Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que aproximadamente 350 milhões – 4% dos procedimentos médicos por imagem nos últimos dez anos – foram feitos em crianças e adolescentes de até 19 anos. Um ponto que chama a atenção, segundo a SBP, é que embora essa população tenha diminuído no período, o volume desses tipos de exames por imagem aumentou em todo o Brasil.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2008 havia no Brasil 67,9 milhões de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, algo em torno de 36% da população daquele ano. Já em 2017, o número foi para 63 milhões, com menos representatividade do grupo pediátrico para 30% da população brasileira. Ao comparar os dois números, a queda foi de 7%.

Mesmo com a mudança no perfil demográfico, no caso das tomografias computadorizadas, o volume de exames realizados em pacientes com idade até 19 anos dobrou nesse intervalo de tempo, passando de 225,4 mil em 2008 para 466,9 mil no ano passado. As maiores variações percentuais foram observadas no Espírito Santo (aumento de 466%), no Rio de Janeiro (420%), no Acre (351%), em Santa Catarina (249%), em Mato Grosso do Sul (214%), no Amazonas (190%), em Alagoas (186%), no Paraná (167%), em Goiás e no Tocantins (ambos com 143%).

Já as unidades da Federação onde o aumento percentual foi menos significativo foram Paraíba (com alta de 48%), Distrito Federal (47%), Ceará (25%), Minas Gerais (13%) e Sergipe, onde não foi percebida mudança no número de exames. Em São Paulo, onde há maior produção desse tipo de procedimento no país, o número cresceu 94%, saltando de 71.420 em 2008 para 138.838 em 2017.

“A SBP reconhece que uma parte dessa alta produtividade pode ser consequência da ampliação no número de equipamentos disponíveis para exames, em especial, nos estados menos desenvolvidos ou onde a rede pública recebeu investimentos mais consistentes na área. Contudo, argumentam os especialistas, o aumento proporcional é muito maior do que o crescimento da infraestrutura disponível, o que sugere a utilização dos procedimentos de modo não racional”, falou a entidade.

Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, atualmente existem 4.588 tomógrafos computadorizados em funcionamento no Brasil. Destes, 2.007 (44%) estão disponíveis no SUS, que atende a 160 milhões de brasileiros. No caso dos aparelhos de raios-X, são 25.243 unidades, das quais 10.286 (41%) estão na rede pública.

Os números mostram que a Região Sudeste, sozinha, concentra 40,5% dos tomógrafos computadorizados de todo o país. No caso dos equipamentos de raios x, o percentual chega a 41%. Só o estado de São Paulo concentra um quinto dos equipamentos de todo o país, com mais tomógrafos computadorizados (392) e raios x (1.900) no SUS do que a soma das regiões Norte e Centro-Oeste: 311 tomógrafos computadorizados e 1.775 raios x.

Calibragem - A médica radiologista Dolores Bustelo, uma das organizadoras da campanha, alerta que falhas na calibragem de equipamentos também constituem um problema frequente. Segundo ela, estudos confirmam ser possível reduzir as doses de radiação aplicadas durante os exames de tomografias computadorizadas, sem perder a qualidade do resultado e nem interferência no diagnóstico.

Ainda de acordo com a especialista, quando uma tomografia ou um exame de raio x são estritamente necessários para uma criança, devem ser usados aparelhos que permitam a sua adequação em função do peso do paciente e da extensão da área a ser analisada. Se bem manuseados, é possível reduzir significativamente a exposição à radiação.


Com informações da Agência Brasil.





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