Por Jorge Lorente Em Colunista

Cores da nossa fé: tonalidade que realça!

Que proveito nos trouxe o orgulho? Que vantagens nos trouxe a riqueza, unida à arrogância? Tudo isso passou como uma sombra, como notícia que corre veloz” (Sb 5,8-9)

Pixabay
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O início de um novo ano, tempo de mudanças, me fez lembrar da casinha de madeira que abrigava o monjolo na fazenda da tia Clotilde. A casinha era pintada de azul-marinho, cor muito escura, por isso decidimos pintá-la de azul-celeste. Porém, a madeira já havia recebido tantas demãos de tinta que era pre¬ciso raspar e lixar as camadas anteriores, para aplicar a nova tonalidade.

Mal iniciamos a raspagem, surgiu a cor anterior, azul-celeste. Algum dos antigos proprietários já havia tido a mesma ideia. Após raspar uma grande área, deu para perceber que o azul-claro não ficaria tão bonito como se imaginava. “Por que não cor-de-rosa?”, alguém sugeriu. Acatamos a ideia e continuamos raspando. Apareceu o amarelo-ouro, o verde-garrafa, até que num dado momento surgiu o tom rosa, que também não agradou.

Raspamos tudo, até a última camada. Ao chegar na madeira, limpa e sem tinta, a surpresa foi enorme. Era mogno. A casa era toda construída em mogno maciço. Madeira nobre, muito comum e abundante naquela região em outras épocas. Hoje, praticamente extinta.

Desistimos da pintura e optamos por deixar o mogno exposto. Seria um “pecado” esconder sob a tinta aquela rara beleza. Bastou uma lixadinha e aplicar uma fina camada de verniz incolor para realçar toda sua beleza natural.

O mogno, por si só, é muito bonito, no entanto, no decorrer dos anos, o pintaram de diversas cores, crentes que iriam embelezá-lo. Na verdade cada camada de tinta só serviu para ofuscar, ainda mais, a sua beleza primitiva.

Existe muito do mogno em cada um de nós. Nascemos lindos. É incrível a beleza natural que Deus colocou em cada um dos Seus filhos e filhas. Deus nos fez à Sua imagem e semelhança, no entanto, não raro, todo esse esplendor fica escondido e re-coberto debaixo de camadas e mais camadas de colorações superficiais.

Primeiramente, como resultado da distância que criamos entre nossos irmãos, nos colorimos de lilás-orgulho. A seguir, resultante da falta de amor e unidade, vem uma camada de verde-desprezo. Por chamar mais a atenção, o amarelo-arrogância é bastante utilizado. E, por fim, recobrimos tudo no tom ouro-desamor.

É um “pecado” esconder toda essa beleza interior, quase em extinção, sob tantos artifícios e preconceitos. Nossa beleza primitiva pode e deve ser ressaltada, novamente. Basta uma lixadinha para retirar a aspereza superficial e aplicar uma camada de amor. Pronto, agora uma fina película incolor do verniz da humildade é o suficiente para realçar o brilho e a nobreza da madeira de lei que existe dentro do nosso ser.

Escrito por
Jorge Lorente
Jorge Lorente

Locutor da Rádio Imaculada, colunista e escritor de vários livros consagrados. Seu último lançamento foi a obra "Maria, mãe e mulher".

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