Por Túlia Savela Em A Santa Missa Atualizada em 21 MAI 2020 - 13H00

A alegria verdadeira transforma até a cruz em serenidade

"Cada dia eu rezava como se fosse o último de minha vida", assim viveu um cardeal preso por anos. Frei Sebastião resgata seu exemplo e nos ensina como viver, com amor e gratidão, mesmo sob as dificuldades da vida




"A alegria verdadeira transforma até a cruz em serenidade", assegura Frei Sebastião Benito Quaglio, OFM Conv., guardião do carisma da Milícia da Imaculada, ao celebrar a Santa Missa, na manhã desta Quinta-feira da Sexta Semana da Páscoa, 21 de maio. Em sua homilia,  concluiu que a dinâmica da vida cristã é perder para ganhar. Uma cruz, vivida com o auxílio do Espírito Santo, se torna um desafio, uma conquista, que traz consigo frutos de vida e o sabor da vitória.

Em meio a seus discursos de despedida, Jesus prepara os discípulos para receberem o dom do Espírito Santo, que lhes garantirá a alegria, mesmo em meio às perseguições inerentes à missão de evangelizar. "A alegria verdadeira é um fenômeno interior da pessoa, e esta alegria é exclusivamente dom do Espírito Santo. (...) Jesus queria dizer (com as palavras do Evangelho de hoje) que a alegria verdadeira transforma até a cruz numa serenidade, é a força interior das pessoas que enfrentam a vida de uma maneira diferente", explicou o frade.

Nas orações finais, ele ensinou como viver a rotina sem tédio, sem depressão: "Viver o dia como se fosse o primeiro, o único e o último. Ver a vida como um dom e este dom, que nós recebemos de Deus, podemos devolver a Ele com o nosso amor, com a nossa gratidão. Nisso consiste a verdadeira alegria. E o Espírito Santo é quem nos dá essa amplitude de visão. Assim, você evita o colapso, o desânimo. Você evita a depressão, sabia? E o dia, que está igual aos outros, se torna diferente, porque você o vive com Jesus, com Nossa Senhora. É essa a chance que você tem".

Acompanhe a Santa Missa completa aqui. Para conferir as leituras, acesse a Liturgia diária

“Peça a verdadeira alegria ao Espírito Santo, porque ela é um dom do Espírito Santo!” Frei Sebastião Benito Quaglio

Ao abrir a celebração, o frade recordou que se aproximam as festas da Ascensão (24 de maio), de Pentecostes e a Coroação de Nossa Senhora (ambas no dia 31 de maio) e que todos se preparam com alegria: “Estamos preparando nossas flores feitas a cada dia vivido com amor. Que Nossa Senhora vamos colocar nesta Santa Missa habita em intenção de cada um de vocês

Acompanhe, em áudio e texto, a homilia e as orações finais, na íntegra. A edição de áudio é de Paulo Cardoso, da Rádio Imaculada:

Homilia:

É admirável a persistência de Paulo na evangelização. Sabemos que, depois daquele fato de Atenas, ele se retirou em Corinto. A comunidade dos Coríntios era a predileta dele. Aí ele ficou um tempo e, depois, retomou a evangelização sempre daquele ponto mais comum, que era a sinagoga. Mas, rejeitado pelos judeus, pelos da Sinagoga, então, decidiu se dedicar, totalmente, à evangelização dos pagãos, e foi morar na casa de um deles.

Paulo trabalhava com confecção de tendas, barracas. E foi hóspede de um senhor que, com a esposa, fazia esse trabalho. São Paulo queria dizer: “Eu estou vivendo com o trabalho das minhas mãos”.

Realmente, é admirável esse homem. Perseguido, mal-entendido, ele dava um jeito, e nunca deixou que a sua missão de evangelizador fosse interrompida, por nada.

Eu admiro, aliás todos nós, esse grande santo que nunca desistiu. Acho que isto é uma característica fundamental, porque ele foi muito perseguido, obstaculizado, mas Paulo, sempre, firme. Por que firme? Porque ele encontrou Jesus. Ele encontrou em Jesus a alegria da sua vida.

No Evangelho, no trecho de hoje, Jesus deixa todo mundo, assim, perplexo. Não é fácil entender o que Jesus estava dizendo: “Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”. Eles estavam perdidos e, Jesus aproveitou desta perturbação, dessa insegurança deles, para lhes apresentar, garantir, a verdadeira alegria.

O Papa dizia que a alegria não é rir, gargalhar, não é festa, não são aqueles sinais visíveis de festa, não.

A alegria verdadeira é um fenômeno interior da pessoa, e esta alegria é exclusivamente dom do Espírito Santo, porque Jesus dizia: “Ainda um pouco não me vereis; depois, me verei de novo”. Aqui Ele estava apontando para a cruz e a ressurreição. E Jesus queria dizer que a alegria verdadeira transforma até a cruz numa serenidade, é a força interior das pessoas que enfrentam a vida de uma maneira diferente.

Você já viu uma pessoa animada mesmo com tantas dificuldades? É isso aí. De onde vem? É um dom de Deus.

A alegria verdadeira não elimina as dívidas, o peso do trabalho, às vezes, desentendimentos familiares, problemas sociais... não. A alegria não elimina isso. Isso existe. Mas a alegria é uma luz que guia, que dá um jeito de dar sentido, contornar e arcar com todas as dificuldades, sem desanimar. É um jeito cristão de viver. É a presença do Espírito Santo na pessoa. A pessoa sente que a vida dela tem sentido: Por que tem que trabalhar todos os dias? Por que tem que cozinhar todos os dias? Por que tem que aguentar aquela pessoa todos os dias?

Se você tiver esta alegria, que é um dom do Espírito Santo, você vê nisso não uma obrigação, um peso, mas um serviço: tem chance!

Se eu pudesse dizer para vocês: quando se diz “aguentar uma pessoa”? Quando é um peso... Mas e se você procura conviver com essa pessoa transformando aquele peso em uma conquista sua? Às vezes, não tem resultado no dia seguinte; demora até anos, sabia?

Lembra-se da mãe de Santo Agostinho? O rapaz tinha 36 anos. Ele era um homem, um jovem, que tinha até filhos juntado com uma mulher. Ele tinha a sua vida e estava caçoando da mulher, da mãe, caçoando daquilo que ela acreditava. E a mãe, o que é que ela fazia? Persistia, insistia, ela acreditava na força de Deus. O que é que aconteceu com este jovem? Esse homem, já com 36 anos, que caçoava de toda a religião, se converteu, e se tornou o quê? Santo Agostinho, um dos maiores Padres da Igreja, porque uma mãe não se cansou de ter esta força da alegria interior, sabendo que a sua vida com o filho não era um castigo, uma penitência, mas era um desafio de uma conquista. Então, ela era uma guerreira que sabia lutar com a força do Espírito Santo e ela conseguiu a vitória.

Irmãos, todos nós estamos sujeitos a momentos de desânimos, de cansaço, vontade de chutar as coisas, mas, vamos olhar para São Paulo, vamos sentir Jesus, porque a alegria é um dom do Espírito Santo; não é fruto de um sorvete, de um bolo, de um dinheirinho.

A alegria verdadeira é uma luz diferente que brilha no teu coração, enxerga diferente, programa diferente, vê mais longe e toma a cruz com força, com coragem, com esperança. Peça essa alegria ao Espírito Santo, porque ela é um dom do Espírito Santo. Amém!

“Coloquemos no altar tudo quanto pertence à nossa vida. Vamos colocar também todos os doentes, atingidos pelos vírus, e vamos pedir por todos aqueles que estão agonizando. Vamos pedir a Jesus que dê-lhes, não sei como, esta alegria que transforma o coração do homem também nos momentos mais difíceis. Amém!”

Quando cremos que somos todos filhos de Deus, então estamos em paz

No momento da transubstanciação do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Jesus, o frade recordou a presença viva de Jesus na Eucaristia e perguntou por quê? “Porque Ele nos ama e se Ele nos ama, temos de sentir muita alegria, pois Ele ama a ponto de ser o nosso alimento e caminhar com conosco.

Orações após a comunhão

Irmão, irmã, a rotina de cada dia pode ser uma tortura. Digo isso para você e para mim. Como evitar que ela seja uma tortura? Nunca esqueço daquele Bispo Van Thuan que ficou preso por tantos anos numa solitária. Perguntaram, para ele, como é que conseguiu sobreviver. Ele disse: “Porque, a cada dia, pensava e rezava como como se fosse o primeiro da minha vida, o último da minha vida, o único da minha vida. E, assim, passaram-se os anos”. Esse bispo disse isso perante o Papa, quando foi libertado. Ele se tornou até Cardeal.

Sim. Viver o dia como se fosse o primeiro, o único e o último é uma coisa muito interessante: ver a vida como um dom e este dom, que nós recebemos de Deus, podemos devolver a Ele com o nosso amor, com a nossa gratidão. Nisso consiste a verdadeira alegria. E o Espírito Santo é quem nos dá essa amplitude de visão.

É necessário, irmão, irmã, ter essa visão. Você evita o colapso, o desânimo. Você evita a depressão, sabia? E o dia que está igual aos outros se torna diferente, porque você o vive com Jesus, com Nossa Senhora. É essa a chance que você tem.

Pensa: Deus Pai e Filho e Espírito Santo habita no teu coração. Qualquer gesto mínimo, pequeno, é um gesto divino. E esta é uma dignidade imensa. Ter consciência disso é a verdadeira alegria, dom do Espírito Santo.

Virgem Santa, ajudai-nos a ter esta alegria em nossa vida, sobretudo, neste tempo tão diferente dos outros meses, dos outros anos. Ajudai-nos que esta alegria nos dê força e entusiasmo, coragem, sentido à nossa vida, aqui, em casa, onde nós estamos, com quem estamos vivendo:

(oração da Consagração, Ave-Maria e oração final do missal)

Então, nós estamos aqui, olhando para Jesus presente e Nossa Senhora. Eles nunca vão nos abandonar. Eles serão o motivo da nossa verdadeira alegria. Estamos caminhando para a Festa de Pentecostes. Faltam poucos dias. E vamos abrir o nosso coração, para que o Espírito Santo possa colocar dentro dele esta alegria. E vamos cantar, para que Cristo possa derrotar tudo quanto é mau, desânimo, obstáculos na nossa vida, porque Ele reina, Ele vence, Ele impera. E Ele nos traz esses tempos maravilhosos, porque Ele é o rei de tudo:

(Christus Vincit, Regina Coeli e bênção final)



Pela intercessão da Imaculada, nossa Mãe, Deus derrame em você a serenidade, a paz, a verdadeira alegria!

Salve Maria Imaculada!

Salve Maria Imaculada!

Seja louvado o Nosso Senhor Jesus Cristo!

Para sempre seja louvado!

Saiba sorrir hoje, ouviu?

Um dia alegre, de serenidade, de coragem e de paz. Saiba sorrir, não tanto com os lábios, também, mas sobretudo, com o coração. Que os lábios e os olhos possam confirmar isso.

Hoje falta a flor aqui, mas vou trazer, à noite, de volta. Pois a flor é você nas mãos de Nossa Senhora.

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