Por Angelica Lima Em Igreja

Casa da Palavra

Sobre a importância da Bíblia para os católicos, Angelica Lima conversou com Dom Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba, no Paraná, e presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética


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Na Assembleia Geral da CNBB, em abril desse ano, o tema abordado foi: “Casa da Palavra. Animação bíblica da vida e da pastoral nas comunidades eclesiais missionárias”. Qual o sentido desse tema?

Casa não é somente um edifício ou um abrigo, é um lugar de relações, de convívio, de gratuidades, de perdão recebido e oferecido, de experiências de comunhão. Na casa como lugar de comunhão aparecem os mais nobres sentimentos e as mais elevadas experiências, e também as pobrezas e pequenezas que cada um traz. É o lugar das verdades humanas mais autênticas. No Antigo Testamento o Templo era conhecido como a casa de Deus. E a Casa da Palavra? Quer dizer que dentre todas as ideias, pensamentos e argumentos, há uma pessoa com maior proeminência: é a Palavra. Na tradição bíblica palavra é pessoa; e também é o mesmo termo para acontecimento. Dizer que aconteceu algo, no contexto bíblico, é dizer que revelou-se uma palavra. A Igreja aborda tantos temas, mas não pode deixar de tratar sobre o grande tema da escuta de Deus. Quando Deus fala e o homem ouve, grandes coisas podem acontecer. Com lucidez para discernir a voz de Deus, a Igreja se torna cada vez mais Palavra de Deus pronunciada ao mundo.

O senhor é especialista na Bíblia. Em que sentido ela é mais que um livro?

A Bíblia é como uma carta de amor que uma moça recebe. Mesmo que o amado esteja do outro lado do mundo, ela abre, lê com atenção, sorri, fecha os olhos, relê com frequência, beija a carta. A jovem beijou um papel? Parece uma estupidez beijar papel e letras? Mas é um mistério de encanto e comunhão. Ela quis beijar a pessoa, o amor dos dois tornou-se palavras. Por maiores que sejam as distâncias, permanecem unidos pelo amor singular expressos em palavra. Assim é a Bíblia, a carta de amor de Deus para nós.

De que forma a Bíblia é central na ação da Igreja?

Dentre muitas palavras, devemos focar na centralidade da Palavra de Deus. A Palavra de Deus é como o vigor e a garra para o atleta que deseja vencer uma competição. O documento do Concílio Vaticano II, Dei Verbum, no número 12, indica que a Sagrada Escritura é a alma da teologia. Faltaria o ânimo, a alma, o segredo vital para toda a ação a Igreja. A Sagrada Escritura é tão vital que a fé estaria desfigurada se a Palavra de Deus não estiver no centro. A Bíblia é a alma da ação evangelizadora. Temos que fazer uma opção entre tantas palavras. É a Palavra de Deus que deve nos motivar.

Num contexto em que os livros estão em queda, o que o senhor acha da Bíblia no celular?

 Tenho a impressão de que uma mensagem eletrônica tem um pouco menos da pessoa porque não tem a letra. A Bíblia é uma maneira de tocar na Palavra de Deus. Por mais que os meios eletrônicos sejam eficientes para as relações interpessoais, não há nada que substitua o afeto, a não ser o próprio afeto. Isso a letra do autor possibilita, isso a Bíblia nos proporciona ao revelar a ternura de Deus. A Bíblia mantém próximos quem escreveu e quem lê, Deus e nós. Os meios eletrônicos são importantes para o estudo, mas não substituem momentos de leitura e oração com a Bíblia em papel. Eu tenho diversas versões da Bíblia em meu celular e uso para estudo. Mas na hora de rezar, me recolho com minha Bíblia.

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