Esta semana celebramos o Dia das Mulheres e, mulher que sou, sempre me perguntei — e provavelmente você também já se perguntou —: o que é ser mulher?
Essa é uma pergunta complexa. Nos tempos atuais, as respostas muitas vezes se misturam com atribuições sociais, visões distorcidas e muitos achismos.
Na Bíblia, encontramos diversos exemplos de mulheres extraordinárias, e Nossa Senhora é o maior deles. Em Provérbios 31,10-31, está o Poema da Mulher Forte, hoje muito conhecido, e também frequentemente mal interpretado. Por isso, quero compartilhar um pouco da riqueza desse ensinamento.
Antes de comentar os versículos, é importante compreender o contexto do Livro de Provérbios. De forma simples, ele reúne conselhos práticos sobre como o povo de Deus deve conduzir sua vida. O Poema da Mulher Forte aparece como conclusão do livro e sintetiza muitos dos princípios apresentados ao longo de toda a obra.
Por isso, é preciso cuidado: este poema não deve ser entendido como uma regra de como uma mulher precisa ser. A própria Bíblia, em sua totalidade, é o verdadeiro direcionamento de Deus. Aqui, somos convidados a olhar para princípios, não a tentar copiar uma única forma de vida. Agora, vamos a ele:
¹⁰ Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.
Os rubis eram pedras raras naquela época. A metáfora mostra que a mulher virtuosa não é comum, mas rara, moldada pelas atitudes descritas ao longo do poema.
¹¹ Seu marido confia nela e não deixa de encontrar vantagens.
O verbo “confiar” nasce de uma relação de amor e respeito. Em outras passagens da Bíblia, essa confiança também aparece na relação que devemos ter com Deus. Assim, nossas atitudes devem inspirar confiança naqueles com quem convivemos.
¹² Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida.
O destaque está na palavra “bem”, na virtude da bondade. E o texto diz “todos os dias”: não apenas quando convém. Seguir o exemplo do Mestre é agir com bondade constante — o que difere de simplesmente ser “boazinha”.
¹³ Ela adquire lã e linho, e suas mãos trabalham com prazer.
O linho era um tecido nobre e difícil de obter. A mulher virtuosa sabe escolher bem os recursos que utiliza. Mais ainda: encontra prazer em seu trabalho, entendido aqui como a ação de fazer aquilo que precisa ser feito.
¹⁴ Ela é como navio mercante, que importa de longe a provisão.
A metáfora representa alguém que sabe esperar. Mesmo quando a provisão demora, ela faz o necessário e aguarda com paciência.
¹⁵ Ela se levanta ainda quando é noite, para alimentar a família e dar ordens às servas.
“Levantar-se ainda de noite” não fala apenas de horário, mas de preparo. Ela se organiza, otimiza seu tempo e executa bem as tarefas do dia. É uma boa gestora da própria vida.
O texto também não enfatiza o fato de ter servas, mas a capacidade de administrar bem o lar e discernir prioridades.
¹⁶ Ela examina um terreno e o compra, e com o ganho do seu trabalho planta uma vinha.
Como já vimos antes, ela sabe escolher. É criteriosa e também prudente com o dinheiro. Com o fruto de seu trabalho, pensa no futuro e planta algo que dará frutos mais adiante.
¹⁷ Ela se prepara para o trabalho com disposição e põe em ação a força dos seus braços.
Há aqui também um sentido concreto: o cuidado com o corpo. Sendo templo de Deus, o corpo é chamado a ser forte e vigoroso. Para viver com alegria e disposição, é preciso cultivá-lo com saúde.
18 Alegra-se com o seu lucro, e sua lâmpada não se apaga durante a noite.
O trabalho dela dá lucro — sim, lucro — e não devemos temer ser lucrativos. Porém, o dinheiro não governa os tementes a Deus; ele apenas serve como instrumento para propagar o bem. Além disso, essa mulher é vigilante e está atenta. Não por acaso, o Evangelho nos recorda: “Vigiai e orai”. Muitas parábolas de Jesus também nos convidam à vigilância.
19 Ela estende a mão ao fuso, e com os dedos sustenta a roca.
O fuso e a roca eram ferramentas usadas para fiar fios. O princípio aqui é claro: essa mulher ocupa seu tempo com trabalho diligente.
20 Ela abre as mãos para o pobre e estende o braço para o indigente.
Destaca-se aqui a virtude da generosidade. Independentemente da condição em que vivemos, sempre é possível ajudar alguém. Isso nos tira do centro e inclui o irmão em nossa vida.
21 Quando cai neve, ela não teme por seus familiares, porque todos eles têm roupa forrada.
Mais uma vez aparece a ideia de preparo. Ela não teme o amanhã porque fez sua parte hoje e confia que Deus fará a Dele.
22 Ela tece mantas e se veste de linho e púrpura.
O linho, já citado anteriormente, era um tecido nobre e desejado. A púrpura era ainda mais rara e valiosa, usada por pessoas de prestígio. O texto mostra que essa mulher possuía reconhecimento social e não hesitava em escolher o melhor para si.
23 Seu marido é considerado nas portas da cidade, quando se senta com os anciãos da terra.
As portas da cidade eram locais de reunião e decisão. O marido estava entre as autoridades, em posição de honra. Também percebemos que a vida dessa mulher contribui para a honra de sua família. Provérbios apresenta o casamento como uma relação de companheirismo, não de competição. Que nossas ações também favoreçam o crescimento do outro.
24 Ela fabrica tecidos para vender, e fornece cinturões para os comerciantes.
Mais uma vez, aparece sua relação com o comércio. Além das vestes, ela produzia cinturões, peças essenciais para sustentar as roupas da época. Isso revela alguém atento às necessidades e demandas da sociedade.
25 Ela se veste de força e dignidade, e sorri para o futuro.
Na Bíblia, as vestes muitas vezes simbolizam identidade e missão. A mulher de Provérbios reveste-se de força e dignidade: sua vida é marcada por virtudes. Ela também sorri para o futuro porque cuida do presente, planta suas sementes e espera que Deus conceda a chuva.
26 Ela abre a boca com sabedoria, e sua língua ensina com bondade.
Quem vive segundo os preceitos de Deus não usa a língua para murmurar ou ferir. “A boca fala do que o coração está cheio” (Mateus 12,34). O caráter se revela nas palavras: no que dizemos, no tom que usamos e também no momento de falar ou silenciar.
27 Ela supervisiona o andamento da casa, e seu alimento é fruto de seu trabalho.
Essa mulher não se entrega à preguiça. É diligente e cuida do que Deus lhe confiou. O trabalho faz parte de sua vida, mas não é um peso. Descansar é necessário — e Deus mesmo aconselha o descanso —, mas quando o descanso se torna regra e o trabalho exceção, nasce a preguiça.
28 Seus filhos se levantam para cumprimentá-la, e seu marido a elogia: 29 “Muitas mulheres são fortes, mas você superou a todas elas!”
Ela é reconhecida por aqueles que convivem com ela e conhecem suas lutas e esforços. Mas a mulher virtuosa não age em busca de reconhecimento; ela vive assim por amor a Deus — e por isso se torna digna de louvor.
30 A graça é enganadora e a beleza é passageira, mas a mulher que teme a Javé merece louvor.
As qualidades externas passam. Isso não significa que não tenham valor — afinal, também foram criadas por Deus —, mas o verdadeiro fundamento dessa mulher é o temor do Senhor. O tempo pode levar aquilo que julgamos essencial, mas o que vem de Deus permanece.
31 Cantem o sucesso do trabalho dela, e que suas obras a louvem na praça da cidade.
O reconhecimento público de suas obras não resulta apenas de seu esforço, mas também da graça de Deus, que capacita aqueles que seguem Seus caminhos.
(Provérbios 31,10–31)
Em resumo, a mulher de Provérbios 31 sabe escolher bem: os recursos da casa, aquilo que veste, o que fala e como age. Trabalha com diligência, não dá espaço para a preguiça, multiplica seus bens e cuida do futuro. Possui força, administra bem o tempo e os recursos, e conduz com sabedoria aqueles que estão ao seu redor. Ela é virtuosa porque escolhe, todos os dias, viver segundo os ensinamentos de Deus.
Então, se há algo que o poema da Mulher Forte nos ensina, é que a virtude se constrói nas escolhas do cotidiano: na forma como trabalhamos, cuidamos dos outros, administramos o que recebemos e confiamos em Deus para o amanhã.
Talvez você não se reconheça em todas as qualidades descritas em Provérbios 31. O importante é perguntar, com sinceridade: em qual dessas virtudes Deus me chama a crescer hoje?
É assim, passo a passo, que a vida cristã vai sendo construída.
Se este conteúdo fez sentido para você e deseja continuar recebendo reflexões como esta, convidamos você a acompanhar nossas publicações, se inscrevendo em nossa newsletter, onde partilhamos semanalmente textos de formação, espiritualidade e vida cristã.
E se desejar ir além, você também pode se tornar benfeitor desta Obra. São os doadores que tornam possível que conteúdos como este continuem sendo preparados e compartilhados gratuitamente, alcançando tantas pessoas. Com sua ajuda, essa missão pode continuar!
Que o Espírito Santo lhe conceda a coragem de seguir no caminho das virtudes, e que a Mulher de Provérbios 31 seja sempre um lembrete de que honrar a Deus nos detalhes do cotidiano é a maior recompensa que podemos alcançar.
Um abraço e até a próxima.
Nossa Senhora da Divina Providência: o auxílio quando nos falta o vinho
Muitas vezes falta vinho em nossa vida, e o que fazemos diante disso? Desesperamo-nos, sentimo-nos no escuro, desamparados, cercados apenas por ruídos e inquietações. Mas, você já voltou seus olhos para a Mãe da Divina Providência e pediu colo?
Boas práticas cristãs durante a quaresma
A Quaresma é um tempo de reflexão, penitência e preparação para a Páscoa. Durante esses 40 dias, os cristãos são chamados a aprofundar sua vida espiritual, fortalecer a fé e praticar boas obras.
A Quaresma é o deserto que você precisa viver
O deserto da vida é realmente coisa de Deus ou do diabo? O fato de Jesus ter passado 40 dias no deserto, magro, fraco, sujo e tentado, não foi coincidência. Leia e saiba mais.
Boleto
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.