Por Frei Aloísio Oliveira Em Formação

“Eu sou a videira e vós, os ramos”

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Somos frutos do amor de Deus


No comentário do Evangelho (Jo 15,1-8) deste domingo (02), Frei Aloisio Oliveira destaca que na tradição bíblica, “videira” representa o povo de Israel em sua relação pessoal com Deus.

De fato, com palavras poéticas reza o Salmo 80,9: “Arrancaste do Egito esta videira e expulsaste muitas nações para plantá-la”. É uma clara referência ao relacionamento especial de Deus com o povo de Israel ao libertá-lo da escravidão do Egito e introduzi-lo na Terra Prometida. Mas, Israel foi infiel e não correspondeu à deferência carinhosa recebida.

Instalado na Terra Prometida, o povo de Israel desviou-se dos mandamentos da Aliança, degradando-se numa vida de pecados. Por isso o profeta Isaías dirá que Israel tornou-se uma videira selvagem que só produz uvas azedas, impróprias para consumo (Is 5,1-7).

No trecho do Evangelho da liturgia de hoje, o símbolo da videira é retomado e aprofundado com a declaração do próprio Jesus: “Eu sou a videira verdadeira” (Jo 15,1). De fato, depois dos repetidos fracassos do povo de Israel, ao longo da história, em cumprir os mandamentos da Aliança, surge Jesus que realiza plenamente a vontade de Deus.

Ele é o Filho que está em perfeita comunhão com o Pai: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30). O seu alimento é fazer a vontade do Pai que o enviou (cf. Jo 4,34). Jesus é, portanto, a “videira verdadeira” que produz, de forma superabundante, os frutos esperados por Deus e que Israel nunca conseguiu produzir.

Os discípulos que seguem Jesus, observando suas palavras, são os ramos da “videira” e Deus Pai é o “agricultor” que cuida desta videira para que produza frutos sempre mais abundantes. A ação de “podar” a videira é obra do Pai, realizada pela Palavra que o Filho anuncia.

A “poda” se refere claramente à situação dos discípulos antes de se converterem à Palavra do Evangelho. Antes disso, não podiam produzir fruto, isto é, não podiam viver como discípulos e discípulas de Jesus. Se agora podem, não é por si mesmos, mas em virtude da Palavra de Jesus que os purifica.

Jesus é o tronco da videira e os discípulos são ramos. Assim como os ramos só podem manter-se viçosos e produtivos se permanecerem no tronco de cuja vida dependem, também os discípulos só podem produzir frutos se permanecerem em Jesus.

Mas, onde já se ouviu falar de ramos livres para permanecerem ou não no tronco? Em lugar nenhum! A comparação é ilógica. Mas, exatamente disso extrai a sua força, pois um discípulo separado de Jesus não pode existir. É um absurdo! Pois, o princípio fundamental inequívoco, que não admite exceção, é este: “Eu sou a videira e vós, os ramos, sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

Escrito por
Frei Aloísio, Ministro Provincial
Frei Aloísio Oliveira

É Ministro Provincial da Província São Francisco de Assis dos Frades Menores Conventuais e especialista em Sagrada Escritura.

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