A questão do “maior mandamento da Lei” corresponde a uma preocupação presente já na antiga tradição judaica de encontrar um princípio unificador das várias formulações da vontade de Deus. Tratava-se de discernir entre os numerosos mandamentos o que melhor exprimisse o âmago profundo e fosse uma espécie de essência de todos os mandamentos.
A esta questão clássica que lhe é posta em termos polêmicos, Jesus responde: “amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e todo o teu entendimento” (Mt 22,37). Esta resposta não é nenhuma novidade, pois, ela reproduz, praticamente na íntegra, o credo bíblico, que todo fiel judeu tinha que rezá-lo duas vezes ao dia: “Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Portanto, amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,4-5).
Este mandamento que propõe o amor íntegro e total a Deus como único Senhor é apresentado por Jesus como “o primeiro e maior mandamento”. A ênfase é colocada na totalidade deste devotamento a Deus, enumerando as três faculdades que definem o homem nas suas estruturas pessoais profundas: coração, alma e mente.
Este princípio perpassa todo o ensinamento e a práxis de Jesus (cf. Mt 6,24). O protótipo desta íntegra e total dedicação a Deus é o próprio Jesus na sua relação única de Filho (Mt 11,27). A originalidade evangélica se inicia com a segunda parte da resposta de Jesus, em que estabelece uma relação de semelhança entre o primeiro e o segundo mandamento. Jesus não pretende equiparar os dois mandamentos, mas colocá-los em relação com toda revelação bíblica da vontade de Deus (lei e profetas).
Por isso conclui com esta afirmação: “nestes dois mandamentos se engatam toda a lei e os profetas”. Esta maneira de falar exprime um jeito próprio de interpretar o Antigo Testamento como revelação da vontade de Deus. No duplo mandamento do amor, a vontade de Deus, testemunhada pela lei e pelos profetas, tem sua máxima e completa expressão. Pode-se dizer que a chave de interpretação do Antigo Testamento para apreender a vontade normativa de Deus é o mandamento do amor a Deus e ao próximo.
O contexto desta polêmica é um ambiente dominado por mestres da lei e fariseus para os quais todos os mandamentos têm igual importância. Com efeito, sua atenção não se dirigia tanto para os conteúdos da Lei, quanto para sua característica formal de imposição. Poder-se-ia dizer que valia o princípio da lei pela lei. Jesus, ao estabelecer o duplo mandamento de amor a Deus e ao próximo como princípio unificador de toda a lei, confirma o escopo da sua missão: dar pleno cumprimento à lei (Mt 5,17).
A fala de Jesus não se reduz, porém, a este contexto polêmico. Toda a Igreja tem necessidade de ser guiada para uma autêntica interpretação da vida cristã. O fundamento último da existência cristã não é confronto com numerosas prescrições, normas, proibições e preceitos, mesmo de origem divina, mas um “encontro” com o Amor como opção de fundo e escolha precisa de um horizonte de vida, capaz de dar coesão e unidade às múltiplas decisões setoriais e aos diversos comportamentos. Portanto, cada cristão é interpelado pelo seu Senhor a verificar a própria opção fundamental de amor a Deus e ao próximo.
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