A parábola dos talentos fala de um senhor rico que, antes de viajar ao estrangeiro, confia seu dinheiro a três servos: ao primeiro, entrega cinco talentos; ao segundo, dois e ao terceiro, um talento.
Os dois primeiros servos, logo que receberam o dinheiro, se empenharam em fazê-lo frutificar. Quando o patrão voltou e os chamou para o acerto de contas, eles apresentaram um rendimento de cem por cento: o que havia recebido cinco talentos entregou dez e o que havia recebido dois entregou quatro. O senhor imediatamente os reconhece como servos bons e fiéis, confiando-lhes bens maiores e admitindo-os à plena comunhão com ele: “Entra na alegria do teu senhor” (25,21.23).
Por último, chegou o servo que tinha recebido um talento só e o entrega ao senhor tal e qual, dizendo que por medo do castigo havia escondido o talento recebido. O Senhor fica indignado com a atitude daquele servo e o chama de servo mau e preguiçoso. Não o admite à comunhão de vida com ele. Ao contrário, manda que seja lançado fora nas trevas, onde não há alegria, mas choro e ranger de dentes (cf. Mt 8,12).
Talento no tempo de Jesus era quantidade valiosa de dinheiro e, para nós, passou a significar qualidades e potencialidades pessoais. Mas a parábola dos talentos não está falando de dinheiro nem “talentos” pessoais. Os talentos que os servos recebem, nessa parábola, significam a vida cristã; trata-se do evangelho, da fé que recebemos no batismo. Todo batizado e toda batizada têm a missão de “fazer multiplicar” a vida cristã recebida, aplicando-se com coragem a testemunhar o evangelho, têm de ser sal da terra e luz do mundo por meio de boas obras para que outras pessoas também cheguem ao conhecimento de Cristo (Mt 5,13-16). O cristão que por medo, comodismo, preguiça ou qualquer motivo não se arrisca a viver um bom testemunho do evangelho onde quer que esteja: na família, no trabalho, no lazer e em qualquer situação é como uma enorme quantidade de dinheiro enterrada ou como sal que não salga e luz escondida. Dinheiro enterrado não compra nada, sal que não salga não dá sabor e luz escondida não ilumina. São inúteis. Sem testemunho, a vida cristã é estéril. Não gera vida!
O senhor que viajou para o estrangeiro, confiando sua riqueza aos servos, é Jesus morto e ressuscitado que subiu aos céus. Os servos a quem ele confiou sua riqueza somos cada um de nós. Chegará o dia em que teremos de prestar contas a ele. Naquele momento, ele não vai nos perguntar quanta riqueza acumulamos em dinheiro ou propriedades, ao longo da vida. Tampouco vai nos perguntar se fomos pessoas “talentosas” que alcançaram fama pelos cargos exercidos, livros escritos, shows apresentados ou CDs gravados. Não vai nem mesmo perguntar se fomos Moisés, Elias ou se realizamos algum milagre. Ele vai nos perguntar: você foi você mesmo, o cristão que se tornou pelo batismo? Você se aplicou para viver a fé de maneira fecunda pelo testemunho diário lá onde você estava? O que você fez da sua vida cristã?
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