Por Nathalia Silva Em Formação

Essa tal criatividade

Eu achei um absurdo. Onde já se viu existir uma disciplina chamada criatividade? Faça-me o favor...

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Pois é. A frase acima era exatamente o que eu dizia ao ingressar no curso de Publicidade e Propaganda e descobrir que criatividade era o nome da primeira matéria a estudar.

Achei estranho porque, naquela época, eu acreditava que ser criativo era algo nato que não precisava de treino e muito menos de estudo.         

O tempo passou e aquela matéria começou a se revelar para a turma. A professora era muito querida e fazia vários exercícios de criatividade com a gente, especialmente alguns específicos para desbloquear a mente e nos fazer pensar fora da caixinha. Fui percebendo que ser criativo vai muito além de ter uma inspiração e que a criatividade é, acima de tudo, uma decisão. Lembra daquela máxima: “1% de inspiração e 99% de transpiração”? Faz todo sentido!

Neste mesmo período, conheci um escrito de São Maximiliano Kolbe que dizia: a força criativa é o amor. Esta frase nos faz pensar no Criador, que é a maior força do universo e que se chama Amor, e também nos faz pensar naquilo que o amor é capaz de mover em nós.

Aquela mãe que, só tendo batatas para servir aos filhos, cria um purê delicioso é criativa. O jovem que, sem ter cadernos para ir à escola, escreve no papel de pão é super criativo. O cristão que carrega um Rosário nas mãos enquanto pega o transporte público é sutilmente criativo e evangelizador. E por aí vai...

A decisão de criar vai muito além de ter uma boa ideia. Ser criatura que cria é algo estupendo! E não adianta pensar como eu pensava anos atrás. A verdade é que ninguém nasce sabendo e, por mais que existam pessoas com mais ou menos tendência à criatividade, se você quiser ser criativo para evangelizar de verdade vai precisar de esforço, determinação e abertura ao Espírito Santo de Deus. As coisas não caem do céu prontas e até a melhor das ideias precisa de bastante suor para se realizar.

É por isso que São Maximiliano apontou o amor como fonte da criatividade. O amor é incansável, é resiliente, é surpreendente! Olhe ao seu redor... Perceba quanta criatividade é possível encontrar nas situações básicas do dia a dia para ser mais feliz, evangelizar mais pessoas e até mesmo resolver situações-problema. Tenho certeza de que, neste mês da Bíblia, vamos conseguir encontrar formas especiais de anunciar esta Palavra de Vida a muitas pessoas junto com a Milícia da Imaculada. Como convidava São João Paulo II: “é preciso ousar no amor!”.

Curiosidade

Você sabia que o autor José Predebon elencou, de forma bem-humorada, 10 bloqueios clássicos que são inimigos criatividade? Vamos conhecê-los:

Adequacionite: é acomodação e valorização da rotina confortável e do não-desafio. Combate-se com maior prática do pensamento criativo.

Umbiguite: é a falta de boa percepção do contexto, pois a criatividade geralmente se baseia em associações de ideias muitas vezes de campos diferentes. Combate-se com o desenvolvimento de uma visão mais larga.

Objetivite: imediatismo constituído pelo posicionamento simplista de ir direto ao ponto. Música, poesia e arte fazem parte ajudam a combater, bem como leitura de biografias de pessoas que venceram na vida (como São Maximiliano Kolbe, São Gregório Magno, Santa Teresa de Calcutá).

Egocegueira: é a insegurança geralmente decorrente de baixa autoestima, é peculiar às pessoas com necessidade exagerada de aprovação. Combate-se com o cultivo do amor-próprio. Casos agudos requerem um divã mais psicanalista.

Tristezite: pessimismo caracterizado por ataques de nostalgia e mau-humor, inibindo qualquer tipo de iniciativa baseada em princípios positivos. Recomenda-se boa mesa, bons relacionamentos afetivos e férias periódicas.

Acanhamentite: famosa timidez marcada pela dificuldade de enfrentar todo tipo de exposição da sua pessoa a qualquer público ou situação. Combate-se com leitura de livros, amor-próprio e bons relacionamentos afetivos.

Aventurofobia: caracteriza-se como medo, com óbvio prejuízo às inovações. É um bloqueio comum em que vê muitas horas de televisão por dia, caracterizada por um temor repentino a qualquer evento não previsto na rotina. Recomenda-se a prática de esportes.

Despaixão: é o desânimo, a falta generalizada de motivação e estímulo que leva a pessoa à posição de não-engajamento total. Combate-se com pílulas de energia.

Desfoquite: falta de administração do tempo que provoca permanente adiamento das iniciativas inovadoras. É sutil e pode levar à incapacidade de finalização de simples ideias. Combate-se com alta dose de disciplina e conscientização e pílulas de administração do tempo.

E aí, gostou? Percebeu como a sua criatividade na evangelização pode se ampliar? Não se esqueça de acrescentar às recomendações uma boa dose de oração e meditação diárias!

Escrito por
Nathalia Silva
Nathalia Silva

Leiga consagrada na Milícia da Imaculada há 19 anos, faz parte de nossa equipe de Comunicação e Marketing. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, Jornalista, com MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas e estudante de Teologia pela Universidade Claretiano.

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