O milagre das Bodas de Caná sempre me intrigou. Não sei se, assim como eu, você consegue visualizar a cena: os noivos contentes, muita festa, o começo de uma etapa nova, a alegria que inaugura uma vida a dois. No entanto, o infortúnio chega sorrateiramente e vem para alterar todo aquele cenário, transformando alegria em tristeza, honra em vergonha, celebração em constrangimento. Imagine os noivos recebendo o mau agouro de uma história recém-iniciada já marcada pela falta do vinho, bebida essencial na cultura judaica e símbolo de fartura e bênção.
E, em meio a tanto barulho, lá estava uma mulher atenta aos detalhes; alguém percebeu e comentou que o vinho havia acabado, ou talvez ela mesma tenha notado. Como você reagiria ao receber essa notícia? Maria se dirige com serenidade ao seu Filho e pede ajuda. Jesus tinha seu planejamento e sabia que tudo tem seu tempo, por isso advertiu que ainda não era a hora. É justamente nesse ponto que, para mim, Maria revela mais uma vez por que foi escolhida para ser Mãe de Deus.
Pense comigo: você, mesmo cheio do Espírito Santo, faz um pedido ao Filho de Deus e Ele lhe responde que não é o momento. Ainda assim, Maria volta-se aos que estavam por perto e lhes diz o que devem fazer.
À primeira vista, isso parece estranho. Ele afirmou que não era hora, mas ela, no entanto, orienta os serventes. Maria ouviu seu Filho com clareza, confiando tanto no amor de Deus que jamais deixaria faltar o essencial naquela festa, e ousou crer em atos concretos. Acontecesse o que acontecesse, ela não pediu o milagre, mas a providência, e o que fosse necessário, talvez até esperar que seria feito.
O primeiro milagre público de Jesus veio pela confiança, assim como Sua concepção.
Muitas vezes falta vinho em nossa vida. E o que fazemos? Nos desesperamos, nos sentimos no escuro, desamparados, só há barulho. Mas você já voltou seus olhos para a Mãe e pediu colo? Pediu a Ela compreensão? Pediu a ela para conversar com Seu Filho? E, mais do que isso, fez o que ela pediu para ser feito?
Maria confia e age. E você, confia e age?
A devoção propriamente dita a Nossa Senhora com o título de Mãe da Divina Providência começou no início do século XVII. Na época, Padre Brás Palma decidiu sair em busca de recursos para finalizar a construção de uma igreja em honra a São Carlos Borromeu que já levava 15 anos de obras, mas faltaram recursos para finalizá-la. Em sua devoção por Nossa Senhora, pediu intercessão enquanto ia de um lado a outro pedindo por ajuda, mas nada acontecia até receberem de um cardeal falecido o testamento com os recursos para concluir a obra.
O mais impressionante é perceber que tempo, planejamento e confiança caminham unidos. Deus deseja que façamos planos e que tenhamos clareza de visão, pois isso também coopera com a Providência. O tempo passará, queiramos ou não, mas consagrá-lo a Deus, Senhor soberano do passado, do presente e do futuro, é reconhecer que a vida guarda um mistério que nos ultrapassa. Estamos no último dia de fevereiro de 2026; talvez você leia estas palavras em outra data, dentro de uma semana, um mês ou até mesmo em 2033. Seja qual for o dia, o tempo que dediquei para escrever e o que você dedicou para ler foi consagrado a Deus.
Quem planeja e vive os dias no Senhor compreende que confiar não é receber a resposta no mesmo instante em que a oração é feita. Confiar exige tempo, e o tempo purifica as intenções, amadurece os desejos e fortalece a esperança.
É por isso que o Calendário da MI chega todos os anos à sua casa. Ele é um lembrete diário de que o tempo pertence ao Senhor e de que Maria sabia disso e deseja partilhar essa certeza com você. A doação feita por meio do boleto é um gesto concreto de planejamento e confiança que se estende ao longo do ano. Contemplar o Calendário é recordar, dia após dia, que o tempo pode ser organizado com Deus e sob o olhar materno de Maria.
Faça sua doação e ajude a Obra
Por isso, agora, independentemente das circunstâncias que você esteja vivendo, convido-o a rezar comigo:
Oração Mãe da Divina Providência
Ó Maria. Mãe da Divina Providência, entrego-me inteiramente a vós.
Orientai a minha vida e obtende-me a graça de cumprir fielmente a divina vontade.
Alcançai-me o perdão dos meus pecados e sede minha proteção e guia, todos os dias de minha vida.
Amparai-me nas horas de luta e sofrimento.
Ajudai-me, ó Maria, a conseguir a renovação interior do meu coração, para que nele eu possa acolher vosso divino filho, Jesus.
Livrai-me de todo mal e de tudo que possa ser obstáculo à eficácia de vossa proteção.
Ó doce Mãe da Providência, lançai um olhar materno sobre mim;
e, se ofendi o Coração Sagrado de Jesus, cobri-me com o manto de vossa proteção e serei salvo.
Vós sois a minha esperança neste mundo, guiai com segurança os meus passos até a vida eterna.
Amém.
Que a Providência se manifeste em sua vida, não porque Deus lhe concederá exatamente aquilo que deseja, mas porque Ele já lhe oferece tudo o que é necessário para a sua salvação e para o seu crescimento. E, quando o vinho faltar, que você saiba a quem recorrer, que saiba esperar e que saiba obedecer.
Que nunca falte o vinho em sua vida, e que jamais falte em seu coração a confiança naquela que sempre nos conduz ao Filho.
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