Colunista

Seguindo o exemplo de São Maximiliano

Recordamos neste ano os 80 anos da entrega da vida de São Maximiliano Kolbe. Vamos conhecer como o exemplo de evangelizador e sacerdote do santo impulsiona jovens em nossos dias como o Padre Ryan Holke.

Escrito por MI

16 JAN 2021 - 00H00 (Atualizada em 16 AGO 2021 - 10H19)

01 entrevista - janeiro 2021

Padre, conhece a música “De repente Califórnia”, né? É do filme Menino do Rio de 1981. Como foi trocar a vida nas praias pela vida consagrada?

Quando eu cheguei aqui no Brasil, faz quase 20 anos, eu me tornei um menino de novo, uma criança, assim, sem querer. Nunca pensei em voltar a ser criança, mas como eu não falava português, as pessoas começaram a me tratar como criança. Porque quando alguém não entende, você repete mais uma vez, você fala mais alto, você fala bem simples para essa pessoa entender e todo mundo falava comigo assim, e ao mesmo tempo eu tive que aprender tudo do zero.

Já conhecia a Milícia da Imaculada na sua terra?

Nunca tinha ouvido falar de São Maximiliano Kolbe, não conhecia a Milícia da Imaculada, enfim, não conhecia nada! Mas eu havia conhecido as Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe, lá na Califórnia, e elas me falaram: “Olha, Ryan, se você quiser fazer voluntariado, nós temos um grupo de rapazes lá no Brasil e você pode ficar com eles”. Cheguei aqui com prancha de skate, dinheiro para comprar prancha de surfe. Pensei que ia trabalhar perto do litoral; eu estava todo esperançoso, pensando em arranjar uma namorada brasileira, mas não foi isso que aconteceu. Fui muito bem acolhido pelos jovens Missionários da Imaculada-Padre Kolbe e senti o chamado vocacional para a vida consagrada.

Surfou em outras ondas então?

Interessante que as missionárias me disseram que eu ajudaria as famílias carentes numa ilha: “Uau, maravilha! Deve ter praias, umas ondas”. Mas acontece que nessa ilha hoje eu sou pároco, e ela fica dentro da represa Billings, então não é uma ilha no mar, mas quando eu percebi que Deus havia me conduzido a este lugar maravilhoso, mas totalmente diferente daquilo que imaginei, me entreguei a Deus.

De que forma São Maximiliano inspira você?

Fiquei impressionado como o pensamento de São Maximiliano Kolbe era aberto e como abrangia o mundo inteiro! Mas, o que foi o anzol que me pescou, foi o testemunho dele no no campo de concentração. Porque eu já havia estudado sobre os campos de concentração e a época do nazismo no ensino médio e lá na minha cidade, aliás na cidade vizinha, temos um museu do Holocausto e quando você entra você recebe o nome de uma pessoa que foi presa. E aí você vai vendo tudo o que aconteceu com essas pessoas e no final você fica sabendo se ela morreu ou sobreviveu a essa experiência. De todos os jovens que entraram nesse lugar, somente 5 ou 6 haviam sobrevivido. Os campos de concentração eram lugares horríveis e de um sofrimento tremendo, e São Maximiliano Kolbe entrou nesse lugar e não se sentiu preso. Em 2019 tive a oportunidade de ir a Auschwitz, de ver a cela, de entrar por aqueles portões. É isso! Entrar para o nosso mundo, entrar pelas periferias existenciais, as periferias geográficas, ir aonde ninguém quer, aonde ninguém acha que Deus se lembra, ir para aqueles lugares em que as pessoas se sentem abandonadas e ali entregar tudo o que a gente é para ser um sinal de Deus. E esse foi o caminho de São Maximiliano Kolbe! E enquanto fizermos isso, nós vamos ser pessoas livres, porque não há lugar em que você não possa dizer o seu sim a Deus. Não tem prisão, não tem dificuldade, não tem doença, não tem coisa que possa acontecer em nossa vida que possa tirar a oportunidade de dar a vida por alguém, de ser um sinal.

E como a gente pode seguir o exemplo de Kolbe?

De muitas formas: com palavras, às vezes é com nossos recursos, às vezes com nossos dons. É impressionante ver como Frei Kolbe fez de quase tudo, conversou com as pessoas, falava no trem, ia para lá, para cá, usava os meios de comunicação, mas quando ele não tinha mais nada disso deu a própria vida e ele fez como o próprio Cristo.

Ele morreu por um pai de família! Como diria o Evangelho, haverá mais alegria no céu por um só desses pequenos que se salvam, do que pelos noventa e nove que não estavam precisando.

Às vezes a gente pensa em conquistar o mundo inteiro, mas como a gente conquista o mundo inteiro?

 Começando com nós mesmos, depois com aquela pessoa que pre¬cisa de nós. Vamos, então, pedir a intercessão de São Maximiliano Kolbe, para que possamos abraçar a obra de todo o coração e que nós possamos dizer nosso sim, sem desanimar nunca! E que tenhamos a coragem e a força de dar a nossa vida.

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