Todos nós sabemos a importância das metas e, nesta época do ano, é natural que sejamos tomados por uma motivação renovada e por uma esperança legítima de um futuro melhor, mais organizado e mais coerente com aquilo que desejamos viver.
Em Habacuque 2, 2, Deus nos orienta com clareza ao dizer:
“Escreva em tábuas a visão que você vai ter, escreva com clareza o que vou lhe mostrar, para que possa ser lido com facilidade. Ainda não chegou o tempo certo para que a visão se cumpra; porém ela se cumprirá sem falta.”
Essa orientação divina demonstra que ter metas é importante e necessário, mas então surge uma pergunta honesta, que poucas pessoas se permitem fazer com profundidade: por que, na maioria das vezes, não conseguimos realizar aquilo que planejamos, ou por que, já por volta de abril, abandonamos silenciosamente nossas resoluções apenas para não lidar com a frustração?
Para que uma meta tenha mais chances reais de se concretizar, é preciso considerar aquilo que pode dar errado. Não de forma pessimista, mas com maturidade. Este período é propício tanto para encerrar ciclos e refletir sobre o que precisa ser mudado quanto para idealizar metas de forma mais consciente, menos idealizada e mais enraizada na realidade.
Costumamos acreditar que as metas funcionam de maneira linear, primeiro escolhemos a meta, depois traçamos os objetivos e, ao final, alcançamos o resultado no tempo estipulado ou até antes. A vida, porém, não se organiza assim, porque ela é dinâmica, atravessada por imprevistos, responsabilidades e circunstâncias que não pedem licença para acontecer.
Vamos visualizar isso na prática. Suponha que você deseje emagrecer dez quilos em seis meses, para que, nas férias de julho, essa meta já esteja concluída. Para isso, você decide ir à academia seis vezes por semana, alimentar-se bem e cortar completamente os doces da sua rotina.
Temos então uma estrutura aparentemente perfeita:
Meta: emagrecer dez quilos até julho de 2026.
Objetivos: exercícios físicos seis vezes na semana, três refeições saudáveis por dia, nenhum doce.
Data: cinco de julho de 2026.
Essa é uma meta que tende a falhar porque ela não considera a vida acontecendo. E é aqui que entram perguntas essenciais. E no dia em que o seu carro quebrar, você irá à academia de ônibus com a mesma disposição? Quando adoecer e precisar ficar uma semana sem se exercitar, como lidará com a culpa e com a frustração? No aniversário do seu filho, sendo você quem prepara as refeições, você provará os doces ou se sentirá em falta consigo mesma? E se a sua família não quiser seguir a mesma alimentação que você, ou se o seu marido desejar comer pizza, você se sentirá sozinha, incompreendida ou exigirá dele algo que é, antes de tudo, uma decisão sua?
Para que uma meta tenha mais chances de se sustentar ao longo do tempo, é necessário criar um plano de contingência, ou seja, decidir com antecedência o que você fará quando o plano ideal não for possível, quando tudo parecer dar errado e quando a realidade exigir ajustes.
O próprio Cristo nos alerta: “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo. Eu venci o mundo.”
Escrever tudo em um papel não elimina as aflições, mas organiza o espírito. Elas fazem parte da vida, não são sinal de fracasso, e estar preparada para elas, mantendo o ânimo, é também uma orientação divina.
Nesse processo, Deus precisa ser incluído de forma consciente e verdadeira. Além dos desafios cotidianos, há algo ainda mais profundo: nós não temos plena noção do que Deus reservou para nós. E se, neste momento da sua vida, emagrecer não for a prioridade divina porque, ao atravessar essa frustração, você será chamada a levantar outras mulheres junto com você? Por isso, a oração precisa ser mais madura do que simplesmente pedir resultados e pode ser feita assim:
Senhor Deus, em minha pequenez e limitação, eu acredito que esta meta seja boa para mim, mas peço que, acima de tudo, seja feita a sua vontade. Se for do seu agrado, que essa meta se torne um estilo de vida e que nada nem ninguém me impeça de vivê-la, mas se ela me afastar do seu plano para mim, que ela não se concretize, mesmo que eu sofra e não entenda.
O essencial não é decorar essas palavras, mas internalizar a intenção que existe nelas, o reconhecimento de que Deus é soberano, de que você pode e deve planejar, agir e traçar metas, mas que a palavra final não lhe pertence. Ainda assim, isso não significa usar a vontade de Deus como justificativa para a falta de empenho, por isso o questionamento precisa ser constante e honesto: será que estou fazendo a minha parte, sabendo que Deus já está fazendo a d’Ele?
Quando você inclui Deus no processo, a pressão de acertar ou errar diminui, porque você compreende o seu verdadeiro lugar, o lugar da coparticipação, que não é o lugar de Deus e tampouco o da omissão, mas o espaço maduro de quem age com fé, responsabilidade e humildade.
Que em 2026 você trace suas metas com bravura, não como projetos de performance pessoal, mas como caminhos de serviço, metas que edifiquem a sua passagem por esta terra e a tornem mais semelhante a Deus. Que seus objetivos carreguem, em seu sentido mais profundo, o desenvolvimento de uma virtude, porque não se trata apenas - por exemplo - de estar dez quilos mais magra, mas de cuidar do Templo que Deus lhe confiou para ter disposição de viver sua missão e espalhar a Palavra também pela sua imagem.
Metas realistas, conscientes dos desafios, submetidas à vontade divina e capazes de transformar não apenas resultados, mas o coração de quem caminha.
Um deslumbrante 2026 para você.
Salve Maria Imaculada!
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