Por Espiritualidade Em Formação Atualizada em 17 NOV 2020 - 08H57

Três princípios da vida espiritual

Os jesuítas, quando pregam um Retiro espiritual, costumam dividir as meditações em três pontos. O Papa Francisco faz o mesmo nas suas homilias. Vamos descobrir o por quê

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Por Padre Luís González-Quevedo, sj

Lembro-me de um livro espiritual que encontrei na minha juventude, nessa idade em que um bom livro pode nos ajudar a orientar a nossa vida no caminho do bem. Era um livro antigo, escrito por um velho jesuíta chamado Maurício Meschler (1830-1912), que teve a boa ideia de sintetizar a vida espiritual em três princípios fundamentais.

O Padre Meschler, que era suíço, escrevia em alemão. Seu livro se intitulava “Drei grundlehren dês geistlichen lebens” (três princípios da vida espiritual). Publicado pela Editora Herder, o livro foi logo traduzido ao italiano, ao francês, ao inglês, ao húngaro, ao castelhano e ao português. A tradução portuguesa, de 1923, se intitulava “A vida espiritual reduzida a três princípios”. Com um pouco de sorte, você poderá encontrá-la em sebos ou na internet.

Os três princípios fundamentais da vida espiritual, segundo o Padre Maurício Meschler são: Beten (orar), sichüberwinden (vencer-se), den göttlichen heiland lieben (amar o Divino Salvador).

1 –Toda vida espiritual começa com a oração, que não é outra coisa senão falar com Deus, adorando-O, louvando-O, dando-lhe graças, pedindo-lhe perdão por nossos pecados e intercedendo pelas necessidades próprias e alheias.

O autor falava da “oração vocal”, da “oração mental”, das “devoções na Igreja” e, finalmente, do “espírito de oração”.

2 –Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, que o Padre Meschler fez e pregou muitas vezes, têm por finalidade “vencer a si mesmo e ordenar a própria vida, sem se determinar por nenhuma afeição desordenada”.

Todos os santos, todos os autores cristãos sabem que a vida do homem sobre a terra é luta (Jó 7,1), “combate espiritual”. São Paulo o disse com muito realismo: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rm 7,19). Para fazer o bem, para amar de verdade, precisamos lutar contra o mal que se esconde em nosso próprio coração.

3 – Finalmente, toda a vida espiritual do cristão se resume em “conhecer, amar e seguir Jesus Cristo”.

É Nele que encontramos força para sairmos vencedores na luta contra nosso egoísmo. Como não amar quem tanto nos amou? Ele entregou sua própria vida por nós. “Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada? (...) Pois em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou” (Rm 8,35-37).




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