Esse tema não saia do meu coração, talvez porque eu e você estejamos inseridas em uma sociedade na qual o “fazer mais” se tornou sinônimo de valor, dignidade e até identidade.
Em Êxodo 20,3-5, Deus nos diz de forma muito clara:
“Não tenham outros deuses além de mim. Não façam para vocês nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra ou nas águas. Não se prostrarão diante deles nem lhes prestarão culto.”
Quando falamos de ídolos, estamos nos referindo àquilo em que depositamos nossa felicidade, o sentido da nossa existência e a razão pela qual acreditamos que a vida vale a pena. Pode ser a carreira, os filhos, as viagens, o amor e a aprovação dos outros, o dinheiro e, neste caso específico, a performance.
Performance diz respeito ao desempenho e à execução de tarefas, destacando eficiência e resultados, geralmente associada a alto rendimento físico ou profissional. A alta produtividade, por sua vez, costuma vir revestida de algo aparentemente positivo. Afinal, quem não quer ser produtiva? Seja honesta. Existe até certo mérito social em dizer que se tem muitas coisas para fazer, que não há tempo para nada, que a agenda está sempre lotada.
Essa falsa sensação de estar fazendo algo valoroso é sedutora e, exatamente por isso, tão perigosa. Pense em um pitbull rosnando e mostrando os dentes afiados. Você naturalmente ficaria atenta ao passar por ele. Agora imagine um filhote pequeno e fofo. Ele parece inofensivo, e justamente por isso uma mordida seria uma surpresa. Assim funciona a idolatria da produtividade.
A produtividade em si não é o problema e, quando bem aplicada, pode trazer qualidade à nossa vida. O que se torna nocivo é a pressão externa que dita como devemos usar o tempo, nos colocando constantemente no papel de quem está atrasada na vida.
Mas atrasada em relação a quê?
O problema começa quando a produtividade ocupa o lugar de ídolo e passamos a acreditar que fazer sempre mais e melhor garantirá nossa salvação, nosso valor ou nossa aceitação. A obra das nossas mãos, porém, não nos salva. Esse papel é de Cristo, não nosso.
Mesmo dentro da vida cristã, isso acontece com frequência. Assumimos diversos papéis na Igreja, o que é importante e necessário, mas em que momento servir se transforma em um acúmulo de funções que não deixa espaço para a oração, para o silêncio e para o convívio verdadeiro com a família? Nesse cenário, até o serviço à Igreja pode se tornar um ídolo, não mais a glorificação de Deus pela própria vida.
Por isso, seja honesta consigo mesma. As muitas atividades, os checklists intermináveis e o foco constante no desempenho estão a serviço de quê? Do ego que precisa provar que é o melhor ou de um fazer que transborda na vida de outras pessoas e, sobretudo, edifica o seu relacionamento com Deus?
De onde surgiu a ideia de que fazer mais e fazer melhor preencherá um vazio que só Deus pode preencher?
É preciso ter cuidado para não trocar a liberdade que Cristo nos deu pela prisão da performance. Cuidado com as mentiras que nos fazem acreditar que precisamos fazer algo para merecer o amor de Deus. O fazer cristão nasce da gratidão, não do sacrifício por merecimento. Fazemos porque Deus é bom e porque reconhecemos isso, não para conquistar algo d’Ele.
Mas qual é o caminho, então?
Aprender na Palavra como viver cada dia. Jesus é um exemplo profundamente revelador. À medida que Ele ganhava notoriedade, os afazeres aumentavam, as demandas se multiplicavam, mas Ele nunca estava apressado. Jesus sabia quem era, entendia o plano do Pai e discernia o que precisava ser feito. Ele não se tornou refém das urgências, nem das expectativas dos discípulos.
Há um momento emblemático relatado na Bíblia em que Jesus decidiu passar por Samaria. Geograficamente, os judeus costumavam contornar aquela região, mas Jesus escolheu atravessá-la, pois desejava encontrar uma única pessoa.
Esse é o seu Deus. O Deus que toma o caminho aparentemente mais longo para se encontrar com você. Um Deus que não serve ao tempo nem se submete à lógica da pressa.
Que Ele nos ensine a ressignificar o “fazer mais” pelo "fazer com sentido". Que o mundo não seja a nossa régua e que o ego não seja o nosso guia.
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