Quando Jesus estava para ser crucificado, foi acusado de se passar por filho de Deus. Ora, Jesus revelou mais do que o fato de ser Filho de Deus, revelou a paternidade universal de Deus que abre a maneira como Ele nos ensinou a rezar por meio do Pai-nosso. Mas Jesus, além da revelação de “novidades” reafirmou a genuína fé hebraica. Ele mesmo foi um judeu assíduo na sinagoga e no Templo. Sobre Sua cruz, colocaram a indicação de que era o "Rei dos Judeus". Jesus não tomou para si o título de rei, mas afirmou a soberania de Deus sobre Seu povo por meio de Suas palavras, gestos e orações.
O Pai-nosso começa dando a Deus o lugar mais alto: o céu. Em seguida, recorda a santidade absoluta de Deus afirmada em Isaías (6,3). Com clareza pede que se estabeleça no mundo o reinado de Deus, que a soberania de Deus seja instaurada sobre os homens. Inspirada em diversos salmos, mas tomamos como exemplo o 103, e em Isaías 9,6, seria uma espécie de governo ou regimento para os homens segundo os desígnios de Deus.
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O reinado de Deus não é algo político ou econômico. Talvez passe por isso, mas é algo profundo e humano que contempla fazer a Vontade de Deus. Não simplesmente obedecer, mas desejar que a vontade divina, o melhor, o bem, a plenitude, seja realidade entre os homens. O Pai-nosso lembra ainda que essa soberania de Deus não vigora sobre os sete mares antigos, do nascente ao ponte, ou de mar a mar, mas liga o céu e a terra. Perpassa toda a criação e toda a realidade eterna sendo “mais do que imensa”, sendo a inteireza, a completude, abarcando o tempo e a eternidade, a criação que vive seu tempo na terra guiada pela graça divina e a destinação no céu para a glória eterna.
Jesus trouxe a “inovação” de chamar a Deus de Pai de todos, mas com base na visão da soberania de Deus que não oprime o homem, mas o liberta para a plenitude da vida.
Referência
STADELMANN, Luís. Hinos cristãos da Bíblia. Paulinas, Loyola. 2016
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