Por Jorge Lorente Em Formação

O aprendizado do filho pródigo

“Vou encontrar meu pai, e dizer a ele: - Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço que me chamem teu filho. Trata-me como um dos teus empregados” (Lc 15,18-19)

Pixabay
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Depois de encenar muitas vezes a nossa peça teatral “Pai Misericordioso”, apresentada na revista anterior, surgiram muitas perguntas sobre o filho “cabeça oca”, como passaram a chamá-lo. Mais uma vez, fiz uso de minha imaginação e escrevi uma nova peça, onde o “Cabecinha oca” estava sendo entrevistado por um repórter. Vamos à parte do diálogo:

– Qual foi o motivo que o fez deixar seu lar, sua família e partir para o desconhecido?

“Faltava algo dentro de mim. Minha mãe, meu refúgio, meu tudo, havia falecido. Sem a presença dela, minha casa e minha vida eram vazias, sem sentido. Eu me sentia o mais infeliz dos homens. Influenciado pelos amigos eu acreditei que felicidade é algo que pode ser comprado, portanto, bastaria ter dinheiro na mão para adquiri-la”.

– Conte para nós como foi sua vida após sair de casa?

“Um paraíso! Eu tinha certeza de que havia encontrado o paraíso. Todas as coisas que o mundo nos oferece, estavam ao meu alcance. Durante muitos meses eu me sentia no Céu, até o dia em que gastei meu último centavo. No mesmo dia desapareceram os ‘amigos’, sumiu também o meu sorriso e tudo aquilo que eu achava ser felicidade”.

– Conta mais! Você caiu na real, descobriu que fez uma grande besteira, aí bateu o arrependimento e decidiu voltar. Voltou só porque não tinha nem mesmo o que comer? A fome fez você esquecer que ainda continuava sem ter uma mãe?

“A fome me estimulou a meditar e descobrir que eu sempre tive uma mãe ao meu lado, e tinha mesmo, o meu próprio pai. Ele, sempre prestativo e amoroso, assumiu muito bem as funções de pai e de mãe. Muito tarde eu percebi essas coisas e compreendi que não merecia seu perdão e, nem mesmo, ser chamado de filho. Por isso, a única coisa que eu pretendia era ser aceito como um de seus empregados”.

– E qual foi sua reação quando viu seu pai correndo ao seu encontro?

“A princípio eu tive medo. Mesmo conhecendo sua docilidade eu esperava ouvir um extenso sermão e cobranças sobre os bens que esbanjei. Eu temia não ser aceito por ele, no entanto, sua reação, que você já sabe muito bem qual foi, serviu para confirmar o que acabei de dizer. Meu pai é portador de um coração materno. Ele viu na minha ignorância a minha fragilidade, minha carência, meu desejo de ser amado. Seu abraço e seus beijos me transportaram para o colo de minha mãe. Fizeram-me sentir sua ternura e seu afago”.

– E agora, o que pretende fazer na vida? Ainda pensa em buscar a felicidade?

“Sim, a felicidade é uma dádiva que Deus nos concede. Temos que buscá-la permanentemente. Nascemos para sermos felizes. O desejo de Deus é ver Seus filhos alegres, felizes. No entanto, temos grande dificuldade para distinguir entre a verdadeira e a falsa felicidade. Felicidade verdadeira é a que eu sinto agora, juntos ao meu pai e ao meu irmão, que também me perdoou e já me convidou para trabalharmos juntos novamente”.

– Para encerrar esta entrevista, tem algo mais que gostaria de dizer?

“Sim. Deixo um recado para todo jovem “cabecinha oca” que, assim como eu, se deixa levar por conselhos de pessoas que vivem distantes de Deus. Mantenha-se longe desses falsos amigos, que desconhecem a importância de um lar e o valor da família. Jovem, Deus tem o tamanho exato do nosso vazio interior. Quando você estiver se sentindo vazio e infeliz, preencha seu coração com Deus, pois, assim como meu pai, Deus é bom, misericordioso e compassivo”.

Escrito por
Jorge Lorente
Jorge Lorente

Locutor da Rádio Imaculada, colunista e escritor de vários livros consagrados. Seu último lançamento foi a obra "Maria, mãe e mulher".

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