Por Matilde Luvisotto Em São Maximiliano Kolbe

Apaixonante vida e espiritualidade de São Maximiliano

Acolhendo o pedido do Frei Sebastião para traduzir os escritos de São Maximiliano para o português, me deparei com uma obra grandiosa: 2200 páginas, recolhidas em Roma, Polônia e Japão e organizadas em um único volume

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Eu pensava que conhecia São Maximiliano Kolbe por meio de suas biografias e de algum material já impresso, porém, quando me deparei dia a dia com seus escritos, fui sendo envolvida pela personalidade forte e marcante “focada” na missão, mas ao mesmo tempo misericordiosa, deste grande santo. Em suas cartas vi um jovem preocupado em manter-se firme em seus propósitos e promessas e que confiava à sua mãe terrena seus temores, manifestando-nos um relacionamento amoroso e íntimo com ela. Depois, antes mesmo de ser sacerdote, o seu desejo de fundar a Milícia da Imaculada, mostrando já muito cedo o seu amor a Nossa Senhora e a Jesus crucificado.

Poderíamos caracterizar a espiritualidade do jovem Kolbe de cristológica e mariana, e que ao longo dos anos foi amadurecendo, como testemunham suas cartas, anotações pessoais e artigos. Kolbe, de fato, mostra que só o amor pode ser a fonte da força e da perseverança. Seu amor se resume à imitação de Cristo crucificado. Frequentemente repetia: “Estuda o Crucifixo, torna-te semelhante a Ele” (EK 966). Para ele tudo conduz à felicidade em Deus, através da Imaculada, até mesmo as cruzes, o próprio sofrimento.

Estudos

São Maximiliano passou sete anos em Roma estudando e seus escritos dessa época mostram um dedicado estudante, inteligente e disciplinado. A doença dos pulmões, porém, já se manifestava terrível, obrigando-o a se internar para recuperar a saúde. Nunca li uma linha sequer em que ele reclamasse ou se lamentasse a respeito da doença. Depois de ser ordenado sacerdotes, após um ano do retorno à Polônia, piorando sua condição de saúde, foi preciso internar-se em um sanatório. Causou-me espanto a serenidade com que viveu esse período; independentemente da necessidade de repouso e das febres recorrentes, ele se envolveu em um apostolado direto com os internos e até mesmo com o diretor do sanatório, que se declarava ateu.

A Milícia da Imaculada, já em desenvolvimento na Polônia, ocupava todo o seu tempo. Alguns frades vieram em seu auxílio para a elaboração da revista que mês a mês aumenta sua tiragem. É admirável sua confiança na providência divina mesmo diante das condições financeiras adversas. Maximiliano, um padre recém-ordenado, com tamanha responsabilidade!

Missão

Eu me alegrava com São Maximiliano Kolbe ao traduzir os textos sobre a fundação da Cidade da Imaculada. Em meio a esse trabalho frenético, não apenas com o admirável complexo editorial, como também na formação dos vocacionados que aumentavam exponencialmente, ele viu que era hora de ir em missão para o Oriente.

O coração missionário desse nosso santo é inquieto. Ele sentia a urgência da evangelização além-fronteiras. Sofria com a ideia de que muitos ainda não conhecessem Jesus e a Imaculada, e não a amassem suficientemente para se entregarem ao seu Imaculado Coração. O sonho de conquistar o “mundo inteiro a Cristo sob a mediação e a proteção da Imaculada” sempre gritou alto em seu íntimo. Eu me perguntava: como pode um missionário ir a uma terra longínqua, sem saber o idioma, sem dinheiro e sem lugar para ficar? E ele chegou a Nagasaki, no Japão e, acreditem, em apenas um mês em terra nipônica já imprimiu a primeira revista em japonês. Foram muitos os desafios que ele enfrentou na nova missão. Tinha deixado seu irmão, em quem confiava muito, à frente da Cidade da Imaculada na Polônia.

Os dois trocavam correspondências semanalmente para resolver questões internas e de apostolado. Mas, antes que a missão japonesa completasse um ano, o irmão, Padre Afonso, morreu. Nesse momento eu chorei com São Maximiliano. Imagino os sentimentos que o invadiram, a dor da perda, a preocupação com a Cidade da Imaculada, mas o empenho na missão falava mais alto.

Ideal

Sua inspiração era a Imaculada! Procurou se conformar a Ela, deixou-se modelar e guiar por Ela. Na base de tudo isso está a consagração a Nossa Senhora. Ele acreditava que fazendo a vontade da Imaculada estaria cumprindo a vontade de Deus. Sua mariologia, como o tempo, se mostrou madura e única: uma mariologia trinitária. Parece até que já previa as exortações de Paulo VI, na Marialis cultus, de que a mariologia deve ser trinitária, cristológica e eclesial. Em seus artigos se vê claramente o desenvolvimento de sua espiritualidade, enriquecida e até transformada.

Ao longo dos anos mostra uma atitude contemplativa, e diria até mística. Mostra, além disso, que a missão de Maria é essencialmente eclesial: “Estritamente falando, o objetivo da Milícia da Imaculada é o mesmo objetivo da Imaculada. Ela, com efeito, como Corredentora, deseja estender a toda a humanidade os frutos da redenção realizada por seu Filho e faz de tudo para conquistar para Cristo os hereges, os cismáticos, os maçons, os hebreus etc. O único desejo da Imaculada é o de elevar o nível da nossa vida espiritual até os cumes da santidade” (EK 1220).

Livro

 Esta grande obra, Escritos de São Maximiliano Kolbe vai apaixonar os leitores, envolvendo-os na aventura do “mártir da caridade”, missionário incansável que dedicou sua vida ao amor a Deus e aos irmãos. Poderão descobrir seu segredo, ou seja, o grande amor à Imaculada manifestado na sua entrega total e incondicional a Ela, e que o fortaleceu no apostolado. Que São Maximiliano Kolbe nos ajude a redescobrir a ternura de Nossa Senhora. Deixemos que ele nos mostre a força de sua maternidade e nos estimule para a missão, pois a evangelização é urgente e depende de cada um nós.




Escrito por
Matilde Luvisotto (Arquivo MI)
Matilde Luvisotto

Matilde Luvisotto é mílite consagrada há mais de trinta anos, participante do primeiro grupo de leigos formados pelo Frei Sebastião para iniciar a missão da Milícia da Imaculada na cidade de Santo André-SP.

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