Por Espiritualidade Em São José Atualizada em 19 MAR 2021 - 10H59

São José: o guardião da Igreja

Sobre o Ano de São José, Angélica Lima conversou com Dom Pedro Carlos Cipollini, Bispo de Santo André, em São Paulo, e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé

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Dom Pedro Carlos Cipollini é bispo da diocese de Santo André, em São Paulo


Dom Pedro, o quê se sabe sobre São José?

A Bíblia fala pouco de São José, mas fala o suficiente. Basta pensarmos que na Bíblia só tem duas pessoas que não dizem uma palavra: o Espírito Santo e São José. São José não diz nada na Bíblia, porém, a Bíblia fala o suficiente dele no sentido de que ele sempre cumpre a vontade de Deus. Um homem justo. A Bíblia chama poucas personagens de justo, porque é um atributo que se aplica a Deus.

A gente pode constatar que José deu a descendência de Davi para Jesus, é verdade?

Na tradição judaica era muito importante aquela questão da família, da descendência. A promessa era que o Messias nasceria na família de Davi e José era descendente de Davi. Embora não fosse o pai biológico de Jesus, ele era o pai diante da sociedade, pois assumiu aquela criança. Jesus recebe de José o nome e um lugar na sociedade. De forma que São José é reconhecido na sociedade do tempo de Jesus como pai. Tanto é que certo dia disseram: “Ele não é Jesus, o filho do carpinteiro?”.

Deus quis realmente que o Seu filho nascesse no seio de uma família. Podemos dizer que muito do que Jesus foi, enquanto homem, foi característica herdada de José?

Certamente. Quando pensamos na importância da figura do pai para uma criança, nós podemos avaliar a importância de São José na psicologia de Jesus que era o Filho de Deus que se fez homem. Então essa humanidade de Jesus precisou do pai, como nós precisamos quando somos pequenos. Naquela época, o filho obrigatoriamente tinha que exercer a profissão do pai. São José era carpinteiro, na época fazia de tudo um pouco nas casas. Ele convivia com o pai e, na sociedade hebraica, a figura do pai muito poderosa. Jesus viu nesse homem a autoridade e nós podemos perceber muitos traços em Jesus, que certamente ele aprendeu com José, da sua parte humana. Vemos, por exemplo, quando Jesus ensina a rezar chamando Deus de Pai: “Abbá”, paizinho, Pai nosso que estais no céu. Onde Jesus descobriu que Deus é “Abba”, é o paizinho? No exemplo do pai terreno!



Em comemoração aos 150 anos da Proclamação de São José como Guardião Universal da Igreja, pelo Papa Pio IX, o Papa Francisco decretou esse ano dedicado a São José. O que nós podemos aprender com esse ano de São José, esse presente que o Papa deu à Igreja?

Nós podemos aprender o valor daquelas pessoas simples e humildes que às vezes não falam nada e passam despercebidos, mas que são os amigos mais valiosos de Deus. Estive em missão na Diocese de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, e admirei como o povo de lá é devoto de São José. Valei-me São José!, repetiam sempre. Todo nordeste do Brasil tem uma grande tradição de devoção a São José. A questão do clima, da chuva, da colheita, toda aquela dinâmica de sustento. Acho que o ano de São José, além de nos despertar para ver o valor das pessoas simples, deve despertar também a devoção.

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